O mundo de negócios
Como é a capacitação de profissionais para trabalhar no comércio exterior
No momento em que o Brasil precisa se integrar, profissionais desse perfil são essenciais
Por Redação Engeplus
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Ao longo das quase três décadas de abertura do mercado brasileiro, promovida inicialmente pelo Governo Collor, a indústria brasileira passou da condição de prejudicada com as importações para beneficiária da injeção de tecnologia. No caminho para essa transformação, a formação de profissionais capacitados para trabalhar o comércio exterior cresceu em importância para a conquista de mercados e ganho de competitividade.
Para suprir essa necessidade, as empresas e universidades precisaram dar uma guinada e se adequar a uma nova realidade.
“Estar inserido em um mercado internacional exige uma mudança de cultura da empresa. Nossa preocupação é trabalhar a realidade do dia a dia através de práticas, relacionadas com a questão das diferenças culturais, e por meio de eventos com profissionais que atuam em diferentes mercados”, explica a coordenadora do curso de Administração com habilitação em Comércio Exterior da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), Izabel de Souza.
O curso de graduação oferecido pela Unesc foi criado em 1999, ao fim da primeira década de abertura comercial do Brasil, e só vem crescendo desde então. Antes disso, as empresas brasileiras ainda não estavam preparadas para a nova realidade. A capacitação do profissional aconteceu na necessidade e, basicamente, com a inércia de momento. Foi preciso se adaptar e, principalmente, buscar o entendimento do que estava acontecendo. O excesso de burocracia complicava, bem como as novidades vindas com as diferenças culturais.
Essa é uma dificuldade que permeia até hoje. A disponibilização de profissionais capacitados é um desafio por conta desta complexidade. Unir a teoria da academia e a prática exigente do mundo business demanda cuidados especiais, já que a sociedade consome produtos internacionais diariamente e os empresários dependem do conhecimento específico para gerar oportunidades. A cultura internacional, entretanto, ainda é algo que precisa ser muito trabalhada para que a economia receba os benefícios da forma correta.
Conexão com a realidade
A formação acadêmica deve fornecer noções teóricas e práticas para exercer uma função que, no passado, era desempenhada sem a devida preparação. Para proporcionar tudo isso, a Unesc mantém ligação próxima com profissionais, empresas e órgãos que pertencem à cadeia produtiva do comércio exterior. “Já tivemos a participação de muitos empresários, através de programas especiais de consultoria e palestras, como também representantes de instituições atuantes como o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, por exemplo”, menciona a coordenadora do curso.
Eventos como o Congresso do Extremo Sul Catarinense de Comércio Exterior, realizado pela Unesc, também são um exemplo disso. Ao mesmo tempo que os novos profissionais precisam de empresas para trabalhar, as empresas necessitam de bons profissionais para fazer a diferença. Esses eventos não só permitem uma disseminação da cultura internacional como também uma sinergia entre as partes envolvidas. “Os empresários e profissionais conseguem conhecer melhor o curso e os acadêmicos. É uma troca importante para todos. E, no final, é muito gratificante ver nossos alunos e egressos sendo reconhecidos pelo mercado”, relata Izabel.
Outro diferencial oferecido pela Unesc nesse sentido é a consultoria gratuita na área de importação e exportação, por meio da qual acadêmicos, orientados por professores, realizam o projeto de consultoria para pequenas e médias empresas interessadas em buscar negócios junto ao mercado externo. A proposta, segundo Izabel, é uma atividade que beneficia tanto empresas quanto os acadêmicos, permitindo uma troca de experiências e práticas.
A aproximação entre universidades e o mundo dos negócios é um caminho sem volta. A globalização é uma realidade inquestionável e, do mesmo modo que a concorrência está ao lado, as oportunidades também estão. Formar profissionais que façam a diferença nos espaços que ocupam, seja no ambiente corporativo, seja na sociedade, é um requisito para o desenvolvimento.
Essa matéria faz parte da última edição da revista "O Mundo dos Negócios"
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