Criciúma avança no desenvolvimento de energia fotovoltaica

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Criciúma avança no desenvolvimento de energia fotovoltaica
Foto: Fotos: Reprodução Google/Divulgação equipe de pesquisa

Já imaginou instalar na parede de sua casa ou do edifício onde mora uma capa de plástico composta por uma tecnologia capaz de gerar energia a partir da absorção da radiação solar? E essa energia poder ser armazenada e utilizada quando e onde necessitar? Isso ja é possível e se trata de uma tecnologia baseada em fontes alternativas de geração de energia. Focada nesse tema, uma equipe de pesquisadores da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), nos laboratórios do Iparque, desenvolve pesquisas em eficiência energética.

Tratam-se de sistemas fotovoltaicos, que possibilitam a conversão da energia do sol em energia elétrica. Entre as vantagens, garantem os pesquisadores, o modelo não consome combustível, não produz resíduos prejudiciais ao meio ambiente, adapta-se ao meio urbano, requer pouca manutenção e é possível gerar a energia próxima do centro de consumo.

O pesquisador coordenador do projeto, professor Doutor Luciano da Silva, explica que a ideia é produzir energia utilizando um conceito diferente das atuais placas de captação de luz solar. O projeto criciumense, apresentado e aprovado na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), consiste em desenvolver um material plástico de espessura milimétrica, flexível e que pode ser aplicada sobre qualquer superfície, como se fosse um plotter. “A proposta é utiliza-lo para recobrir superfícies, sejam paredes, telhados ou pisos, será maleável e poder captar a radiação solar em qualquer horário do dia”, explica. Silva acrescenta que, inicialmente, o material será transparente.

O desafio da equipe de pesquisadores, composta por quatro doutores, dois mestres, quatro alunos mestrandos e quatro alunos em iniciação científica é desenvolver um material alternativo às placas de silício, por exemplo, que tenha maior eficiência energética e menor custo. Para captar a energia, será desenvolvido um sistema por condução metálica. “Para obter o efeito fotovoltaico não é necessário especificamente de sol, mas sim de radiação. Na região de Criciúma, a média da radiação anual é de 5 kWh/m2/dia, o que viabiliza a captação. Em cada sistema, o tamanho da área a ser aplicada, será proporcional à necessidade, podendo o sistema fotovoltaico, ainda, ser utilizado como complementar ao sistema atual”, ressalta Silva.

Processo será desenvolvido em Criciúma – A pesquisa da equipe criciumense levará cerca de dois anos para ser concluída e será financiada por três empresas – Baesa, Cefac e Enercan – com recursos via Aneel. A Unesc e a A Vero Domino foram as empresas contratadas para a execução do projeto, que recebeu nota máxima, da Aneel, 5, nos quesitos originalidade e relevância.

Durante a execução do projeto serão desenvolvidas teses de mestrado no Programa de Mestrado em Ciência e Engenharia de Materiais da Unesc, além do envolvimento de alunos de graduação dos cursos de Engenharia de Materiais também da universidade.
Um dos pesquisadores envolvidos e mestrando, Áureo Dantas Bettiol, ressalta que tão importante quanto o projeto ser criciumense é ele ser desenvolvido na cidade e na universidade. “A Unesc investe no desenvolvimento de pesquisa em materiais poliméricos (plásticos) e isso nos habilita ao desenvolvimento solicitado. Outro ponto importante é fato de que na região existem muitas empresas que trabalham com plásticos e que, podem vir a ser parceiras nas etapas subsequêntes do projeto que é a produção do sistema em escala industrial”, avalia.

Bettiol acrescenta que a tecnologia não existe no Brasil, mas na Europa já se fazem testes. Em nenhum dos continentes o sistema existe em escala industrial, porém, é a pretensão da equipe em Criciúma. “Queremos aliar a maleabilidade do plástico com um elemento de maior eficiência para absorção energética a baixo custo. Por enquanto não temos como calcular o quanto mais barato o sistema tornará as contas de energia. Esse é mais um ponto a superarmos”.

Nos próximos dois anos de pesquisa, a equipe do projeto irá destinar 40 horas semanais na pesquisa de desenvolvimento, quando serão avaliados diferentes materiais (eficiência, durabilidade e estabilidade em situações climáticas e microbiológicas) para compor a malha de plástico. A segunda fase do projeto será a escala piloto, quando os dois melhores materiais serão escolhidos para a execução de um protótipo e tentar torná-lo viável para produção industrial. Em uma terceira fase tecnologia será transferida para produção industrial.

Saiba mais – A produção de eletricidade a partir de energia solar surgiu em 1930, inicialmente com células de óxido de cobre e, posteriormente, de selênio. Em 1954, com a realização dos primeiros testes com células fotovoltaicas de silício, nos laboratórios da companhia Bell Telefone, nos Estados Unidos, que cresceu a perspectiva para a possibilidade de fornecer energia nesse sistema.

O rápido desenvolvimento e progresso foram estimulados pelo uso em veículos espaciais. A progressão ocorreu nos anos 1980, quando seu uso passou a ser frequente em produtos de baixa potência, como relógios, calculadoras, iluminações, instalações meteorológicas, bombas de água, frigoríficos, entre outros equipamentos.
E o grande desafio é miniaturalizar as placas em modelo e aumentar o rendimento das mesmas, que atualmente ainda está aquém do desejável.

Vídeos: Youtube

Outra demonstração prática de captação e aplicabilidade de geração de energia pelo sistema fotovoltaico: http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&NR=1&v=BXnwy2SMPWI

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