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Criciúma com alto índice de mortalidade materna

Por Redação Engeplus

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Foto: Foto: Reprodução Site melhoramiga.com.br

No ano passado, Criciúma foi a cidade com maior índice de mortalidade materna em Santa Catarina, conforme aponta a enfermeira do Sistema de Mortalidade da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Criciúma, Maria Rocha. "Foram quatro mortes materna-obstétricas, ou seja, mulheres que faleceram durante o período compreendido entre a gravidez e o puerpério, que é quando ainda há chances de gerar algum problema em virtude do parto, mesmo que já tenha passado a quarentena", esclareceu Maria. Em 2012 já foi registrado um óbito de gestante, mas a causa não é obstétrica.

A estatística foi feita pelo Comitê de Mortalidade Materna de Criciúma e apresentada na rádio Eldorado AM nesta segunda-feira. Com o objetivo de estudar a causa dessas mortes e evitar futuros óbitos foi criado o comitê, que já existiu com o mesmo propósito no final da década de 1990 e início dos anos 2000, mas por falta de apoio dos principais órgãos de saúde do município e interesse dos profissionais da área, o grupo foi extinto e voltou com os trabalhos em outubro de 2011.

Formado por diferentes órgãos e entidades de saúde de Criciúma, o comitê é "uma autópsia verbal sobre como ocorrem as mortes das mães, não tem caráter punitivo, apenas estuda as causas dos óbitos, a fim de evitar a morte materna", como explicou o obstetra Lauro José Nogueira. "A saúde pública está sendo sucateada, nem todos os profissionais se preocupam e o que realmente acontece nas maternidades não chega à população e aos órgãos competentes. O que os comitês fazem é investigar a causa das mortes, portanto é dado um diagnóstico depois, mas o principal é fazer isso antes. Automaticamente, quando o pré-natal não é feito de forma correta, quando os trabalhos básicos com a saúde da gestante não são suficientes, cresce também o número de mortes de recém nascidos", finaliza Nogueira.

Segundo a secretária de saúde de Criciúma, Letícia Vieira Rodrigues, o trabalho com as grávidas ainda depende da conscientização delas a respeito da importância de realizar o pré-natal. Para isto, são feitas visitas com agentes comunitários, que fazem a ponte entre a gestante e a unidade básica de saúde. Além disso, ultrassons, vacinação, grupos terapêuticos e vigilância hospitalar também são disponibilizados pela secretaria. Em casos de risco, a mulher grávida é encaminhada para a Unidade Referência Criança Saudável. "Se mesmo assim acontecer alguma morte, o comitê faz os estudos e os apresenta para a secretaria, que vai chamar os profissionais envolvidos e podem ocorrer até demissões", explica Rodrigues.

Causas da morte - As principais causas dos falecimentos de mulheres grávidas são hipertensão, diabetes, hemorragias e embolia pulmonar, que podem ser diagnosticadas durante a gravidez, através do pré-natal, ou somente durante o parto, o que demonstra uma falha no acompanhamento médico da gestante. Outro fator que justifica estes números elevados podem ser as investigações criteriosas realizadas pelo comitê no município, o que é diferente nas cidades onde não são feitos os estudos, portanto os números apresentados nestes municípios não refletem o total de mortes causadas pela gestação em si.

Integrantes - Fazem parte do Comitê de Mortalidade Materna de Criciúma: Conselho Regional de Medicina, Conselho Regional de Enfermagem, prefeitura de Criciúma através da Secretaria de Saúde, Hospital São José, Hospital Materno-Infantil Santa Catarina, Hospital Unimed, Conselho Municipal de Saúde, Conselho Municipal de Defesa da Saúde da Mulher, Conselho Municipal de Defesa da Saúde da Criança, Conselho Tutelar, Secretaria de Assistência Social e Universidade do extremo Sul Catarinense (Unesc).

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