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Crise no setor de oncologia pediátrica do Hospital São José

Por Redação Engeplus

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Foto: Foto: Divulgação Hospital São José

O Hospital São José, em Criciúma, é a única instituição no Sul de Santa Catarina que conta com um setor de oncologia pediátrica, para atendimento de crianças e adolescentes em tratamento de câncer. Porém, a falta de recursos e de uma estrutura adequada estão se agravando e podem levar à suspensão do serviço. É o que afirma o médico oncologista pediátrico Tiago Nava, que trabalha na instituição.

Hoje, o especialista atende no hospital 25 crianças e adolescentes em fase de quimioterapia. Para realizar esses atendimentos seria necessário uma estrutura exclusiva para oncologia pediátrica, inclusive com profissionais capacitados especificamente para este tipo de trabalho. Porém, segundo Nava, as condições de tratamento no Hospital São José deixam a desejar.

Além da estrutura, o médico informa que a remuneração pelos trabalhos está muito abaixo do que deveria ser recebido. "Os médicos não têm contrato nenhum com o hospital e recebem um percentual das sobras dos repasses para as quimioterapias de seus pacientes. Deveriam receber, aliás, pois há um atraso de, no mínimo, dois meses no pagamento desses repasses".

A reclamação se estende ao descomprometimento do Estado, que repassa apenas entre 10% a 15% do valor total devido, sendo o valor restante retido até seis meses depois de os atendimentos já realizados. "Efetivamente, isso rendeu aos médicos nos primeiros seis meses deste ano o equivalente a cerca de R$ 600 por mês", acrescenta Nava, que trabalha pelo menos seis horas por dia no hospital e fica disponível para atendimentos nos finais de semana, feriados e urgências durante a madrugada, por exemplo.

A falta de entendimento técnico nas ações administrativas do Hospital São José e do setor de oncologia pediátrica da instituição também são destacados por Nava. No entanto, segundo a diretora geral do hospital, Irmã Cecília Martinello, todos os gastos com os atendimentos dessas crianças e adolescentes são pagos pela instituição, isso em um primeiro momento. O que acontece depois é que agrava a situação, pois o hospital precisa aguardar o repasse do Governo do Estado, já que os atendimentos são realizados pelo Sistema Único de Saúde (Sus), para fazer o pagamento aos médicos.

A diretora também esclarece que, em reuniões anteriores com os médicos do setor de oncologia infantil, foi acordado sobre a construção de uma nova ala pediátrica, onde deverão ser atendidas apenas as crianças em tratamento de câncer. "Os médicos participaram das reuniões e concordaram com essa ampliação, eles sabem que o hospital tem conhecimento sobre essas deficiências e deseja corrigir isso, mas o problema é que não temos recursos suficientes neste momento", explica.

Ao longo da semana os médicos vão buscar apoio e tentar resolver essa questão através da Secretaria de Estado de Saúde, Secretaria Municipal de Saúde, Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, Câmara de Vereadores de Criciúma e, ainda, tentarão mobilizar a população em prol da causa. A reportagem tentou contato por meio de telefone celular com o gerente regional de Saúde, Roque Salvan, mas não conseguiu retorno.

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