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Crônica do Didé: O homem está de volta

Por Mateus Mastella

3 min de leitura

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Foto: Mateus Mastella

Debaixo de uma forte chuva em um sábado de dezembro, jogando na raça, a bola vai para a linha de fundo. Cobrança de escanteio, a bola passa por todo mundo, não tem mais ninguém.... tem sim, e ele vem chegando a toda velocidade. Um chutaço para o gol, o seu terceiro, na histórica goleada por 4 a 1 diante do Fortaleza, em 2002, levando o título da Série B pelo Criciúma...

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Anos depois, após onze deles em grandes escalões da elite do futebol brasileiro, já ídolo carvoeiro, mas jogando pelo Athletico-PR, recebe a bola de fora da área, arrisca e faz seu centésimo gol na era dos pontos corridos. Ele comemorou? Não, por ironia do destino, foi justamente contra o Criciúma que ele fez essa marca histórica apenas levantando os braços aos céus e recebendo aplausos da torcida.

Voltando no tempo, 17 anos atrás, desembarcava em uma desconhecida, mas acolhedora Criciúma, vindo do São Luiz, do Rio Grande do Sul. Um lateral-direito, camisa 2, jovem, com o nome de Paulo Cesar Baier. Conhecido apenas por Paulo César, era sua primeira das suas três passagens que o tornariam nome digno de placa no Heriberto Hülse.

Sempre doando o sangue pelo time acertando passes a quilômetros de distância, precisão em saber chutar na hora certa e no lugar certo, maestria com a bola parada, carisma e humildade que conquista o torcedor, são alguns de seus segredos que o tornaram respeitado Brasil afora.

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Já fora dos gramados mostrou o que é futebol com união, comprometimento, entrega, se doando pelo clube e, principalmente, pelo futebol. Foi o que fez a beira do gramado como técnico do Próspera elevando o clube de Criciúma, desde a volta ao futebol profissional até uma vaga histórica no Campeonato Brasileiro da Série D.

Hoje ele volta para onde sempre teve um carinho enorme, com identificação ao Criciúma. Vai se entregar da mesma forma que fez com o Próspera como no jogo em que se doou pelo clube a ponto de entrar em uma briga dentro de campo, diante do Avaí.

Hoje, mais do que nunca, o Criciúma precisa de reforços que se entreguem pelo time, que sintam na pele cada sofrimento e vitória, que não durmam nas derrotas, pois só a vitória interessa.

A missão é difícil, mas terá ao seu lado uma comissão técnica, com nomes que retornam, como Luciano Almeida para seu auxiliar, ídolo e companheiro de 2002, e Willian Hauptman, que esteve na preparação física em outras ocasiões.

Em meio a uma das maiores crises da história, sendo rebaixado à segunda divisão do estadual, a difícil missão de avançar na Copa do Brasil e conseguir o tão sonhado acesso à Série B do Campeonato Brasileiro, junto a necessidade de reforços dentro de campo, a volta de Paulo Baier traz uma luz de esperança. Luz esta que reacende os ânimos dos torcedores que tanto sofrem pelo tricolor, mas que tem, ao menos, um motivo para comemorar. Quem sabe a primeira vitória na retomada, afinal, o homem está de volta!

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