Crônica do Didé: o retorno à liderança em dia e jogo frio
Por Mateus Mastella
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Domingo de tarde, frio, ventos cortantes e o futebol, assim como o tempo, jogaram juntos de forma fria e sonolenta. Assim o dia se apresentava, ainda mais com o vazio do estádio na base das músicas da torcida no alto-falante. Não tinha jeito, o time não entrava em sintonia.
Em tempos longínquos, tal como a pandemia faz parecer, um time sonolento recebia um apoio reforçado da torcida mais apaixonada do sul do Estado, cantando mais alto para, quem sabe, acordar o time de um fraco futebol.
Não é o caso dos dias atuais, com músicas tocando de forma mecânica, no sistema de som do estádio. Convenhamos, é melhor do que nada e que falta faz a presença humana da torcida, isso faz.
O adversário é um velho conhecido em Série B do Campeonato Brasileiro, mas, desta vez, na Série C. O Paraná veio a Criciúma para tentar fugir da crise interminável que vem passando nos últimos tempos.
O futebol das duas equipes foi de doer, tal como o frio deste domingo, com ambas as equipes jogando abaixo da média.
Oportunidades apareciam para os dois lados e o Criciúma só chegava no quase. Quem era protagonista deste quase não era atacante, e sim lateral, com Helder sempre ameaçando. Ele fez isso no final do primeiro tempo.
O Criciúma se acomodou com a posse de bola superior e pouco atacou entrando para o vestiário precisando levar uma sacudida da comissão técnica.
No retorno ao gramado, ao menos no primeiro minuto, parece ter recebido essa tal sacudida, com um pênalti sofrido pelo Tigre. E lá vai ele carregando nas costas toda a expectativa de ser o artilheiro. Luiz Paulo bateu no canto esquerdo, fraco, mas entrou. Era hora de buscar mais gols.
Porém o time caiu de produção, jogando mais atrás, atacando menos, e o técnico Paulo Baier sentiu a falta de ataque fazendo algumas alterações na frente.
Maranhão e Marcão entraram no lugar de Luiz Paulo e Felipe Mateus, respectivamente, assim como Hygor, que saiu para entrada de Uillian Barros
A mudança aconteceu, os homens da frente entraram dando gás com Barros pela ponta esquerda avançando 2 ou 3 vezes, mas quem realmente entrou com todo o combustível foi Maranhão. E bota combustível nisso.
Toda hora que a bola ia aos pés de Maranhão era arrancada na certa. O cara chegava a adiantar a bola até demais, correndo o risco de deixá-la para fora, mas isso era a vontade de jogar.
Apesar do crescimento ofensivo, o Paraná deu um sufoco daqueles, principalmente com os 5 minutos de acréscimo.
Era escanteios seguidos e perigosos, chute de Alex Maurici de fora da área com defesa de Gustavo. Era perigo que não parava mais. Agora a luta era para manter o resultado, pois não dava mais para marcar o segundo.
Não dava? Claro que dava sim. No último minuto, o alívio e a consagração da vitória vieram com a previsível arrancada de Maranhão, que chegou perto da área. Ele viu Eduardo, tocou para o volante, que olhou, arriscou cruzando rasteiro e escorregando morro abaixo veio Marcão para fazer o seu e garantir a vitória. Era mais 3 pontos na conta, assim como o retorno à liderança.
E a euforia da torcida com o time continua, até mesmo em dia de jogo fraco, principalmente com a liderança retomada. O desafio agora é fora de casa, com Botafogo de Ribeirão Preto e Mirassol.
Quem sabe da para arrancar a primeira vitória fora depois de quase um ano.
Quando a fase é boa, até em jogos fracos a vitória vem, pois o que permaneceu, apesar do futebol aquém, foi a organização e o padrão de jogo, com o time errando pouco e buscando acertar o gol.
É sinal de novos tempos, ou melhor, da volta de velhos tempos. Velhos tempos em que o Criciúma Esporte Clube dentro de casa era o Criciúma Esporte Clube. Agora só falta mais um reforço para o time: a torcida no estádio, cantando, pulando, gritando e apoiando a todo momento!!!



