Crônica do Didé: os bons tempos estão de volta
Por Mateus Mastella
4 min de leitura

Faz dois anos que, um recém rebaixado à Série C do Campeonato Brasileiro, buscava se reestruturar; faz dois anos que o time se classificava à próxima fase do Catarinense; faz dois anos que o futebol estaria prestes a parar devido à pandemia, forçando todos a ficarem em casa; faz dois anos que uma gestão de insucessos havia renunciado sob festa da torcida; faz dois anos que, por meses, discutia-se o futuro da executiva do Criciúma; faz dois anos que um vexame histórico quase nos levou a Quarta Divisão Nacional.
Dois anos se passaram e tudo mudou, com alguns incrementos à mais, alegrando o torcedor, a imprensa, a diretoria, a comissão técnica, aos jogadores, a patrocinadores, aos funcionários e a todos que, de alguma forma, tem um grau de envolvimento com o Criciúma Esporte Clube.
Quem diria que, hoje, depois de tudo que o clube passou, a torcida e imprensa estariam em lua de mel com a diretoria, confiando, no trabalho de todos.
Transparência esta que traz confiança de que todos estão empenhados, seja presidente, vice-presidentes, diretores, funcionários, comissão técnica, jogadores. Por mais que as críticas aconteçam, naturalmente, o respeito e a confiança prevalecem dando gosto de torcer por cada indivíduo dentro do clube.
Quanto ao futebol é um caso a parte, pois depende de variáveis. E para a bola entrar, vale de tudo: jogar na raça, na técnica, nó tático, nas jogadas individuais, nas ensaiadas, nos esquemas táticos, nas boas peças ou qualquer outro elemento em busca do gol.
A questão é achar a variável certa para o plantel de jogadores que vão a campo. Independente do que seja, uma coisa é certa: a comissão técnica, responsável por comandar todo o plantel, tem todo o respeito e confiança da imprensa e torcida, pois empenho dos comandantes e jogadores é que não vai faltar, os ares são outros.
Um velho conhecido
Era estreia na Copa do Brasil, segunda edição da história, primeira do Criciúma, o ano, 1990, e no caminho, vários Golias e um Davi.
Pelo lado dos Golias: Internacional, São Paulo e Coritiba; o Davi, por sua vez, um calouro a nível nacional, chamado de Criciúma Esporte Clube.
Atropelando os três Golias, o Tigre chegou a uma semifinal, diante do Goiás, e por pouco, a primeira participação não resultou em classificação à final. O detalhe: caiu nos pênaltis em solo goiano.
No ano seguinte, mesma competição, outro reencontro, dessa vez, nas quartas-de-final, e o desejo de revanche aflorou ainda mais o Criciúma, com avassaladores 3 a 0 no Heriberto Hulse, eliminando o Esmeraldino. Após a revanche vencida, o resto é história, afinal, o ano era 1991 e dispensa apresentações.
Mais uma vez, o Tigre atropelaria o Esmeraldino pelo terceiro e último confronto das duas equipes pela Copa do Brasil, em 1996, na primeira fase. 3 a 0 e mais uma classificação Carvoeira diante de um velho amigo, que se reencontram 26 anos depois em busca de uma classificação na badalada Copa do Brasil.
Esse reencontro vale R$ 1,9 milhão para quem se classificar. Além de um jogo duríssimo, apoio não faltará, pois um reforço vai chegar bem na hora do jogo: de ônibus fretado pelo clube, uma fanática torcida vem ai, apoiando o Tigre a todo canto do Brasil!!!
“Sócio 10 mil”
Um salto quântico eleva o patamar de um clube com um quadro de sócios abaixo dos 3 mil e que inicia uma campanha com jogos decisivos para atrair cada vez mais, novos sócios.
Cada evento, um jogo decisivo, como o chamado “Dia D” em um sábado chuvoso de dezembro, com banda, e toda uma mobilização no estádio durante o dia; o lançamento da Cerveja Lohn Bier no Balneário Rincão com festa da torcida Carvoeira; o Pub do Criciúma, com nome Tigre Sports Bar que está por vir e será anexado ao estádio; o plano para os estudantes da UNESC se associarem com descontos; as campanhas nas emissoras de rádios da região; mobilização do clube nas redes sociais e todos os esforços em um só objetivo: o sócio 10 mil.
Hoje é dia de jogo, e com o sociometro quase atingindo a meta, uma fanática torcida viajando de ônibus até Goiás e um time mais do que nunca preparado para buscar a classificação e receber o pix da CBF. O Criciúma vem aos poucos mostrando sua força que havia perdido tempos atrás. Cada elemento é um sinal, sinal este de que os bons tempos estão de volta!!!
@Didefontana é jornalista e colabora para o Tabelando e Engeplus



