Crônica do Didé: Um empate assombroso para o Halloween Carvoeiro
Por Mateus Mastella
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Domingo de manhã, com sol e churrasco; e depois, jogo do Criciúma. Era algo que o torcedor não sentia faz anos e a festa para tal foi imensa, assim como é a torcida Carvoeira.
Uma semana inteira de mobilizações falando a todo canto sobre o “jogo do ano”, com incentivos a toda parte para o torcedor comparecer ao estádio e apoiar, e foi o que fez: compareceu e apoiou demais.
Carreata escoltando o ônibus com os jogadores, Tigrão atuando dentro e fora de campo, torcida em peso, barulho ensurdecedor da euforia Carvoeira, time com raça, xingamentos a arbitragem são ingredientes de uma tarde com ares de nostalgia à tempos áureos do Criciúma Esporte Clube, como os anos 90 e 2000, por exemplo.
Uma semana agitada
Toda a atenção e euforia ao longo da semana foi concentrado neste jogo de domingo, com a diretoria se mexendo nos bastidores para lançar campanhas e fazendo de tudo para colocar o máximo de torcedores no estádio.
Primeiro a Delupo, patrocinadora do Criciúma, no início da semana, doou mil ingressos para o torcedor. Mais adiante, a Cristalcopo, do presidente Anselmo Freitas, distribuiu mais mil ingressos para os torcedores que levassem copos comprados com a empresa para doação ao Asilo São Vicente de Paulo.
Os demais patrocinadores também fizeram sua parte, com doação de ingressos em programas de rádio, assim como as emissoras em si, realizando suas distribuições da melhor forma possível.
Para o dia do jogo, mais um elemento nostálgico, com o retorno da faixa “vamos subir, Tigre”, uma cortesia do clube com a Alianda, Cristalcopo e Sicredi, sendo distribuída para o torcedor que fosse entrando no estádio antes da partida.
Chegou o dia
A espera acabou e o que foi feito para colocar torcedor no estádio, foi feito: saiu o time da diretoria, empresas e veículos de mídia, todos com o trabalho de chamar o torcedor e entrou outro time, o do torcedor Carvoeiro, que 'chegou chegando', esquentando o clima antes, durante e depois dos 90 minutos em campo.
Torcida e o Tigrão entrando em campo
A torcida entrou em campo em frente ao CT Antenor Angeloni a espera do ônibus que leva a delegação ao estádio. A concentração Carvoeira aconteceu meia hora antes de a delegação sair do CT.
No começo poucos torcedores, mas com o passar do tempo mais carros iam aparecendo, com a recepção do Tigrão, sentando no capô dos carros, tirando fotos e com toda aquela agitação que só ele sabe fazer.
A carreata
Passado os 30 minutos de espera, era chegada a hora do ônibus sair. Com alguns minutos de atraso, o portão se abriu, mas era um carro, e outro, e outro, e nada da delegação Carvoeira.
Passados mais alguns minutos, enfim, a delegação Carvoeira saiu do portão e começou a corrida para os carros pegarem o melhor lugar, na cola do ônibus, do carro que transportava o Tigrão e do carro com sistema de som.
O comboio foi formado ao som de buzinas, agitando a Avenida Centenário, com escolta da Polícia Militar. A festa foi realizada, de forma civilizada, tal como é a torcida Carvoeira.
E o Tigrão estava em um carro com teto solar, fazendo o seu agito, puxando o coro da torcida, junto com o veículo que transportava uma caixa de som, tocando as músicas da torcida do Criciúma Esporte Clube.
Chegando aos arredores do estádio, mais torcedores fazendo a festa, em bares e calçadas aos arredores do Heriberto Hülse, com bandeiras das cores do Criciúma, e já uniformizados para entrar no estádio.
Casa cheia
Estádio cheio, com mais de 6 mil presentes, trazendo a sensação de 20 mil cabeças, relembrando tempos áureos de casa cheia, era o clima do estádio nessa tarde de domingo.
Muito barulho, torcida cantando o tempo todo, e lá vinha o Tigrão dentro de campo, dando volta olímpica no gramado, cumprimentando a todos, e fazendo sua melhor jogada neste domingo, quando foi jogar sal grosso na cabine do VAR.
Com as equipes entrando em campo, a torcida fez aquela festa com o elenco Carvoeiro e aquela vaia aos jogadores do Ituano. Faz tempo que não se ouviam vaias aos times adversário, que bom ter voltado.
E com muita festa e expectativa, as equipes já em campo, focadas na Série B. O Ituano jogou pelo empate para conseguir o acesso, já o Criciúma buscava encaminhar o acesso para ser concretizado em Belém.
Jogo fervendo
O Criciúma entrou em campo incendiando a partida, atacando a todo instante, era Silvinho dando show aqui e ali, caneta em um, drible em outro, tudo na ponta esquerda e em sincronia com Felipe Matheus, com tabela e tudo. Mas ninguém finalizava.
A bola chegava aos pés de Henan, bem posicionado, mas mal finalizado, ou pior, nem finalizar conseguia.
Era ataque aqui e ali e só dava Criciúma, com Claudinho avançando no lado direito, levando a bola até a área, com direito a drible no marcador do Ituano e tudo. Hélder, por sua vez, também atacava e apoiava, tanto atrás, quanto no ataque.
Léo Costa, mesmo sendo volante, finalizou mais que os atacantes chutando de fora da área em vários momentos, com oportunidades de gol defendidas pelo goleiro adversário.
Arbitragem marcando forte
Com a partida em andamento, o Criciúma foi caçado em campo, com o Ituano a todo momento fazendo falta em cima dos jogadores do Tigre. Era cartão amarelo atrás de cartão, tanto para o Ituano, quanto para o Criciúma. Até que em um, o amarelo virou vermelho, de expulsão.
Claudinho, que estava bem em campo, salvando o Tigre de sofrer um gol do Ituano inclusive, desta vez cometeu um erro que mudou o Tigre para o restante da partida.
Acabou o primeiro tempo, com um clima de uma batalha na base de porrada, tiro e bomba. O grupo de arbitragem saiu tudo junto, vaiados pela torcida. Tamanhas vaias foram possíveis de serem ouvidas no estádio inteiro, a pressão era forte.
Cadê o gol?
O segundo tempo continuou na mesma pegada, porém, com algumas mudanças no time, devido a expulsão. O time diminuiu o ritmo da partida, mas continuou atacando o tempo todo, mesmo com as peças novas entrando em campo.
A cada vez que era um escanteio, lá se ouvia “dalê oooo, dalêêê oooo, dalê Tigre, dalê oooo”. E lá vai Silvinho na cobrança acertando o primeiro pau mais uma vez e assim foi a sequência de escanteios curtos no segundo tempo.
Até o garoto da base Eduardo Melo, cabeceador, entrou em campo para tentar ser um imã da cabeça com a bola, mas nada feito, a bola não chegava nunca.
Hygor, que entrou no segundo tempo, jogava junto com Helder a cada bola no lado esquerdo, mas nada feito. Alemão, que também entrou no segundo tempo, chegou brabo e até um rebote tentou, mas goleiro impediu e nada de a bola entrar.
Mesmo com todos tentando, a bola não entrava nunca, o gol não chegava, e o Ituano, tranquilo, ia segurando o empate, que já o encaminhava para a Série B do Campeonato Brasileiro.
Com o fim do jogo, jogadores do Ituano se dirigiram a sua torcida no estáduo e foram agradecer a presença, enquanto a torcida do Criciúma, por sua vez, ficou com uma mistura de apoio incondicional, protestos e um silêncio, ditando o clima apreensivo que o empate trouxe nesta tarde de domingo.
Rumo a Belém
Com o resultado, logo em seguida, todos acompanharam Botafogo PB e Paysandu. Com vitória do clube paraibano, complicou ainda mais para o Criciúma.
Agora, além de o Tigre ter a obrigação de vencer um já desclassificado Paysandu, o Ituano tem que, ao menos, conseguir um empate contra o Botafogo, já que o clube paulista busca brigar pelo título. Para tal, é preciso terminar em primeiro do grupo.
E assim terminou o dia de Halloween para o torcedor Carvoeiro, que esperou doces com o acesso, e ganhou travessuras com o assombroso resultado que o coloca em situação difícil. Agora o jogo do acesso será em Belém e a semana será de muito trabalho, pois sábado, dia 06 de novembro, acontecerá a Batalha de Belém, com o Criciúma rumo à Série B do Campeonato Brasileiro.
@Didefontana é jornalista e colabora para a Engeplus e o Tabelando



