Entrevista
Delegado comenta detalhes do caso do fuzil
André Milanese participou, pela Polícia Civil, de operação conjunta com Exército e PM

Ganhou repercussão nacional o suposto ataque ao quartel do Exército em Criciúma, na Rodovia Luiz Rosso, na noite da última quinta-feira. De lá, um fuzil foi levado. Ocorre que o choque pela ousadia ganhou outra amplitude, ao se confirmar que a vítima e o assaltante eram, na verdade, comparsas do mesmo crime, e tirando proveito da condição de recrutas para pratica-lo.
Em entrevista ao Portal Engeplus, o delegado André Milanese contou detalhes da operação, e revelou a ambição da dupla, de vender a arma por R$ 30 mil. Leia a entrevista.
Portal Engeplus - Os dois envolvidos estão presos?
André Milanese - Sim, no quartel. Estão presos preventivamente e o inquérito é de competência da Justiça Militar. A autoridade policial, neste caso, é militar, é o comandante do 28o GAC.
PE - E qual foi o papel da Polícia Civil nesse caso?
AM - Nós prestamos apoio, mas a investigação foi toda do Exército. Eles que interrogaram a suposta vítima, que acabou contando tudo o que fez, daí eles chegaram ao outro recruta, o que estava de folga e fez de conta que assaltou o soldado. Os dois acabaram confessando toda a simulação nos depoimentos ao próprio Exército.
PE - E o que eles contaram?
AM - Que eles armaram tudo. Que o recruta de folga entrou pelos fundos do quartel, foi até a guarita, fez de conta que rendeu o parceiro, e o parceiro cortou o dedo, pois queria se aposentar depois. Daí esse que simulou o ataque fugiu com o fuzil.
PE - Onde afinal estava o fuzil?
AM - Na casa do avô de um deles, do recruta que estava de folga e que simulou o roubo. A casa do avô dele foi onde apanhamos o fuzil nesta sexta à tarde, no bairro Brasília, em operação conjunta com o pessoal do Exército e da Polícia Militar. Eles não chegaram a fazer nada com o fuzil, depois de levar do quartel ele foi guardado na casa do avô e ficou por lá mesmo.
PE - Foram muitas denúncias recebidas?
AM - Muitas. A colaboração das pessoas, mais uma vez, foi muito importante. Fizemos várias diligências, várias blitzes, e acabamos até resolvendo outros crimes. A PM apreendeu uma arma na Santa Luzia, relacionada a outro delito, e nós identificamos um jovem que estava foragido, e ligado a um homicídio.
PE - O que os dois recrutas pretendiam fazer com a arma? Praticar assaltos?
AM - Não. Eles confessaram ao pessoal do Exército que queriam é vende-la para criminosos. E eles venderiam com relativa facilidade, afinal é uma arma de porte e que tem muito valor no câmbio negro. Ela vale dez mil dólares, uns 30 mil reais, e o plano dos soldados era dividir o dinheiro entre eles.



