Tecnologia
“Despamonhalização” do Mundo?
A Tecnologia tomou conta da vida das pessoas
Por Redação Engeplus
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Mario Sergio Cortella, filósofo, escritor e professor da PUC-SP, retrata a sociedade que estamos vivendo, onde conectividade, mobilidade e instantaneidade estão entre as coisas maravilhosas do mundo digital, porém a realidade virtual não pode transformar o que o mundo tem de melhor: a fertilidade. O imediatismo, como utilizado no mundo dos negócios foi trazido até nossas vidas pessoais, fazendo com que os jovens tenham cada vez mais o sentimento de “Viva como se não houvesse o amanhã!”.
Conforme afirmado por Cortella, “Perdemos um pouco da serenidade da existência, da paciência, nos distanciamos do mundo agrícola que oferecia a ideia de tempo de espera. Vivemos a “despamonhalização” do mundo. Por que se fazia pamonha? Para ficar junto, os homens colhiam o milho na roça, as crianças tiravam a casca e o cabelo do milho, a mulher cozinhava e então se comia pamonha por volta das 4 da tarde. Agora estamos conectados e longe, mesmo que na mesma sala e no mesmo espaço.” Ele cita o exemplo de um adolescente no quarto sabendo que uma mulher teve quadrigêmeos na Letônia, e que está fazendo frio no Nepal, mas este mesmo não sabe qual o prato preferido da mãe.
A reflexão é como estamos lidando com nosso dia-a-dia, estamos olhando nos olhos das pessoas? Estamos conversando com que está ao nosso redor, não sendo pelo WhatsApp ou Facebook? A TV chegou ao final da década de 20, e modificou diversos hábitos familiares. Então hoje, sobrevivemos sem televisão, tem até alguns que dizem “Ah, eu não assisto TV!”. Mas estar desconectado da TV até é bem simples, a TV surgiu a quase 100 anos. Mas realmente conseguimos nos desprender dos “devices”? Se você não consome conteúdo pela TV, de que forma você consome? Smartphones e Tablets? Ou seja, ficamos desconectados do mundo?
O primeiro iPhone nasceu em 2007, estamos apenas em 2015, ou seja, ele ainda não completou 10 anos. Após ele vieram os muitos que estão por ai. E os Tablets, o iPad nasceu em 2010. Ele é apenas uma criança. Está certo que o conceito de Tablet e Smartphone já se ouvia falar desde a década de 80, porém a popularização ocorreu agora em 10 anos. E não parece que nascemos com ele? E lembre-se tem crianças nascendo com ele. Um “causo”, entreguei um aparelho com teclado “qwerty”, o famoso “lanterninha”, ao filho de um amigo, ele tocou na tela para desbloquear, simplesmente ignorou o teclado. É da geração dele.
Então o mundo está perdido? Não, existem coisas boas com a enxurrada de informações, a Internet por muitas vezes aproxima pessoas, refaz relacionamentos, e traz consigo muitos frutos positivos, ela pode até gerar movimentos. Outra questão bastante importante, pesquisas demonstram que os jovens estão lendo e escrevendo mais, mesmo que seja no Twitter e usando gírias. Mas qual o problema, escrevemos ‘vc’ em vez de você, mas a 300 anos se escrevia vossa mercê e há 200 anos se escrevia vosmecê.
O fato é, a tecnologia tomou conta da vida das pessoas, a falta de diálogo, o olho no olho, o aperto de mãos, os jantares em família, o jogar conversa fora, são atividades que não devem ser esquecidas, retirando isso de nossas vidas não quer dizer que estamos evoluindo, e sim que estamos mudando. Concorda? Mas a reflexão que deixo então é “O mundo que deixaremos para os filhos dependerá dos filhos que deixaremos para o mundo.”
Gustavo De Lucca
gustavo@ntisc.com.br



