Detentos fazem rebelião no Presídio Santa Augusta

Atualizada às 19h49min / Algumas galerias foram depredadas, mas não há confirmação sobre feridos

Por Douglas Saviato - douglas.saviato@engeplus.com.br

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Detentos fazem rebelião no Presídio Santa Augusta
Foto: Ana Paula Cardoso

Atualização de matéria às 19h49min / Uma rebelião iniciou as 13 horas desta sexta-feira no Presídio Santa Augusta, de Criciúma. O tumulto teria começado por causa das visitas suspensas em decorrência da greve dos agentes penitenciários. Nesta sexta-feira, completa uma semana que as visitas não são permitidas. Conforme informações preliminares, alguns presos se recusaram a voltar para as celas no início desta tarde após o banho de sol. Na frente da unidade prisional, além de moradores e curiosos, estão familiares dos detentos. Alguns deles colocaram bicicletas na frente do portão do presídio para impedir a entrada e saída de veículos. Algumas pedras também são jogadas contra o portão da unidade prisional.

Familiares e moradores ouviram disparos de arma de borracha e gritos de socorro de alguns presos. Uma viatura do Corpo de Bombeiros de Criciúma entrou no local. Viaturas do Departamento de Administração Prisional (Deap) também entraram na unidade prisional. Já algumas viaturas da Polícia Militar entraram e saíram. Neste momento, o Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT) foi acionado para reforçar a segurança e um veículo do Deap foi apedrejado e chutado pelos familiares que estão na frente do presídio. A cada viatura que chega, os detentos batem nas grades.

A reportagem do Portal Engeplus conversou com alguns familiares de detentos. Elas reclamam da suspensão das visitas, alegando que os reclusos não devem ser prejudicados por conta de um conflito entre os servidores e o Governo do Estado. A tensão e a apreensão tomam conta dos arredores do presídio. Uma moradora que preferiu não ser identificada também discorda da suspensão das visitas, mas afirmou que isso não é motivo para um grande motim, tendo em vista que muitas mães e até crianças estão do lado de fora do Santa Augusta sem saber a real situação enfrentada por seus familiares dentro da instituição.

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A rua Hortência Alda de Medeiros, em frente ao presídio, foi interditada, assim como a rua lateral, Odonel Biachi. Em torno de 15 policiais militares estão nas imediações da unidade prisional. Segundo o comandante do PPT de Criciúma, tenente Mário Silva, os ânimos estão mais calmos, sendo que cinco integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) estão dentro do presídio em conversa com os detentos. Após o encerramento das negociações a Polícia Militar vai repassar toda a conversa aos familiares. A PM ainda pediu que eles formem um grupo de cinco pessoas, as quais entrarão na unidade prisional. O comandante da Polícia Militar na cidade, tenente coronel Márcio Cabral, também está no local.

A administrador do presídio Santa Augusta, Jovino Zanelatto, deixou a instituição por volta das 16h20min. O veículo no qual ele estava foi chutado pelas pessoas que estão em frente aos portões da unidade prisional. Pedras e até uma bicicleta também foram jogadas em cima do automóvel. Mulheres com bebês de colo e crianças ainda pequenas também estão no meio da confusão. Nos portões é possível ver as marcas causadas pelas pedras que foram atiradas contra eles. O vidro de um mural de informações que fica próximo da guarita foi quebrado e os estilhaços estão pelo chão.

As visitas de sábado e domingo estão liberadas. Uma das galerias, possivelmente a D, foi quebrada e bastante danificada durante a rebelião. As galerias E e G também foram depredadas. Agora, a administração está preocupada com a situação de depredação no interior do presídio. As informações são de que não houve danos na ala feminina. Os representantes da OAB conversam com os presos a respeito de algumas reivindicações e negociações.

Uma comissão formada por mães de detentos das galerias A, C, D, E e G, além da ala feminina, entrou no presídio para conversar com a administração. A Polícia Militar e representantes da OAB também participaram desta reunião. A juíza Tânia Luz negocia com os detentos da ala D sobre a volta deles para a galeria e possíveis transferências. Somente as reivindicações emergenciais serão atendidas por enquanto. Os demais pedidos listados pelos presos estão sendo avaliados pelo Ministério Público.

Em conversa com os presos, o advogado criminal Jefferson Monteiro apurou que o estopim para a rebelião foi um atendimento de saúde negado. Os reclusos exigem a garantia de que não haverá represália por parte dos agentes penitenciários. A informação é que que, caso seja preciso transferir algum detento, isso será feito.

Com informações de Ana Paula Cardoso e Vanessa Amando, do Portal Engeplus

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