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Comemoração

Dia dos professores: cinco gerações unidas pela educação

Família de Criciúma conta com cinco gerações de professoras

Por Rafaela Custódio

5 min de leitura

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Foto: Thiago Hockmüller / Portal Engeplus

Ser professor é ter uma profissão que vai além dos horários de trabalho. É estar atento a todos os alunos e conhecer diversas gerações dentro de uma sala de aula. É terminar o expediente e continuar trabalhando em casa, sendo preparando aulas, corrigindo provas ou até mesmo estudando.

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Professores são as pessoas que ensinam conteúdos de português, matemática, geografia, história, mas também educam diversos estudantes. Eles passam valores e ajudam os pais e responsáveis a construir um ser humano melhor para o dia a dia.

Em Criciúma, uma família é inteiramente dedicada a educação. São cinco gerações dentro das salas de aula. A história começou em 1922, com Custódia Cardoso de Oliveira. Ela foi uma das fundadoras da escola Padre Miguel Giacca, no Distrito de Rio Maina. A professora Custódia começou a alfabetizar e ensinar a língua portuguesa aos filhos de imigrantes italianos em sua própria casa. Atualmente, a escola conta com mais de 1.200 estudantes.


Família com a história e fotos de Custódia Cardoso de Oliveira

O amor pela educação na família não ficou apenas com Custódia. A segunda geração iniciou com Doraci Pereira Vieira e ela também começou a trabalhar em salas de aula. Ambas já faleceram, mas a história não terminou com elas e está muito longe do fim, isto porque mais três gerações da família são formadas por professoras.

A terceira geração foi com Marta Vieira. Ela atuou durante 35 anos como professora do Ensino Fundamental e diretora da escola Dr. José De Patta, no bairro Colonial, em Criciúma. Marta relata que mais de mil alunos passaram por ela nos 35 anos de carreira. “Sempre busquei ajudar todos os alunos que passaram por mim. Sempre acreditei no ser humano e na educação. Tentei dar o meu melhor em todos esses anos de carreira. Hoje é com a minha filha e as netas que atuam nas salas de aula”, conta.

“Sou negra, fui professora e diretora. Durante muitos anos tive que comandar uma escola, você sabe o que é isso? Isso quer dizer que tive que matar um leão por dia. Imagina ser negra e diretora de uma escola há 15 anos? Imaginou? Então...”
Marta Vieira
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A professora Marta teve que se aposentar, mas a educação na família não. Nascia então a quarta geração de professores com Janaína Vieira dos Santos. Ela atualmente é diretora da Escola Municipal de Ensino Infantil Fundamental Professora Elza Sampaio dos Reis (EMEIEF). Janaína atua na educação há 27 anos.


Janaína Vieira dos Santos | Foto: Thiago Hockmüller

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“Iniciei como professora por vocação. É algo que corre em nossas veias, não tem explicação. São 27 anos atuando nesta área, não são 27 dias ou 27 semanas. Nesses anos que trabalho já reformei escolas, já voltei para casa chorando, já conheci histórias que nunca imaginei conhecer. Evoluí como ser humano e como profissional. Hoje, sou diretora e saio de casa motivada a dar meu melhor todos os dias”, pontua.

Janaína trabalha com educação infantil e percebe que as crianças estão cada vez mais buscando atenção. “Elas chegam muito cedo nas escolas e muitas passam o dia inteiro conosco. Elas se apegam aos professores e profissionais que atuam nas escolas. Imagina que ela chega em casa cansada e que os pais trabalham o dia inteiro e também estão cansados, quem dá atenção para elas, brinca ou conversa? Pois é, não podemos generalizar, mas é algo que, sim, nós também damos educação além dos ensinamentos normais das salas de aula”, declara.

“As pessoas atualmente estão preocupadas em ter e não em ser. Posso garantir que isso faz mal a qualquer família”.
Marta Vieira
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Para Janaína, os professores fazem também o papel de pais e responsáveis. “Muitas crianças ficam conosco mais de oito horas. Vejo as crianças chegando na escola perto das 7 horas e saindo às 18 horas. Elas passam o dia inteiro conosco e, obviamente, nós também conversamos e ensinamos valores da vida”, comenta.

Janaína está quase se aposentando, mas a educação continuará na família. A quinta geração conta com as filhas dela, as gêmeas Ana Carolina dos Santos Bernardo e Cristine dos Santos Bernardo, ambas de 23 anos. Assim como as gerações anteriores, as jovens também trabalham com educação infantil. Elas estão lecionando há seis anos, entre estágio e efetivas. “Escolheria a educação outras mil vezes se possível. É um caminho que tenho que percorrer assim como minha mãe, minha vó e outras gerações. Meu pai também é professor, então, não poderíamos fugir dessa profissão”, explica Ana.

As irmãs realizaram curso técnico de comércio, mas se identificaram com a educação infantil. “O nosso estágio também foi com a educação infantil. Hoje, nós ensinamos aos pequenos os bons valores e buscamos explicar as coisas boas”, relata Cristine.

“Temos em nossas mãos diversas vidas e temos a responsabilidade de ajudá-las a se desenvolverem e serem melhores todos os dias. Trabalhamos com crianças pequenas, mas isso faz que possamos ensiná-las o melhor e caminho correto”, finaliza Ana. Confira as fotos da família.

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