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Difusora: hoje

Difusora: hoje ela completaria 50 anos

Por Redação Engeplus

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Foto: Fotos: Acervo Kátia Broleis/Ulicínio Goulart‏‏/Hilda Trevisol

A mais popular emissora dos anos 60 e 70, a Rádio Difusora, de Criciúma, completaria nesta segunda-feira 50 anos de idade, se ainda estivesse no ar. Conhecida como a emissora do trabalhador, a Difa, como era carinhosamente chamada pelos ouvintes, foi celeiro de grandes profissionais e programas líderes de audiência. Em meio à efervescência política da década de 60, a Difusora foi oficialmente fundada em 13 de agosto de 1962.

Os idealistas da emissora criciumense foram Doutel de Andrade e Addo Vânio de Aquino Faraco. Depois de uma década e meia no cenário radiofônico de Criciúma, em 1977, pouco tempo depois de um incêndio ter destruído os estúdios da emissora, a Rádio Difusora foi fechada pelo Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel). O incêndio consumiu as instalações da Difa no mesmo dia em que completava seu décimo quinto aniversário, no dia 13 de agosto de 1977.

O primeiro estúdio da emissora foi montado na Rua João Pessoa, em Criciúma. Com cerca de cinco metros quadrados a emissora dispunha de pouco espaço físico e poucos recursos financeiros. Conforme a diretora da emissora por sete anos, Hilda Trevisol, a Difusora começou de forma rudimentar, os equipamentos eram limitados, a emissora contava com apenas uma mesa de som em uma sala apertada. “Cheguei lá e tivemos que organizar tudo, discos, mesa de som nos deu muito trabalho. Mas conseguimos com a ajuda daquele pessoal que era muito entusiasta, todo pessoal que chegava na emissora ajudava de alguma forma”, lembra Hilda.

Já em 1964, com o estúdio montado na Rua Ruy Barbosa, na area central de Criciúma, onde hoje é a relojoaria Vitoretti, a Difusora passou por um dos momentos mais delicados de sua trajetória. Poucos dias depois do levante de 31 de março de 1964, da Ditadura Militar, a emissora do trabalhador teve sua voz calada pela repressão. A Difa fazia oposição ao governo vigente na época e tinha sua programação controlada pelos militares. Tudo o que era colocado no ar, passava pela censura, inclusive as músicas. Mas após o comentário de radialista Gil Correa, que fazia duras críticas ao governo, a emissora foi lacrada pelos militares. O operador Ulicínio Goulart, que estava no momento em que a emissora foi fechada não esquece o ocorrido. “Um militar subiu com uma metralhadora e disse: fecha tudo. E realmente fechamos. O militar passou a chave na porta foi embora e não pudemos mais abrir a emissora. Neste momento, cinco profissionais trabalhavam no estúdio”, recorda o operador.

Mas a Difusora não ficou fechada por muito tempo. No dia 1º de janeiro de 1965, a emissora do trabalhador reabriu suas portas. Em um novo local e com novos profissionais. De volta às atividades, a emissora passou a funcionar nos altos da Galeria Benjamin Bristot, na Praça Nereu Ramos, ao lado da Catedral São José, onde ficou até seus últimos dias. Neste período passaram a integrar a equipe da Difusora Laênio Ghisi, Archimedes Naspolini Filho, Valdir Porto Correia, Licio Silva, Ézio Lima, Paulo de Lima, entre outros profissionais.

O período pós-revolução foi a época de ouro da Difusora, entre os anos 65 e 66. A emissora foi crescendo e melhorando a programação. “Os programas esportivos tinham que ser igual ou melhor do que os da nossa concorrente. Trazia locutores de fora para que a nossa programação se destacasse e para isso fomos várias vezes comunicado que a audiência da nossa rádio estava melhor que a outra”, conta Hilda Trevisol.

A Difusora se destacou por sua popularidade porque fazia rádio para o povo e atingia a população mais carente, aqueles que trabalhavam nas carboníferas. Era uma rádio voltada ao trabalhador, tinha uma linguagem que chegava bem aos ouvidos dos mineiros.

Segundo Archimedes Naspolini Filho, um dos funcionários e diretores da emissora, o melhor ponto da referência para saber a audiência era ir até os taxistas e aos postos de gasolina. “Ia aos postos e perguntava para o frentista: quando alguém para aqui ele está ouvindo o que? Eu não ouvia uma resposta que não fosse Difusora”, garante Archimedes.

Assim era composta a Difa, que durante mais de 15 anos esteve no cotidiano dos criciumenses, mas que foi fechada por causa de por causa de irregularidades. No dia 13 de agosto de 1977, no dia do aniverário de 15 anos da Difusora, um incêndio destruíu todo estúdio da então emissora mais popular de Criciúma. Assim a emissora precisou ser transferida de local. A Difusora migrou para o calçadão da Praça Nereu Ramos, no segundo andar do edifício onde hoje fica a loja A Triunfante. Mesmo com o recomeço, pouco tempo depois o Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel) lacrou os transmissores da Difusora. Com algumas irregularidades de posse e instalação os militares retiraram o cristal da torre de transmissão. Retirar o cristal da torre é o mesmo que retirar o coração de uma pessoa. A partir deste momento, nunca ninguém mais ouviu as transmissões da Difusora, em Criciúma.

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