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Economia de Criciúma: à espera de um choque de gestão

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

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Ademar José Fabre *

À primeira vista, soa paradoxal falar-se em reativação econômica do município, no momento em que alguns setores ostentam sinais de expansão, como é o caso da construção civil, do comércio em geral e da maioria dos serviços.

No entanto, em que pesem esses indicadores positivos de crescimento, os números do movimento econômico (Valor Adicionado Fiscal) e de retorno do ICMS, há pouco divulgados pela Secretaria Estadual da Fazenda, exibem a queda do município para o último lugar no grupo dos 10 mais, com o menor índice de retorno dos últimos 20 anos (1,78238).

Significa que Criciúma passa a contar em 2011 com apenas 1,78% do bolo do ICMS do Estado, percentual que era de 3,15% em 1990.
E o mais grave de tudo, o valor do VAF de 2.009, de R$ 1,665 bilhão é R$ 6,8 milhões menor que o de 2.008, atestando em números a estagnação econômica do município, o que causa preocupação, diante do crescimento econômico da maioria dos seus pares componentes do grupo dos 10 maiores.

Uma das causas desse retraimento do VAF municipal é, sem dúvida, como levantou o relatório preliminar do Diagnóstico de Criciúma, em 2.009, o inexpressivo desempenho do setor industrial.

Diferentemente dos anos 70 / 80 do século passado, quando a cidade vivia uma atmosfera industrial, com o setor secundário em franca expansão, hoje se assiste a um clima de estagnação, sem que se percebam ações para o revigoramento desse segmento tão importante para a economia municipal.

Conforme aquele diagnóstico, a perda de dinamismo do setor secundário de Criciúma, nos últimos anos, coincide com o fim da fase áurea dos setores carvão e cerâmica, tidos como carros-chefe na condução do crescimento industrial nas duas décadas mencionadas.

Ou seja, o grande crescimento industrial do município estava atrelado aos excedentes econômicos gerados local/regionalmente e o município, salvo raras exceções, não tem mais atraído investimentos de fora para seu parque industrial.

Entre as causas para tal, estaria a falta de localização privilegiada, em termos nacionais, em face do grande mercado do sudeste brasileiro e, também, nossa posição de inferioridade em relação ao litoral norte do estado, melhor servido de infra-estrutura.

Em termos locais, o município sofre as já conhecidas restrições espaciais, como escassez de terrenos (já urbanizados/habitados), áreas degradadas e subsolo minerado.

Afora isso, as economias externas e de aglomeração, construídas em torno do pólo de Criciúma, constituem vantagens locacionais regionalizadas, tornando os municípios vizinhos concorrentes na atração de investimentos, a par de melhor disponibilidade de terrenos a oferecer aos investidores de fora e mesmo a empresários locais.

Além do mais, a cidade sofre as conseqüências das chamadas deseconomias de aglomeração, representadas pela falta de mobilidade urbana ( traçado da cidade, ruas estreitas, congestionamento do trânsito), gerando demora e estresse nos deslocamentos, além de fatores outros como marginalidade social, violência urbana, sindicalismo exacerbado e restrições ambientais.

Afora os problemas apontados, o município carece de uma legislação moderna de incentivos econômico-fiscais e não consegue terminar seu plano diretor, de fundamental importância para definir espaços destinados a empreendimentos industriais.

Diante do que se coloca, não é exagerado afirmar-se que o fantasma da desindustrialização ronda o município, pois não se vê no horizonte próximo perspectivas de novas conjunturas favoráveis que possam alterar substancialmente o quadro que ora se apresenta.

Em face do exposto, cabe à administração pública, em sintonia com o empresariado, ações fortes e decisivas no sentido de readequar a máquina pública para obter a reativação do setor industrial, que é o carro-chefe na composição do movimento econômico a ser potencializado. Para reverter esse quadro negativo urge, pois, um choque de gestão por parte do governo municipal.

* Economista / Mestre em Desenvolvimento Regional e Urbano / E-mail: ajfabre@gmail.com

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