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Ecstasy: universitár

Ecstasy: universitário revela arrependimento

Por Redação Engeplus

5 min de leitura

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Calouro de engenharia civil na Unisul de Tubarão, N.L.F.J., passou nesta tarde pela segunda acareação na Central de Polícia de Criciúma. Desta vez, ficou frente a frente com A.C., 26 anos, considerado o maior traficante de drogas sintéticas no Sul do Estado. Enquanto esperava para voltar ao Presídio Santa Augusta, N. aceitou conversar com o Portal Engeplus.

Durante quase meia hora, o universitário preso pela polícia com 284 comprimidos de ecstasy no último dia 16, em Criciúma, falou das festas eletrônicas, do consumo exagerado de drogas pelos jovens e do sofrimento vivido pelos familiares dos usuários.

Sempre acompanhado da advogada, da mãe e da namorada, ele mandou o recado para os freqüentadores da noite. “Pelo sofrimento que hoje vejo em minha mãe e o arrependimento por estar nesta situação, destaco que não há necessidade de se drogar para curtir uma festa”, disse. Residente no interior de Laguna, ele divide há 18 dias cela com outros seis presos, entre eles detidos por tentativa de homicídio.

Para o delegado Airton Ferreira, a acareação de hoje só confirma o morador de Morro da Fumaça - A.C. - como maior distribuidor de drogas sintéticas no Sul. E ele avisa. “Os pais devem ficar atentos, pois além do ecstasy, o LSD também é consumido na noite criciumense.”

Amanhã, será a vez do casal preso em Florianópolis no dia 28 prestar depoimento. Confira a entrevista!

Engeplus - Aos 22 anos, você é calouro de Engenharia Civil da Unisul de Tubarão?
N. – Freqüento a primeira fase. Mas já cursei Direito por dois semestres e também Publicidade.

Engeplus - E foi a partir da faculdade que você teve contato com as drogas sintéticas?
N. - Não sei te dizer. Cursei Direito, passei para Publicidade e decidi trancar o curso para ir morar nos Estados Unidos por dois anos. Cheguei em março do ano passado e decidi cursar Engenharia. Então comecei a sair e fazer amigos na noite.

Engeplus - Você foi estudar nos Estados Unidos?
N. - Não. Morei em Boston, com meu irmão, e trabalhei como carpinteiro.

Engeplus - Quando usou ecstasy pela primeira vez?
N. - Não faz muito tempo. Foi assim que retornei ao Brasil. Queria me soltar nas festas, dançar sem parar.

Engeplus - Foi em uma festa eletrônica?
N. - Sim. Com a minha volta, notei que mudaram os tipos de festa na região. Aumentou muito o consumo de ecstasy, principalmente nas baladas de Criciúma e não só em casas noturnas. Em festas de sítios também rola muito.

Engeplus - É consumido no banheiro, escondido, ou pista de dança?
N. - Está tão comum que vai até na pista de dança. Tem gente que chega a consumir até 12 "balas" por noite. Ninguém pára de dançar.

Engeplus - Qual sua relação com os outros presos pelo tráfico de ecstasy?
N. - Prefiro não comentar. Mas sempre gostei de festas e esse tipo de amizade a gente faz na noite, em baladas. Começamos como usuário até virarmos fornecedores.

Engeplus - E quando você virou fornecedor?
N. - Foi a primeira vez que ia tentar fornecer a droga quando a polícia me pegou em Criciúma. Nunca tinha feito isso. Encomendaram e vim trazer. Fui pego quando chegava na casa da minha namorada.

Engeplus - Qual o valor do comprimido de ecstasy em baladas?
N. – Entre R$ 30 e R$ 45.

Engeplus - Você divide a cela com quantos presos?
N. - Estamos em seis no setor de triagem. Ninguém ainda foi condenado.

Engeplus - O que faz para passar o tempo?
N. - Leio a Bíblia e trabalho na confecção de grampos.

Engeplus - Qual sua religião. Já tinha lido a Bíblia antes?
N. - Não. Comecei a ler agora. Sou católico.

Engeplus - A comida do presídio é boa?
N. - Sim. Não deixo sobrar nada. Pela manhã vem uma caneca de café e dois pães. Tem ainda o almoço e janta e com as “estalecas” que ganhamos na confecção dos grampos de roupas dá para comprar outras coisas, como bolachas e produtos de higiene no mercadinho local.

Engeplus - Estalecas? Isso não é uma espécie de moedas utilizadas no BBB, da Globo?
N. - Sim. Quando entrei no presídio até brincaram que vinha mais um para ajudar a ganhar estalecas no Big Brother Santa Augusta. É nossa moeda de trabalho. A cada 250 grampos ganhamos R$ 3,50, sem contar que a cada três dias de trabalho é descontado um dia na condenação.

Engeplus - Quantas vezes você viu sua mãe após a prisão?
N. - Esta é a segunda vez. Estou muito arrependido e envergonhado de tudo que fiz. Sempre quando ia sair para festas ela pedia para me cuidar. Perdi as contas de quantas vezes a ouvi dizendo para não beber nem usar drogas. Sei o quanto ela está sofrendo por isso, ainda mais por ser o caçula.

Engeplus - E seu pai?
N. - Meu pai morreu de câncer em fevereiro deste ano. Agora estou preso. Minha mãe não merecia passar por tudo isso.

Engeplus - Que recado você deixa para os jovens que estão no mesmo caminho que o seu?
N. - Não há necessidade de usar drogas para curtir uma festa. O estrago é irreparável pela dor que causamos nos pais. Eu não cheguei a ser fornecedor de drogas e agora pago por isso. Temos tudo em casa, ganhamos tudo dos pais. Eles não merecem esse tipo de agradecimento.

Engeplus - O que pretende fazer quando sair da prisão?
N. - Ser um orgulho para minha mãe.

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