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Ele venceu a luta contra as drogas

Por Redação Engeplus

3 min de leitura

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Foto: Guilherme Hahn / Jornal da Manhã / Arquivo

Ernani Soratto era um adolescente no início dos anos 80. No colégio, conheceu a maconha. Não demorou, provou cocaína. O que parecia uma breve experiência da juventude, surgia para virar um tormento. A ida para Florianópolis, cursar faculdade de Administração, foi o prato cheio. “Lá, conheci uma menina. Ficamos dependentes”. A vida era tranqüila. “Eu morava na Beira Mar, tinha carro, dinheiro. E acesso fácil à droga”. Uma overdose da namorada a fez deixa-lo, e rumar para a Itália. Não demorou, ele tomou o mesmo caminho. Nova vida? Que nada.

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A recaída rumo à ruína

Empenhado em casar com a parceira, ele voltou para Criciúma. Ganhou a esperada acolhida dos pais. A um mês de subir ao altar, uma recaída fulminante. “Ganhei um bom dinheiro vendendo carros. Resolvi então sair sem destino pelo mundo”. Nessa fuga, muita droga, sexo fácil com quaisquer mulheres, festas sem fim, e o fim do sonho da noiva. Abandonada, e perdendo o noivo para a cocaína.

Corria 1994. Passava a fissura do fugitivo, o dinheiro acabou. Era preciso mais. “Daí, o fundo do poço”, confessa. Ele bateu à porta dos pais. A mãe, sem vê-lo havia semanas, foragido do próprio casamento, prontamente atendeu. “Saí de mim. Calcei minha mãe no chão, com uma faca no pescoço. Queria mais dinheiro para a droga. Meu pai chamou a polícia. Me algemaram dentro de casa”.

Ernani partia então para o segundo tratamento contra as drogas. Frequentou clínicas caríssimas, de alto padrão. Fugiu de uma delas, e virou traficante em Florianópolis. “Conheci o crack quando ele nem tinha esse nome, faz mais de vinte anos”. Entre idas e vindas, em um dos momentos de lucidez, conheceu o Desafio Jovem. “Me internei com papelotes no meio dos dedos. Passei a noite cheirando lá dentro. Abandonei no segundo dia”. Daí, o viciado fugiu de novo. Buscava um sonho diferente de recuperação “plantando batatas em São Joaquim”. Não deu certo. Voltou esfomeado, descalço, humilhado, fracassado, fulminado pela droga e, desta vez, disposto ao recomeço. “Ou era morte por overdose, ou no tráfico”. Como tantos, vendeu o que pôde para sustentar o vício. “Tu vai para casa agora comigo”, sentenciou o pai. “É tua última chance”, disse, exausto do filho embrenhado nas sombras do vício. Funcionou.

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“Aprendi o sentido do perdão”

Foi com 29 anos que Ernani adentrou o Desafio Jovem pela segunda e definitiva vez. Foram nove meses como interno, e um ano como voluntário. “Ganhava uns trocados lá, e com eles comprei uma aliança”. Sim, reconstruído, conheceu a mulher com quem casou em 1999. Hoje, ela é mãe dos seus dois filhos, de 16 e 17 anos.

Abriu uma livraria evangélica faz 15 anos. “Era um ambiente com bar, pizzaria, e a livraria. Todas as comunidades evangélicas se encontravam lá”, conta. Luterano, hoje Ernani virou um pregador da virada. Atualmente, distante de qualquer droga faz 19 anos, prefere manusear os livros da sua loja, na rua Dom Joaquim, no Centro. Reconciliado com a vida, com a família, voltou a nutrir o prazer de ter amigos. “Quando viciado, não os tinha mais. Eles desviavam de mim na rua. E com razão”, conclui.

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