Série Engeplus
Eliete e Ademir: uma história de superação
Casal perdeu um dos filhos há 14 anos
Por Redação Engeplus
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Eliete e Ademir são casados há 29 anos, tiveram dois filhos – Anderson e Andrieli – e atualmente moram no bairro Cristo Redentor, em Criciúma. A história do casal começou em janeiro de 1989, quando se conheceram em uma festa, num sábado à noite. Desde então estão juntos.
Dias depois de se encontrarem pela primeira vez, Ademir foi até a família de Eliete e pediu para sua mãe para poder namorar com ela. O pedido foi aceito e então o casal iniciou os planos para construir suas vidas juntos.
Durante os próximos dias, o Portal Engeplus trabalha em uma série de reportagens sobre o Dia dos Namorados, trazendo histórias de casais. Nesse sábado, dia 9, falaremos sobre João e Marina.
“O pedido de namoro era tradicional, era obrigatório. Cumpri todas as regras que me cabiam naquele momento. Nós namorávamos nas quartas-feiras, sábados e domingos. Tínhamos horários para cumprir, mas tudo valeu a pena”, comentou Ademir.
Em outubro de 1989, eles foram morar com a família de Eliete. Foi então que Ademir trocou sua motocicleta por um sofá, uma geladeira e um fogão. “Não tínhamos nada, nada mesmo. Mas queríamos construir algo juntos, então eu troquei pelos móveis e deixei guardado para nossa casa”, explicou.
No ano seguinte, Eliete e Ademir casaram no civil e ela engravidou. “Tudo foi planejado: casamento e gravidez, mas acabei perdendo o bebê”, lamentou Eliete.

O casal começou a construir sua primeira casa também em 1990, atrás da morada da mãe de Eliete, no bairro Nossa Senhora da Salete, em Criciúma. A residência foi construída pelo próprio Ademir. “Nunca tinha construído uma casa. Fui perguntando, questionando pessoas que sabiam e, com muita vontade, terminei”, lembrou.
Com a casa pronta e um novo terreno comprado, mas no bairro Cristo Redentor, o casal novamente engravidou, então, tiveram o Anderson. “Já com o Anderson, nós compramos uma casa e botamos no terreno que havíamos comprado. Vendemos a casa em que morávamos e trocamos de bairro. Nessa casa moramos sete anos”, relembrou Ademir.
O primeiro filho ia completar nove anos, quando Eliete e Ademir tiveram mais um filho, dessa vez uma menina que se chamaria Andrieli. “O cuidado do Anderson com a irmã mais nova era incrível. A relação deles era linda, um cuidava do outro era admirável”, contou Eliete.
Tragédia
Em janeiro de 2004, o filho mais velho sofreu um acidente de motocicleta. Ele estava com o tio – irmão de Eliete – quando colidiram em uma caminhonete. “Era um dia de sol, eles foram pescar, mas não voltaram”, lamentou Eliete.
A família precisou de coragem e, principalmente, muito amor para continuar unida. “Além do meu filho, perdi meu irmão. Não conseguia mais voltar embora, nada mais fazia sentido. Não conseguia aceitar que isso estava acontecendo conosco, era inacreditável. Ambos eram tão cheios de vida”, lembrou Eliete.

Eliete e Andrieli precisaram de acompanhamento psicológico. “Foi um momento muito difícil, nós começamos a ir a psicólogos para podermos continuar vivendo. Lembro que diversas vezes o Ademir levantou durante a madrugada e estava no quarto do Anderson, olhando as roupas e os objetos que ele deixou”, descreveu Eliete.
Recomeço
“Eu não podia mostrar que estava abalado, porque isso afetaria minha mulher e a minha filha. Naquele momento, precisei ser o mais forte possível, mesmo no momento mais difícil”, explicou Ademir.
Eliete voltou a estudar e terminou o ensino médio. Ela contou que foi nos estudos que confortou seu coração. “Me joguei de cabeça nos estudou. Comecei a escrever poesias sobre a história do meu filho e isso me ajudou muito, me confortou, me acalmou e, principalmente, me aliviou por muitas vezes”, comentou.
“Notamos que precisávamos viver. Nós tínhamos a Andrieli e ela precisava de nossa atenção”, ressaltou Ademir.
Tempo
“O tempo não levou a saudade e o amor que sentimos pelo nosso filho. Mas nos reconstruímos, seguimos, lutamos e continuamos vivendo dia após dia ao lado de nossa filha”, afirmou Eliete.

“Conhecemos vários casais que perderam familiares e o casamento não resistiu, pois é um momento difícil. Nada mais fez sentido. A união não é mais a mesma, mas nós sempre fomos à igreja, confiamos em Deus e, por isso, estamos juntos hoje”, comentou Ademir.
Casal
São 29 anos juntos. Nesse período, o casal conquistou sabedoria, experiência e dois filhos. “Somos gratos por tudo que temos hoje. Nunca desistimos e não vamos jamais. Tudo foi muito difícil, desde a primeira casa, até a morte do nosso filho, mas seguimos unidos e, se Deus quiser, seguiremos assim”, estimou Eliete.
Ademir comentou que construir uma vida ao lado de outra pessoa não é fácil. “Todos possuem diferenças, nós também. É preciso se adaptar um ao outro. É preciso ter respeito, união, amor e principalmente adaptação”, relatou.
O casal contou que se privou de muita coisa para adquirem seus bens. “Nada cai do céu, é preciso reavaliar os pontos para conseguir possuir algo, o casal precisa agir junto, caminhar lado a lado”, afirmou Ademir.
Futuro
Juntos há 29 anos, o casal afirma que o maior desejo é ver o crescimento da filha. “Queremos ver nossa filha bem. Que ela possa casar, ter filhos e que construa uma família linda. Com certeza é nosso maior desejo como casal”, revelou Eliete.

“Vamos seguir juntos, caminhando um ao lado do outro. Vamos aproveitar a vida. Não temos muito para pedir”, finalizou Ademir.




