Emigrante está
Emigrante está comprando menos
Por Redação Engeplus
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A queda nas cotações do dólar e o aumento no custo de vida dos Estados Unidos está reduzindo o fluxo de dólares que os aproximadamente 20 mil criciumenses que, estima-se, vivem no exterior, mandam para o Sul de Santa Catarina. Além disso, os emigrantes que ainda mandam dinheiro para o Brasil estão se tornando mais seletivos nos investimentos e começam a diversificar o destino de seus recursos em busca de maior rentabilidade.
Segundo Olvacir Fontana, presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil de Criciúma e Região (Sinduscon), o investimento dos emigrantes na aquisição de imóveis foi 20% menor no comparativo de 2004 e 2005. "A desvalorização do dólar afetou o setor. As pessoas que moram no exterior estão comprando menos e encontrando dificuldades para pagar as prestações.
Estão renegociando, devolvendo. O poder aquisitivo deles caiu pela metade", afirma Fontana. Segundo ele, os investimentos em imóveis pelos imigrantes vem caindo há dois anos, devido ao câmbio desfavorável e à inflação. O setor só não sentiu tanto a redução dos investimentos, porque as vendas para pessoas da região tiveram um acréscimo.
A previsão do setor, segundo Fontana, é de que o dólar não aumente muito em 2006. "Acreditamos que o dólar irá se estabilizar e os juros cairão. Com isso, o setor crescerá, impulsionado mais pelo mercado interno", afirma.
Um dos principais vilões é, sem dúvida, o câmbio. Mais acentuadamente desde o começo do ano passado, o dólar vem acumulando quedas que, em termos de câmbio real, põe a sua cotação muito próxima daquela que se manteve durante os quatro primeiros anos do plano real, quando R$ 1 praticamente comprava US$ 1 - essa paridade está novamente muito próxima hoje, descontada a inflação no dólar e no real acumuladas desde 1998. Mas há ainda outras razões.
André Álvaro de Abreu, 33 anos, que leciona inglês para brasileiros em Boston e está há quatro anos nos Estados Unidos, acrescenta que o foco de investimentos dos criciumenses mudou e agora Florianópolis é o novo destino dos dólares. "Se você tem um apartamento em Criciúma, não consegue trocar por um em Florianópolis, mesmo que os valores sejam próximos. Em Florianópolis os aluguéis são mais altos e o imó- vel não fica parado", afirma Abreu. Segundo ele, os corretores de imóveis que vendem apartamentos para criciumenses estão sentindo dificuldades em fechar novas compras. "O dólar caiu demais e o custo de vida nos Estados Unidos aumentou muito", diz. Abreu afirma que as empresas aumentaram as exigências para contratarem imigrantes e, além disso, o preço da gasolina subiu demasiadamente desde 2001. Quatro litros de gasolina, que custavam US$ 1,33 passaram a valer US$ 2,35, em média.
Os brasileiros também estariam investindo nos Estados Unidos. Segundo ele, até a pouco tempo, houve um "boom" no setor imobiliário, quando "todos queriam comprar casa para valorizar o dinheiro". Abreu diz que investir em imóveis nos Estados Unidos era muito vantajoso. "Quem veio pra ficar sempre compra casa. São financiamentos de 30 anos aqui, mas em três anos, em média, o proprietário pode vender a casa que comprou e obter algum lucro", afirma.
Para outro criciumense que vive em Massachusetts há 13 anos, falta sabedoria aos brasileiros na hora de investir. Adelço Goularte, 35 anos, que trabalha com comunicação nos Estados Unidos, acredita que o desejo da casa própria é algo muito presente nas pessoas. "É um tipo de investimento que nunca vai acabar. Mas o povo brasileiro tem que se educar mais quanto a investimentos.
Precisamos criar mais empresas no país e comprar os imóveis com os dinheiro gerado no Brasil", afirma. Goularte concorda que a queda do dólar atrapa- lhou muito os investimentos na 'pátria mãe gentil'.
Mas a redução de investimentos na construção civil também afetou o comércio de Criciúma. Renato Carvalho, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Criciúma (CDL), afirma que a situação gera diminuição também nas vendas das lojas. "Todo o ciclo produtivo é afetado". Com menos investimentos, Carvalho afirma que o setor da construção civil acaba demitindo pessoal, o que significa menos pessoas comprando. Os lojistas acreditam que a redução dos investimentos em imóveis, diretamente ligada a desvalorização do dólar, e as demissões em vários setores da economia, podem ter reduzido até 16% as vendas.
Até mesmo as vendas de roupas de cama são prejudicadas com a redução dos investimentos. "Quem está no exterior manda dinheiro para os parentes comprarem móveis, roupas de cama e tudo o mais para arrumarem os apartamentos", diz.
Milena Nandi da Redação



