Epagri apresenta
Epagri apresenta relatório ao Estado sobre as consequências da estiagem no Sul
Por Redação Engeplus
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A precipitação na região da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc), da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec) e da Associação dos Municípios da Região Lagunar (Amurel) tem sido irregular em 2012. Um documento que apresenta o cenário da região Sul do Estado foi elaborado pela Epagri de Urussanga e entregue ao governador do Estado na última semana. No relatório, constam as os danos na agricultura em consequência da falta de chuva. O documento também apresenta os índices de precipitação dos últimos meses.
A falta de chuva acontece desde outubro e novembro de 2011, deficiência que foi suprida pelas chuvas de dezembro de 2011 e janeiro deste ano. Em fevereiro, voltou a chover menos do que o normal, com maior gravidade no extremo-sul da região. Os meses seguintes, de março e abril, foram de pouca chuva, voltando a chover dentro da média histórica em junho e julho.
Em agosto, a precipitação voltou a ser deficiente. Em setembro e outubro, a região teve pouca chuva dentro da média histórica, já novembro a chuva foi abaixo da média. Em consequência desta variação climática, o atual cenário no setor agropecuário é preocupante.
A pouca chuva ocorrida em 2011/2012 ocasionou perdas no setor agropecuário. Abixo, a avaliação da Espagri para as principais culturas da região, segundo o Valor Bruto de Produção (VBP) divulgado pelo Icepa/Epagri. Conforme o climatologista da Epagri, de Urussanga, Márcio Sônego, as consequências devem ser maiores, já que a chuva prevista para os últimos dias não chegou.
Fumo - (VBP = R$ 295.832 mil) - Atividade de maior VBP no Litoral Sul de Santa Catarina, as lavouras de fumo estão em fase de colheita e muitas já foram totalmente colhidas. A pouca precipitação tem sido benéfica para a atividade, melhorando a qualidade da folha colhida. A perda poderá acontecer pela aceleração da maturação das folhas na lavoura.
Arroz Irrigado - (VBP = R$ 232.343 mil) - Com o segundo maior VBP no Litoral Sul de Santa Catarina, as lavouras de arroz irrigado estão em fase vegetativa. A estiagem está ameaçando com falta de água para manter as lavouras inundadas, caso não chova nos próximos dias e semanas. Perdas têm sido relatadas pelos agricultores que retiram água do rio Araranguá pelo seu alto grau de salinidade.
Leite - (VBP = R$ 127.045 mil) - Perdas previstas pelo pouco crescimento das pastagens naturais e cultivadas, mesmo no sistema de pastoreio rotativo. Os produtores tiveram perdas ainda no Inverno, quando as pastagens sofreram com a falta de chuva anterior ao Inverno, obrigando os produtores a suprir o rebanho com cana-de-açúcar, que aimenta as despesas.
Ovos - (VBP= R$ 81.854 mil) - Ao tratar-se da avicultura três fatores devem ser pontuados: falta de ração gerada pela crise de grãos, comum à toda Santa Catarina; temperaturas elevadas na primeira semana de dezembro com estresse térmico nos aviários; pouca chuva resultou em falta de água em muitas propriedades rurais, tendo alguns aviários abastecidos com caminhões pipas das prefeituras.
Milho - (VBP= R$ 49.323 mil) - O milho está em diferentes fases de desenvolvimento. Lavouras na fase de florescimento necessitam imediata chuva para evitar perdas de produtividade. Não há lavouras de milho irrigadas na região, mesmo porque não haveria água para tal.
Mandioca - (VBP= R$ 45.517 mil) - Cultura em fase inicial de desenvolvimento. A estiagem neste período tem sido benéfica para a boa brotação das manivas plantadas há pouco mais de dois meses. Entretanto, a continuar a estiagem no mês de dezembro haverá perdas de produtividade, pois a falta de chuva a partir do final de dezembro implicaria em baixo estande de plantas e restrição de acesso aos nutrientes do solo.
Banana - (VBP= R$ 28.558 mil) - Os produtores estão aguardando a chuva para efetuar a adubação de cobertura, cuja prática é indicada a ser feita em intervalos de dois meses. O ano todo foi de pouca chuva e não permitiu a adubação ideal dos bananais. Durante o ano de 2012 a produtividade caiu e a qualidade da fruta também foi menor. Atualmente os bananicultores amargam a queda do preço causada pelo excesso de frutas vindas do Sudeste.
Feijão - (VBP= R$ 8.979 mil) - A época de plantio mais importante é a safrinha de Verão que será plantada em janeiro/fevereiro de 2013.
Batata - (VBP= R$ 6.348 mil) - Assim como o feijão, a estação da batata não é agora.
Maracujá - (VBP= R$ 4.285 mil) - Os pomares de maracujá se concentram nos municípios de Sombrio e Santa Rosa do Sul, em solos de areias quartzozas. Os pomares estão em fase vegetativa e ainda não apresentam perdas pela atual estiagem.
Uva - (VBP= R$ 4.212 mil) - As videiras estão em fase de enchimento dos bagos de uva. A estiagem trás benefícios quanto à melhor sanidade dos pomares. A falta de umidade no solo decorrente da estiagem poderá causar menor peso de cachos, porém, com maior teor de açúcares na uva.
Abastecimento de água - Abastecimento de água em muitas comunidades rurais foi realizado nos meses de março, abril, maio e junho de 2012 e se repetiu em novembro de 2012. Em certos casos falta água até mesmo para a família rural. Nos municípios mais litorâneos e, em especial, nas áreas de solo do tipo areias quartzosas o poder municipal tem auxiliado os produtores com abertura de açudes para fornecer água ao rebanho bovino.
Quanto ao abastecimento urbano, tanto Casan como Samae tem Estado alerta. Os municípios de Criciúma, Siderópolis, Forquilhinha, Morro da Fumaça e Içara têm abastecimento garantido pela Barragem do Rio São Bento, em Siderópolis. Outros municípios ainda não relataram falta de água para abastecimento urbano. De maneira geral, o relatório produzido pela Epagri mostra que a estiagem se agravou no mês de novembro de 2012 e tem tido reflexos diferenciados nas várias microrregiões e atividades agropecuárias do Litoral Sul de Santa Catarina.
Colaboração: Márcio Sônego/Epagri de Urussanga



