Especialista em
Especialista em gente: professor
Por Redação Engeplus
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"Mais um ano, novas comemorações, reflexões sobre a profissão e especialização deste profissional chamado “PROFESSOR”. Nos cursos de especialização que trabalho, sempre faço esta pergunta: qual a especialidade do professor? Na maioria das vezes, os educadores que no momento estão na posição de estudantes respondem: passar o conhecimento, mediar, ensinar... e tantos outros conceitos fundamentados em teorias que orientam a ação pedagógica.
Entretanto, na atividade educativa há mais de 30 anos, esta data me levou a refletir se posso colocar que sou especialista em uma área do conhecimento especifica, sem antes destacar minha especialidade maior que é “GENTE”. O que faço durante um dia de trabalho na escola ou faculdade é mediar “GENTE”, claro que utilizo os conteúdos de uma área especifica para isso, mas antes tenho que trabalhar o conteúdo “GENTE”.
Gente que ri, chora, brinca, pede socorro, me dá alegria, me tira do sério em alguns momentos, gente que passa algumas horas na escola, mas que precisa levar muito deste espaço para transformar sua realidade, não só em conhecimento, mas em vivencias, socializações e especialmente em projetos de vida. Sonhar é acreditar na possibilidade de “vir a ser”. Porém, a realidade apresenta contextos (porque sempre nos atemos aos problemas e acabamos por deixar de lado os sucessos ) que levam a crença de que o olhar dos envolvidos neste processo, professor e estudante, não se encontram, estão em direção opostas.... buscam o que?
Nossos olhares estão na mesma direção, em busca de uma sociedade mais sadia, humana, onde “GENTE” pode ser, e agir como “GENTE”. Às vezes fico muda, porque não consigo entender o que acontece quando assisto na TV cenas como a do Rio de Janeiro onde professores são escorraçados, cenas de pais que atuam em outras profissões e que por um momento esquecem que tiveram um professor que os viu como “GENTE” que deve lutar. Cenas de greves pelo nosso estado que não tem a adesão de todos os profissionais.
Será que a função que ocupamos, transforma o adulto em “GENTE “ sem memória. Difícil responder estas indagações, mas sei que neste tempo todo que estou na escola, e já faz um bocado de tempo, ainda ouço o grito: “Oi prof.?” , nas redes sociais, vejo: “Sora, como vc está”? São frases simples, mas carregadas de orgulho, reverência a um profissional que compartilha saberes, mas especialmente histórias de vida, sonhos e projetos.
Quanto consigo parar, sossegar meu dia a dia com tantas aulas, percebo nossos olhares se cruzando e no fundo o que vejo é a cumplicidade que se dá durante o processo escolar. Esperam aprovação que se dá por meio de um sorriso, às vezes, interrogativas ou desafios que são traduzidos pela cumplicidade, o acolhimento da escola, destes profissionais. Não estou pintando um cenário lúdico, mas uma realidade onde também perpassam problemas, desafios, desânimos...
Em educação, o que conta não é o conteúdo, mas a perspectiva, o modo e a relação. Assisti em uma das escolas pública que trabalho, na sexta feira passada, véspera do dia das crianças, todos os estudantes do Ensino Fundamental receberem um livro em comemoração ao dia das crianças. Sei que isso acontece em muitas escolas, mas quando vi aquelas crianças receberem histórias que podiam ajudá-las a criar novos cenários de vida, me emocionei. Como um pensamento que se transforma em discurso não me contive e falei: eu acredito nisso que vejo, acredito em educação escolar, acredito em nossa ação pedagógica, somos e fizemos a diferença na vida de cada um que passa em nossa vida.
Querido colega, não deixem seus olhos marearem ou seus ouvidos traírem o que você vê e escuta: “Esta é ou foi minha Professora”. Esta frase traduz carinho, orgulho de tê-lo nesta caminhada. Lance esperança, nossa tarefa é semear. Nesta data, em nome de todos os estudantes e são muitos, a imagem é prova disso, quero dizer obrigada a você “MEU QUERIDO PROFESSOR” especialista em “GENTE”, sonhos e projetos".
Prof. Mestre Márcia Elisa Madeira Trevisol
