Concurso da polícia
Espera por chamada unificada gera protestos
Muitos dos concursados estão desempregados até o início das atividades
Por Redação Engeplus
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O governador de Santa Catarina Raimundo Colombo anunciou, no fim de janeiro, uma chamada unificada dos concursados das Polícias Civil e Militar de Santa Catarina. Após diversas alterações, o governo definiu que tanto os aprovados que seriam chamados em março, quanto os que seriam convocados em novembro, serão chamados em 1 de junho deste ano.
Na ocasião, serão chamados 658 soldados da Polícia Militar (PM), 420 agentes da Polícia Civil, 66 delegados, e 150 auxiliares criminalísticos para o Instituto Geral de Perícias (IGP). A justificativa dada pelo governo para a unificação da chamada é que ela respeitará a entrada em vigor do novo Regime Previdenciário, o SCPrev. Além disso, Colombo também destacou que o pagamento dos novos funcionários demandará cerca de R$ 8 milhões por mês dos cofres estaduais.
O anúncio vem gerando protesto de comissões dos aprovados nos concursos nas últimas semanas. Isso porque a primeira chamada, segundo um dos aprovados no concurso da PM, Cristian Alexandre Feltrin, era para ter acontecido em setembro de 2015. Ele relata que, sempre que possível, uma comissão formada pelos concursados que se encontram na mesma situação realizam protestos em eventos de Criciúma e região.
Fetrin explica que uma das exigências do edital é que os aprovados tenham dado baixa na Carteira de Trabalho. “Como muitas pessoas cumpriram o proposto no edital, desde setembro essas pessoas estão desempregadas. Muitos de nós estamos tentando viver prestando serviços em alguns lugares”, diz Feltrin. “Nós queríamos respeitar o edital e não fazer nada de errado, e agora estamos em uma situação complicada”, relata outro dos aprovados para a PM, Rodrigo Silveira da Rosa.
Marcelo Pereira, que também foi aprovado para ser soldado da PM, teve dificuldades em uma entrevista de emprego. “É difícil conseguirmos um novo trabalho agora, porque nenhum empresário vai contratar um funcionário por dois ou três meses, até que a chamada do governo aconteça”, afirma.
O representante do Sindicato dos Policiais Civis de Santa Catarina na região, Arilson Carlos Nazario, afirma que a Polícia Civil tem se tornado cada dia mais "velha e menor". Isso porque muitos dos novos policiais pedem a exoneração de seus cargos nos três primeiros anos em que estão na instituição, por conta das dificuldades na carreira. "Temos um efetivo cada vez menor, e com idade mais avançada, perto da aposentadoria", relata.
Conforme dados apresentados pelo sindicato, em 2015 a corporação registrou, em Santa Catarina, um total de 285 desligamentos. Este número é maior do que o dobro de 2014, em que o total de desligamentos foi de 133. "A Polícia Civil tem um saldo negativo de 191 policiais. O ideal era que os novos aprovados sejam chamados o quanto antes, pois enquanto eles estiverem no curso de formação, e depois trabalhando na Operação Veraneio, outros desligamentos acontecerão. Apenas no próximo ano estes policiais chegarão às cidades designadas para aumentar o efetivo", diz.
Nazário destaca que a falta de efetivo policial, tanto nas ruas quanto na investigação, causa um gargalo que dificulta a execução de procedimentos corretos. "Temos atualmente, por exemplo, uma grande demora na produção de provas de crimes, não por incapacidade da PM ou da Polícia Civil, mas pela defasagem no número de peritos. São poucos peritos para uma demanda enorme", afirma.



