Estamos vivendo num filme de ficção cientifica?
Mãe, por favor, me acorda
Por Jaqueline Backes
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Criciúma, 20 de março de 2020, 21h40, sexta-feira.
A cidade está deserta, todos trancados dentro de suas casas, para fugir de um inimigo invisível.
Inimigo sem rosto, cor, cheiro, sem rastro nenhum que indica que possamos encontrá-lo.
Ele faz o mundo ficar trancado, com suas ruas sem vida, sem carros, sem nada.
As pessoas sentem medo, angústia. Não podemos nos tocar, temos medo um do outro.
Este trecho parece fazer parte de um roteiro de filme de ficção que irá ganhar os cartazes dos cinemas mundiais. Mas não, não é um filme. É verdade, estamos vivendo tudo isso.
Tento não deixar minha angústia vencer meus pensamentos positivos, porque sou positiva.
Sempre tento tirar as melhores lições de tudo que vivo.
Mas que lição é esta, meu Deus? Sem precedentes, sem históricos, sem resposta, sem certeza nenhuma.
Não temos nada a fazer, aliás, o que todos nos pedem, é que não façamos nada. Devemos ficar trancados em casa sem contato com o mundo exterior.
Mas eu preciso de contato, preciso falar com as pessoas, amo estar na rua, sentir o vento bater no meu rosto, o sol lindo aquecer meu dia, mas eu não posso.
Tenho que me proteger de um inimigo que eu nem conheço. Preciso proteger minha família.
Vejo minha filha assistindo desenho na televisão. Ela não tem noção do que estamos passando. Para ela, existe um vírus que fez com que ela não pudesse mais frequentar a escola e ver seus amigos. Mas na inocência de uma criança, não consegue ter a dimensão do que esta vivendo.
Quando estiver maior, ela lembrará vagamente do que passou, e tudo bem...a vida que segue.
Mas onde eu errei, onde nós erramos?
Será que esta situação nos foi posta para que possamos refletir sobre tudo que fazemos diariamente?
Será que somos culpados por isso estar acontecendo, ou foi uma infeliz coincidência?
O mundo parou.
Não tenho respostas e tenho certeza que você também não tem. Temos várias suposições que nos fazem pensar, pensar e pensar.
Estamos parecendo crianças, que os pais trancam no quarto para que pensem sobre o erro que acabaram de cometer.
E estamos trancados nos nossos quartos pensando.
Vamos sair melhores disso tudo?
Por que estamos passando por isso?
Estão tentando nos testar?
Durante o dia tento não ficar pensando muito sobre o assunto...mas não consigo. Meu peito dói, do medo que sinto. Medo do imprevisível. Não gosto de perder o controle, mas todos nós perdemos o controle.
Estamos juntos neste barco, sem a direção correta que devemos navegar.
Mas vamos chegar no destino certo, eu tenho certeza.
Sentada na sacada do meu apartamento, vejo a cidade vazia.
Mãeeeee, me acorda, não quero estar dentro deste filme.



