Solidariedade
‘Estou sem palavras’, diz estudante que arrecadou dinheiro para pagar mensalidade da faculdade
Ele arrecadou em 24 horas mais de R$ 45 mil em uma vaquinha online
Por Rafaela Custódio
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Solidariedade. Essa palavra pode resumir os últimos dias de Marlon Rabello Amancio, de 28 anos. Ele é estudante da 5ª fase do curso de medicina da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) e precisou contar com a ajuda de centenas de pessoas por meio de uma vaquinha online para continuar estudando no próximo semestre.
Natural de Lauro Müller, atualmente ele trabalha no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e cursa medicina há dois anos, porém possuía bolsa universitária pelo Uniedu, que é um programa de bolsas de Santa Catarina implementado pela Secretaria de Educação. Entretanto, o aluno da Unesc acabou perdendo o benefício do Governo do Estado neste ano.
“Em 2020, devido a nova política de concessão de bolsas pelo Governo do Estado, o qual coloca maior porcentagem aos alunos com maior índice de carência, acabei perdendo. Recebo cerca de R$ 2,3 mil por mês e moro sozinho, então, além do curso, tenho que pagar combustível, alimentação, as contas da casa e ficou difícil. Meu pai é aposentado e seu salário é pouco, e minha mãe morreu em 2017, vítima de câncer. Então, ficou bem difícil lidar com as mensalidades”, relata.

Amancio estava devendo para a Unesc R$ 27 mil pelo atraso de suas mensalidades e não poderia continuar estudando em razão da dívida. Ele teve a ideia de lançar uma vaquinha online para tentar arrecadar dinheiro e continuar estudando. Em 24 horas, arrecadou mais de R$ 45 mil.
“Nunca imaginei arrecadar esse dinheiro em meio a uma pandemia. Para falar a verdade, eu não sabia se era correto abrir a vaquinha online porque tantas pessoas estão precisando mais, trabalhadores estão perdendo o emprego, mas ao conversar com meus amigos, acabei fazendo e deu certo”, conta. “O dinheiro não pagará todo o curso, mas vai me ajudar de uma maneira inexplicável. Vou conseguir pagar a dívida e me ajudará no próximo semestre”, completa.
Próximos passos
O estudante de medicina confessou que quer conversar com políticos para buscar uma solução para o Uniedu. “Eles terão que rever essa política do programa, não pode ficar assim. Prejudicou a mim e vários outros acadêmicos e não podemos parar de estudar”, afirma.
“Estudei em escola pública e para entrar na universidade acabei fazendo cursinho durante alguns anos. Cheguei a ir para o Paraguai para entrar na faculdade de medicina de lá, mas como deu certo de a Unesc me chamar porque passei no vestibular, não posso desistir assim. Sempre gostei de cuidar dos meus avós e de saúde, vou continuar e realizar esse sonho”, declara.
O estudante se mostrou surpreso com todo o apoio que está recebendo e agradeceu. “Estou sem palavras para agradecer. Tenho um sentimento de gratidão. Ficaria muito difícil conseguir continuar a faculdade sem esse dinheiro. É um sentimento de gratidão, não cabe no peito”, finaliza.



