Estuprador em série que fez vítimas no Sul de SC é condenado a mais de um século de prisão
Na cadeia
Além da violência sexual, vítimas eram ameaçadas, privadas de liberdade e assaltadas

Em decisão proferida na última quarta-feira, dia 14, o juízo da 1ª Vara Criminal de Araranguá condenou a 106 anos, um mês e 21 dias de prisão em regime fechado um estuprador em série. O réu fez quatro vítimas nos municípios catarinenses de Araranguá e Balneário Arroio do Silva e mais três em Vacaria, no Rio Grande do Sul .
As investigações apontaram que os crimes iniciaram em outubro de 2021, mas a informação chegou ao conhecimento da Polícia Civil em março de 2022, com as primeiras denúncias. Em todos os casos, o investigado agiu da mesma forma. Ele se aproximava das vítimas e marcava encontros. Armado, o homem ameaçava as mulheres, que eram rendidas, privadas de liberdade por horas e violentadas sexualmente. Em seguida, o criminoso roubava dinheiro, celulares e outros pertences delas.
Em um dos casos, o réu estabeleceu contato prévio com uma vítima em Araranguá e a conduziu até uma casa em Balneário Arroio do Silva. No local, a mulher foi amarrada e sofreu violência sexual, permanecendo sob domínio do autor do crime durante toda a noite. Ele roubou bens pessoais e passou a exigir valores em dinheiro, mantendo a vítima em cárcere privado, enquanto conversava com a irmã dela pelo próprio celular da vítima.
Para liberar a mulher, a irmã foi até a casa onde ambos estavam para entregar o dinheiro e também foi ameaçada, roubada e privada de liberdade. As duas só conseguiram fugir em um descuido do estuprador.
Conforme a Polícia Civil, as provas apontaram o uso de substâncias sedativas em parte dos crimes. Dessa forma, as vítimas ficavam em estado de sonolência, confusão mental e causando lapsos de memória, o que ampliou a vulnerabilidade delas e dificultou qualquer reação ou pedido imediato de socorro.
Em todos os casos o réu usou o mesmo carro. Durante os depoimentos as mulheres realizaram descrições físicas semelhantes do suspeito, o que, para os investigadores, comprovam a atuação em série do investigado. Ele foi preso em abril de 2022 em Balneário Arroio do Silva. Com ele foi apreendida a arma de fogo e pertences das vítimas.
A investigação foi feita pela Delegacia de Proteção à Criança, Mulher e Idoso (DPCAMI) de Araranguá. O réu já havia sido condenado por outros crimes quando praticou os estupros. “Casos como este demonstram a importância da denúncia, do investimento na atuação especializada das unidades policiais e da resposta firme do sistema de justiça criminal diante de crimes de extrema gravidade”, destacou a delegada Eliane Chaves, titular da DPCAMI de Araranguá.
Durante a instrução criminal, o Poder Judiciário reconheceu a robustez das provas produzidas, destacando a coerência dos relatos das vítimas, os elementos técnicos colhidos na fase investigativa, os reconhecimentos realizados e os laudos periciais anexados ao processo.
A legislação brasileira estabelece um limite máximo de 40 anos para o cumprimento de penas privativas de liberdade. Penas maiores, porém, são consideradas integralmente no cálculo de benefícios, como a progressão de regime.



