Desapropriação
Eucaliptos e o seu Mazzuchello no caminho da Via Rápida
Por Redação Engeplus
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Seu Mazzuchello já chegou a plantar milhares de pés de fumo nos onze hectares de área que dispunha na Segunda Linha, em Içara. Mas há seis anos, com o avanço das obras da Via Rápida, tudo mudou.
“Fatiaram meu terreno, fiquei agora com dois pedaços separados pela estrada e mal consigo colher umas espigas de milho”, lamenta. O agricultor Alirton Mazzuchello discorda dos valores arbitrados pelo Estado pela desapropriação e sinalizou seu protesto hoje, atravessando alguns eucaliptos na pista, em trecho parcialmente pavimentado.

Para o Estado, já está pago
O secretário de Estado da Infraestrutura, Luiz Fernando Vampiro Cardoso, conhece o caso. “Já pagamos, está judicializado”, informa. De fato o dinheiro encontra-se depositado em uma conta, à disposição do proprietário da terra, mas Mazzuchello indaga. “Eu estive lá nos assessores do governador, haviam prometido acertar tudo em março”, reclama.
“Existem pendências que estamos resolvendo, casos pontuais, e outras que os proprietários já foram indenizados mas não querem deixar que continuemos a obra. Nestes casos, estamos buscando a emissão de posse para tocar o trabalho”, esclarece o secretário Vampiro, lembrando que em dezembro a Via Rápida estará entregue. “Respeitamos o interesse patrimonial e individual, mas ele não está acima do interesse coletivo”, argumenta.

Ele vai tocando a vida
Enquanto isso, Mazzuchello cuida de uma que outra cabeça de gado que tem pastando por ali, colhe o milho que consegue plantar e se vê às voltas com outra dificuldade. “Como repartiram minha área, ficou a pista e um morro aqui, que me isolou mais ainda. E ninguém perguntou se eu queria ou não, simplesmente vieram e fizeram”, comenta o agricultor.

Mazzuchello é quase vizinho do Santuário do Sagrado Coração de Jesus, que será inaugurado no próximo dia 23 em Içara. “Minha casa fica a um quilômetro dali”, situa. “Vou continuar colocando os eucaliptos no meio do caminho e essa obra só vai andar quando resolverem a minha situação”, arremata. “O problema do Estado não é financeiro nestes casos das desapropriações. Quem não quiser receber na via administrativa, vai receber na via judicial”, conclui Vampiro.



