Tigre
Feito em casa, mas de olho no Brasil
Por Redação Engeplus
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Visitar o Centro de Treinamentos do Criciúma é um verdadeiro passeio por algo inimaginável por grande parte da torcida tricolor. “É de primeiro mundo”, dizem experientes do futebol brasileiro, gente de outros clubes, profissionais que vivem da bola e se impressionam com a qualidade da estrutura oferecida à formação de novos talentos.
Foram milhões de reais investidos, parcerias estabelecidas, recursos federais buscados para transformar um antigo sonho em realidade viva. Está fazendo dois anos que o Criciúma usufrui de um CT digno de Série A do Campeonato Brasileiro. Ou melhor, há clubes da elite nacional que não dispõe de estrutura igual. E não são poucos.

Tudo isso para treinar o time principal, preparar a equipe, com tudo a que tem direito. Mas também para aprimorar a mão de obra do futuro tricolor. Atualmente, o Criciúma acolhe 92 atletas nas categorias sub-15, sub-17 e sub-20. “E com uma linha de trabalho só, do sub-15 até a equipe profissional”, comemora o coordenador da base, Serginho Lopes. “Contamos com uma comissão exemplar, com o Deivid como técnico, conseguimos fazer todos os treinadores adotarem a mesma linha”, destaca.
O celeiro local continua

E para quem duvida do pouco aproveitamento da região, o Criciúma dá mais um exemplo de algo que a história consagrou: o celeiro que o sul sempre foi. No sub-15, o técnico Felipe Monteiro conta com 37 atletas. Destes, 26, o equivalente a 70%, saíram dos campos de Criciúma e municípios vizinhos. No sub-17, o técnico Amauri Barasuol orienta 27 jogadores, sendo 14, ou 52%, da região. O contingente diminui no sub-20, no qual o técnico Harison Feltrin, o Lalo, conta com 28 atletas, sendo quatro (14%) de Criciúma e cidades próximas.
“Tínhamos um grande problema com captação de atletas”, reconhece o coordenador. “Mas de uns tempos para cá melhorou”, completa Serginho. O clube conta com Benevan dos Santos para a função de observador da base. “Ele já fez um trabalho de cinco meses no Brasil inteiro”, revela. O olheiro já andou por Maranhão, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul e, na semana passada, ficou quatro dias no Paraná, de onde encaminhou a vinda de três atletas. “Nossa prioridade atual é buscar jogadores nascidos em 1999 e 2000”, explica.

Uma ampla estrutura para os jovens
Para acolher todos esses atletas, seja os das cercanias, seja os que vem de longe para buscar uma oportunidade aqui, o Tigre dispõe de 64 apartamentos bem equipados no CT. A ala residencial tem padrão de hotel, com capacidade de até três atletas por quarto – ou dois, nos casos de alojamento do profissional –, todos os quartos equipados com TV a cabo, internet e ar condicionado.
Antes do observador contratado, o Criciúma dependia de indicações de empresários e de terceiros para acessar novos valores. “Nosso trabalho é pelo Criciúma e para o Criciúma. Não temos parceria com empresário, nem com pai, atleta, ninguém. Se tiver capacidade técnica e tática, vai treinar e trabalhar conosco”, assegura Serginho.
Os recentes resultados em nível nacional demonstram a excelência da base tricolor. “No ano passado eliminamos o Grêmio e o Goiás na Copa do Brasil, nesse ano passamos pelo Cruzeiro, todos clubes grandes, com grandes estruturas. Eles reconhecem que fazemos o diferente aqui. Somos referência”, reforça o coordenador, fazendo menção aos resultados do time sub-20.
Sub-20 de longo prazo

E sobre eventuais críticas ao futebol recente da equipe que caiu na terça-feira diante do Palmeiras na Copa do Brasil, Serginho lembra que “a grande maioria dos nossos atletas dessa categoria ainda tem três ou até quatro anos de sub-20 pela frente”. Estão estourando idade, devendo ir para o profissional ou tomar outros rumos, apenas quatro jogadores: o zagueiro Nino, o volante Jean Mangabeira e os atacantes Marko Pollo e Flávio. “Desses, hoje os mais preparados para subir são o Nino e o Jean Mangabeira, que estão em boas condições de já encarar o profissional”, comenta.
Mais reforços para a base
Não será por falta de estrutura que o Criciúma não continuará colhendo frutos na base. Em um CT com dez hectares e 3.250 metros quadrados de área construída, o clube dispõe até de um pequeno estádio, com capacidade para 1,5 mil torcedores, onde os Tigrinhos já vem mandando jogos. E vem mais por aí. Com a reestruturação do Projeto Tigrinhos que está em andamento em parceria com a Unesc e com as escolinhas, que já contam com 160 atletas de 4 a 13 anos treinando, o Criciúma vislumbra o sonho de continuar abastecendo o mundo do futebol com talentos que carreguem o DNA amarelo, preto e branco. Para Serginho Lopes e seus companheiros, é mais que um sonho. É uma missão. “É para isso que trabalhamos”.




