Por Redação Engeplus
Em
Especial: Willian Bongiolo
O cinema nos proporciona adaptações de diversas outras mídias, sejam elas games, livros, e também teatro. Todas as adaptações são feitas para se encaixar na linguagem cinematográfica e contar a mesma história por um viés de cinema. Porém, o que acontece em Fences é justamente o contrário: adaptado de uma peça de teatro o longa simplesmente transporta sua teatralidade para as telas. Isso poderia ser interessante, mas é seu principal problema.
Um velho homem chamado Troy (Denzel Washington) trabalha como catador de lixo para sobreviver e sustentar sua mulher (Viola Davis) e seus filhos. Porém, após dezoito anos de casado toda a amargura e dificuldade vem a tona após um fatídico acontecimento. Quem assina a direção do filme é o próprio Denzel e seu trabalho aqui é basicamente colocar uma câmera para acompanhar o diálogo entre dois personagens. O ar de teatro ecoa até mesmo nos enquadramentos, quando vemos duas pessoas em foco conversando enquanto outras ao fundo se movimentam pelo ambiente, gerando uma aproximação entre espectador e filme.

O mesmo não pode ser dito de seu roteiro. Os diálogos são totalmente retirados do teatro e não funcionam no cinema. A eloquência das falas não combina com os dois personagens sofridos e sem estudo que batalham dia a dia para sobreviver em uma sociedade racista. Além disso, a construção dos personagens também é feita estritamente por diálogos que começam a se tornar expositivos a medida que vão sendo repetidos ao longo das duas horas e dezoito minutos de longa.
As falas entre Troy e seu filho, principalmente, ficam batendo na mesma tecla sem parar. É uma repetição entre "eu não quero que você siga os meus passos" e "você tem medo que eu me torne melhor do que você".

Contudo, há em Fences uma entrega visceral de seus dois protagonistas. Denzel e Viola carregam o filme inteiro nas costas e é do casal os melhores momentos do filme. Uma das principais cenas é uma briga que acontece entre os dois no quintal da casa. Nessa cena podemos notar o incrível trabalho de Denzel ao compor Troy como um homem humilde, sofrido pelos acontecimentos em sua vida, mas fiel a seus ideais e às escolhas que fez. Viola Davis desaba gradativamente de uma mulher fiel e companheira para uma cansada da vida submissa ao marido.

Por fim, Fences tem uma história interessante para contar sobre um homem derrotado pela vida, mas que escolheu lutar até a última gota de suor, porém peca por não transcender do teatro para o cinema. Criou-se um filme mal resolvido em seus elementos cinematográficos, recorrendo aos diálogos e monólogos do teatro para tentar passar sua mensagem.
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