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Saúde

HÁ TRÊS ANOS

Ferida gerada por injeções nos glúteos ainda sem cura

Fabiani sofre com as limitações impostas pelo corpo; caso tramita na justiça

Por Redação Engeplus

6 min de leitura

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Foto: Cyntia Amorim e Douglas Saviato

Você lembra da história de Fabiani Martignago? O Portal Engeplus a visitou após a ex-comerciante ter sofrido graves complicações de saúde no dia 24 de março de 2013 por causa da aplicação de injeções nos glúteos no Posto 24 Horas do bairro Próspera, em Criciúma. O intuito era aliviar a dor de uma cólica renal, mas o que aconteceu mudou por completo, e para pior, a vida da moradora do bairro Santa Bárbara.

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Hoje, 24 de março de 2016, faz exatamente três anos que a rotina de Fabiani, agora com 45 anos, virou de cabeça para baixo. Os problemas de saúde e estética assombram sua vida todos os dias. Fabiani chora com as lembranças e, também, contando sua situação atual.

“A ferida nunca cicatrizou. Eu troco os curativos duas vezes ao dia, desde 2013. Minha vida mudou por completo. Não posso ir à praia, não posso usar biquíni, nem ir à academia. Coisas que antes faziam parte da minha rotina. Eu me sinto totalmente inútil, não consigo me envolver com ninguém, não tenho coragem de ter um relacionamento e nem vontade de sair de casa”, lamenta emocionada.

São mais de mil dias de um convívio físico e psicológico doloroso com a doença. Ao todo, foram 75 dias de internação no Hospital São José, de Criciúma, sendo 20 dias em coma induzido na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Estive do lado da morte, mas estou aqui tentando levar minha vida que nunca mais foi a mesma”, frisa.

A paciente entrou com ação judicial contra o município de Criciúma, União, Estado e um hospital privado da cidade, solicitando o tratamento da sua patologia, bem como indenizações por danos morais, materiais, acompanhamento com especialistas e pagamento de despesas por conta do seu tratamento.

Após acompanhar o caso em 2013, registrando os seguintes momentos linkados nas notícias abaixo, a reportagem buscou entender a atual situação da ex-comerciante, que, hoje, vive presa em seu corpo.

- Após aplicação de injeção, mulher de 42 anos tem complicações graves de saúde

- "O médico chegou a falar que eu não resistiria. Nunca me imaginei nesta situação"

- Após seis meses, ex-comerciante ainda sofre as consequências de injeção mal aplicada

Processo judicial - De acordo com a advogada de Fabiani, Amanda Rosso Scotti, na esfera federal houve o pagamento de uma indenização por parte de um Hospital privado da cidade. O pagamento ocorreu pelo atraso no atendimento e pela liberação da paciente mesmo apresentando estado grave de saúde, o que acabou por atrasar o início imediato do atendimento de emergência.

Ainda na esfera federal, segundo Amanda, o juiz condenou de forma solidária Estado e União a fornecerem a Fabiani todas as sessões gratuitas e o transporte para a realização da oxigenação hiperbárica, um procedimento para a aceleração da cicatrização do ferimento.

“União e Estado foram condenados ainda de forma solidária a concederem também gratuitamente tratamento psicológico, dermatológico, nutricional e atendimento por enfermeira enquanto perdurar necessidade”, elenca Venessa.

No que diz respeito aos pedidos indenizatórios, o processo foi remetido à Justiça Estadual para apurar se de fato o município foi responsável pela Fasceite Necrotizante, ou seja, pelo grave ferimento provocado pela má administração das vacinas (aplicação e validade).

“Dentro dos próximos dias será marcada uma data para perícia com um médico designado pelo juiz. Já sobre a realização da cirurgia reconstrutiva, Fabiani possui amparo jurídico garantido pelo Estado para a realização do procedimento em caráter emergencial”, conclui Amanda.

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Busca por respostas do município – A advogada de Fabiani tenta, há quase três anos, provar que houve uma falha no atendimento da paciente, tendo em vista que ela entrou saudável no posto 24 Horas e, horas depois, desencadeou uma série de complicações de saúde.

O juiz deverá determinar, provavelmente neste semestre, um médico perito para identificar o que ocasionou os problemas pós-injeção e se a prefeitura é culpada pelo fato ocorrido. “Um médico isento deverá emitir um parecer sobre a situação de Fabiani, se ela poderá voltar a trabalhar, ter uma vida normal ou vai ter alguma limitação”, explica Amanda.

A reportagem entrou em contato com a prefeitura de Criciúma. O município alegou que o processo segue em segredo de justiça e não pode comentar sobre o caso, mas a Procuradoria-Geral enviou uma nota de esclarecimento, através da secretária de comunicação.

Nota:

O município deu total suporte ao tratamento, pagando para a paciente as sessões de oxigenoterapia hiperbárica, bem como insumos que necessitava.

Findo o tratamento, o processo foi encaminhado da justiça federal para a justiça estadual, haja vista não ser aquele órgão competente para julgar as indenizações pleiteadas.

Atualmente, o processo encontra-se em fase de realização de provas (perícia médica), para verificar através de laudo técnico, qual foi o causador das complicações na paciente.

Lembramos que o processo corre em segredo de justiça, devido ao sigilo que o estado de saúde da paciente requeria.

Preço da cirurgia – O médico cirurgião Dreyfus Silva Fabrini foi o primeiro e o único médico particular que fez uma avaliação de quanto custaria a reconstituição do ferimento de Fabiani. As duas primeiras cirurgias, de acordo com o orçamento que o médico repassou para paciente, custam mais de R$ 20 mil.

“Eu não tenho este dinheiro. E mesmo que tivesse, há uma grande possibilidade de não ser suficiente, já que o médico acredita que posso precisar de mais cirurgias em médio ou longo prazo, conforme for a reação do meu corpo nestas duas primeiras”, conta Fabiani.

Possibilidade da cirurgia gratuita – O Hospital Universitário (HU) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) é a única instituição de Santa Catarina que realiza cirurgias plástica através do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, de acordo com a secretária do Serviço de Cirurgia Plástica do HU e secretária executiva da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Susana Luciano de Oliveira Picollo, a fila de espera no Hospital Universitário reunindo todas as áreas chega a 1.6 mil pessoas.

“Este número engloba todas as especialidades, como cirurgias de reconstituição de mama e estéticas. No caso desta paciente, ela terá que iniciar o encaminhamento no posto de saúde mais perto de sua casa. Depois dos procedimentos realizados na cidade natal, ela passará por uma triagem no Hospital Universitário. Mediante a avaliação médica, se o caso for considerado grave, ela poderá ter prioridade nesta fila de espera”, frisa.

Vida em câmera lenta - Enquanto o processo ainda não for finalizado e os procedimentos cirúrgicos reconstrutivos não for uma certeza, a vida de Fabiani segue em câmera lenta. A ex-comerciante continuará vivendo refém das suas próprias limitações impostas pela ferida. Por causa da alta sensibilidade do local movimentos bruscos são evitados, bem como a exposição do ferimento, que permanece escondida por Fabiani há três anos.

“Nunca me imaginei nessa situação. Não quis ficar assim. Fui até um órgão da prefeitura com uma cólica renal e minha vida virou de cabeça para baixo. Só quero uma solução. Só tendo muita fé para aguentar essa situação”, desabafa.

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