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Festa das Etnias: novos passos, novos rumos

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

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Ademar José Fabre (*)

A 18ª edição da Festa das Etnias (Quermesse de Tradição e Cultura) que a cidade ora comemora, ainda que não possa informar o número total de visitantes, ostenta a marca de um evento consolidado e vitorioso, pelo que cabe parabenizar seus idealizadores e lutadores pela sua manutenção e consolidação, nessas quase duas décadas de dificuldades e incertezas quanto ao futuro da celebração, de inspiração étnico-cultural.

A festa deste ano registra dois fatos marcantes: a autonomia administrativo-financeira, desvinculando-a do poder público municipal e o uso, pela vez primeira em sua história, de um espaço adequado e próprio, oferecido pelas amplas, modernas e funcionais instalações do Pavilhão de Exposições José Ijair Conti, recém-construído.

Consolidada a festa, com expectativa de público recorde, cabe à coordenação do evento buscar as correções de rumo e os ajustes necessários para tornar as próximas edições ainda mais exitosas.

Como a cidade não conta, ainda, com uma Secretaria de Turismo ou órgão equivalente, caberá à própria coordenação do evento providenciar, com antecedência, uma melhor divulgação da magna festa para além fronteiras municipais. Uma das medidas que se sugere, primeiramente, é a criação/edição de uma publicação especial, de caráter permanente (tipo livreto), em que se informe, em algumas páginas, qual o papel de cada etnia na fundação, colonização e/ou desenvolvimento da cidade/município.

Outra questão a colocar-se é o porte e abrangência geográfica do evento, nas próximas edições. Com a emancipação de Forquilhinha, onde se localiza o forte da colonização alemã da região e, com ela, a etnia germânica, a festa passou a ter caráter intermunicipal.

Não seria o caso de pensar-se, a curto prazo, em ampliar essa participação/composição, contando com grupos de outros municípios do Sul? Deve-se ter em mente que a língua, gastronomia, cultura, tradições e costumes praticados pelos grupos locais são os mesmos de cidades vizinhas, ou mesmo do sul, donde, não raro, procedem nossos habitantes.

A diferença seria que, ao invés de apenas apreciar, nossos vizinhos etnicamente identificados viriam participar do evento, irmanando-se com nossos grupos, tornando a confraternização de caráter regional. Fala-se tanto em Criciúma como cidade-pólo, pois, nesse caso, estaria se concretizando uma polarização sócio-cultural.

Se trilhar por este caminho, o evento poderá tornar-se uma atração não só intra-fronteiras municipais, mas de âmbito estadual. E como sonhar não é proibido, quem sabe, em sua 30ª edição, a Festa das Etnias será tão grande que não caberá no atual pavilhão de exposições e precisará de uma Vila Étnica, a exemplo do que ocorreu com a Octoberfest, que precisou construir a sua Vila Germânica?

Independentemente do porte e do âmbito que irá assumir, cabe pensar-se na festa das etnias não só como uma celebração de natureza sócio-cultural, nos moldes concebidos originalmente, mas como um evento de natureza turística, capaz de atrair um grande número de visitantes de outras regiões.

Como comentado em outro artigo, já que Criciúma não foi aquinhoada pela natureza com paisagens e atrativos naturais deslumbrantes, pode e deve criar esses atrativos para atrair visitantes e turistas, como fazem muito bem as cidades de Blumenau e Joinville. O turismo de eventos, hoje praticado por um grande número de municípios do país, pode e deve ser incrementado na cidade, o que, aliás, foi uma das razões para construir o seu portentoso pavilhão de exposições.

À municipalidade caberá, além de prover a infra-estrutura indispensável, articular-se com os coordenadores no sentido de tornar a festa das etnias um grande evento turístico que, além de constituir-se em um espetáculo de natureza sócio-cultural , para ser apreciado, seja também um fator de movimentação do trade turístico, beneficiando o comércio e toda rede de serviços que um evento de tal natureza proporciona, ou seja, contabilizar divisas econômicas para o município. Fica a sugestão.

* Economista / Msc. Desenvolvimento Regional - Email: ajfabre@gmail.com

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