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Lauro Müller

Força, resistência e superação: este é o Black Trunk Race

Abordagem sob um ângulo de quem vivenciou a maratona com os demais participantes

Por Redação Engeplus

5 min de leitura

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Quilômetros de corrida, obstáculos e muita resistência. Esta é a condição do Black Trunk Race, uma das maiores maratonas com obstáculos do mundo. Entre os competidores, muitos experientes em provas semelhantes inspiradas em exercícios militares e outros nem tanto, também estive presente na maratona.

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Repórter e acostumado a correr por hobby entrei na aventura e encarei o percurso de dez quilômetros com 20 obstáculos. Por volta das 10 horas desta manhã a largada foi anunciada e os mais de 150 competidores desta categoria iniciaram os primeiros passos. Logo nos primeiros metros encarados com uma subida em direção à mata que costeia a Serra do Rio do Rastro, em Lauro Müller, local onde ocorreu a marotona, permaneci na quarta colocação.

No entanto, em uma das primeiras descidas, o competidor que estava na terceira posição entrou no caminho contrário estipulado pela organização. Eu o segui e também acabei indo na mesma direção. Após alguns metros, quando percebemos que o percurso não era o correto, retornamos e encontramos o certo, porém, recomeçamos nas últimas colocações.


Primeiros passos após a largada

Primeiros obstáculos - Minutos depois, já fora da mata, um dos primeiros obstáculos foi passar por um açude com água pela cintura e pelo peito em alguns pontos. O solo escorregadio fez com que alguns caíssem e se molhassem por completo, inclusive, eu. A temperatura da água era fria, mas suportável.

Ainda nos primeiros quilômetros em meio a mata novamente, os corredores enfrentaram uma longa descida. Calculo mais de 500 metros entre pedras e um solo extremamente escorregadio. Como já esperávamos, eu e meus companheiros naquele ponto da maratona, havia uma grande subida em seguida em um solo irregular e também bastante escorregadio.


Primeiro cruzamento em açude

Arame farpado - O obstáculo seguinte enfrentado pelos participantes foi rastejar por baixo de arames farpados, que exigiu força e agilidade. Quando passava por um dos arames acabei cortando a região das costas, que, no momento da passagem não percebi o ferimento, apenas na linha de chegada. Ao ter encostado no arame farpado também perdi minha numeração 174 fixada na blusa na parte das costas. Já na metade do percurso consegui recuperar boas posições, porém, não era possível saber qual seria minha colocação naquele momento.

Outros obstáculos foram aparecendo como o cruzamento de barreiras de água com arames farpados, cruzamento em açude através de cordas e escalada em parede. Aqueles que não conseguiam cumprir determinado obstáculo eram obrigados a “pagar a penalidade” de 20 flexões.


Travessia embaixo de arames farpados

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Lama e roupa molhada - A lama pelos braços e pernas, no tênis e a roupa molhada deixavam o corpo ainda mais pesado, o que dificultava as longas subidas dentro da mata. Após um dos obstáculos, eu e mais alguns competidores nos perdemos pelo percurso. A falta de sinalização em alguns pontos confundia os competidores e era comum encontrar pessoas confusas pelo caminho.

Depois de dez minutos, encontramos o destino correto e seguimos em direção à reta final da maratona. Há uns três quilômetros, em média, da linha de chegada, um dos competidores me fez companhia.

Companheiro de corrida - Eu e Marco Antônio de Lima, de 54 anos, morador de Florianópolis, seguimos juntos. Ele participava pela sétima vez da competição. “Acima de tudo, este é um desafio de ajudar o próximo. São tantas dificuldades pelo caminho que um acaba ajudando o outro. É claro que todos querem chegar primeiro, mas o espírito disto tudo deve ser este”, comenta. E assim ocorreu, fomos nos ajudando nos minutos seguintes.


Marco Antônio de Lima, companheiro na reta final

Últimos desafios - Na reta final mais açudes. Nós competidores tivemos que passar por uma barreira de água com um tronco nas costas. Posteriormente, corremos por uma estrada de chão até um outro açude, onde tivemos que atravessar com uma espécie de tirolesa. Já a alguns metros da chegada, fomos obrigados a virar e desvirar um pneu de caminhão no chão.

A chegada - Já bastante cansado e dividindo “piques de corrida” com passos lentos completei a prova em 1h20min. Meu companheiro, de 54 anos, cruzou a linha de chegada segundos depois. Com a missão cumprida, poses para fotos e uma parada com muita água disponibilizada pela organização para hidratação. Além dos 10 quilômetros, haviam percursos de 5 e 21 quilômetros.

Havia, ainda, entre os percursos uma divisão por idade. De 18 a 29 anos, de 30 a 39, de 40 a 49, de 50 a 59 e acima dos 60 anos. Antônio completou a prova na terceira colocação na sua categoria. Eu cruzei na vigésima posição.

Mais de 500 corredores - De acordo com organizador do evento, Alessandro Custódio, 540 pessoas participaram do Black Trunk Race 2016. Competidores do Sul do Estado como de outras regiões, bem como do Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo. “Esta foi a segunda edição na Serra do Rio do Rastro e a proposta para o próximo ano é trazer ainda mais atletas”, comenta.

Galeria de fotos abaixo, confira:

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