Hospital São José
Funcionários entram em greve. Dívida chega a R$ 10 mi
Direção concedeu entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira
Por Redação Engeplus
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Os funcionários do Hospital São José de Criciúma deram início, na manhã desta quinta-feira, à greve da categoria. A paralisação foi anunciada na tarde dessa quarta-feira, dia 9, e a decisão foi tomada pelo não pagamento dos últimos salários. A direção do hospital se reuniu nesta manhã para, em entrevista coletiva, explicar a situação financeira da instituição.
O São José possui, neste momento, um prejuízo de pouco mais de R$ 10 milhões. O valor, devido pelo Estado de Santa Catarina e pelo Município de Criciúma, tem se acumulado desde outubro deste ano. A falta de pagamento resultou no atraso dos pagamentos de funcionários, médicos e fornecedores do hospital.
A diretora da instituição, irmã Líbera Mesari, afirmou o sentimento de abandono pelo qual a instituição passa atualmente. “O povo precisa ter a segurança de uma porta aberta na hora em que mais precisa de ajuda e cuidados. Estamos nos sentindo abandonados”, afirma.

Foto: Marli Vitali/Portal Satc
Apenas urgência e emergência
Desde as 6 horas de hoje, o hospital recebe para atendimento apenas casos de urgência, emergência, hemodiálise, radioterapia e quimioterapia. As cirurgias eletivas e casos considerados de menor gravidade serão remarcados.
Segundo o diretor técnico Raphael Elias Farias, os pacientes que não se encaixam nestes quadros devem procurar outros serviços de saúde da região. “Estamos com poucos trabalhadores e precisamos manter uma situação segura para os pacientes que já estão internados e que continuarão assim até receber alta, e também para os casos urgentes que chegarem ao Pronto Socorro.”
Dívida
A vice-diretora do hospital, irmã Terezinha Buss, explica que do valor total de R$ 10 milhões, aproximadamente R$ 9 milhões são devidos pelo Estado de Santa Catarina e R$ 1 milhão pela Prefeitura de Criciúma. Atualmente, o valor bruto mensal da folha de pagamento do hospital é de R$ 3,5 milhões. “O Ministério da Saúde realiza um depósito mensal de R$ 4,5 milhões. Recebemos a notícia de que no próximo mês, eles terão condições de depositar apenas 50% deste valor. Com isso, chegamos ao fundo do poço.”
Segundo a direção do hospital, o Estado não deu início à negociação para colocar os pagamentos em dia. Em contrapartida, segundo o diretor administrativo do HSJosé, Laércio Régis Ferrari, a Prefeitura de Criciúma (que deve um total de R$ 1 milhão) realizou o pagamento de R$ 392 mil na tarde dessa quarta-feira, e se comprometeu a pagar o restante hoje.
Dados atuais do Hospital São José
- 1 mil internações
- 7 a 8 mil atendimentos por mês no Pronto Socorro
- 100% das cirurgias eletivas remarcadas
- Salários atrasados dos meses de outubro, novembro e dezembro
- Previsão negativa do pagamento da segunda parcela do 13º salário, no dia 20 de dezembro
- Previsão negativa do pagamento do salário de janeiro, que acontece no dia 4

Foto: Marli Vitali/Portal Satc
Fornecedores
Com a dívida milionária, os fornecedores também deixaram de receber os pagamentos. Segundo Ferrari, o atraso com esta categoria chega a R$ 2 milhões. “Eles ainda não deixaram de fornecer medicamentos e materiais cirúrgicos, mas creio que este dia está perto de chegar”, avalia.
Médicos também estão sem receber
Os médicos, que trabalham como prestadores de serviço do hospital, também estão com os salários atrasados. A diretora clínica Carmen Aguiar Grandi, explica que eles fazem o necessário para atender os pacientes da melhor forma possível nos atuais casos. “Com os demais funcionários da instituição em greve, fica quase impossível para os médicos trabalhare. Não há como fazer cirurgias sem assistentes, ou como cuidar dos setores de quimioterapia e hemodiálise, por exemplo. Por enquanto, não há conversa sobre uma greve de médicos, mas acabamos ficando de mãos atadas e participamos deste movimento de forma indireta.”
O médico Raphael Elias Farias destaca que o hospital tem tomado as devidas providências para que todos os pacientes internados recebam cuidados até o fim do tratamento, e que as urgências e emergências sejam atendidas da melhor forma possível. “O Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde (Sindisaúde) tem ajudado a manter o mínimo possível de funcionários em trabalho, para ajudar nestes casos. Precisamos lembrar que estamos lidando com vidas e que todos os pacientes merecem o melhor tratamento possível.”
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