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Furacão Catarina completa oito anos de passagem pelo Sul do Estado

Por Redação Engeplus

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Foto: Foto: Divulgação

Ninguém acreditava que ele viesse, e ele veio com força, surpreendendo moradores do Sul do Estado catarinense e do vizinho Rio Grande do Sul. Trouxe chuva, vento que chegou a 160 Km/h - o equivalente a um furacão de categoria 2 na escala Saffir-Simpson - e muita destruição. Era noite de 27 de março de 2004, e apesar dos inúmeros alertas, a maioria não acreditava no furacão que via, já que foi o primeiro registrado de forma oficial no Atlântico Sul.

Os danos foram severos, com a destruição de cerca de 1,5 mil residências e danos em mais de 40 mil. Os prejuízos na agricultura da região foram grandes, onde 85% da produção da banana e 40% da produção de arroz foram perdidos. Três pessoas morreram nos dois Estados, e outras 75 ficaram feridas.

“Foi um trabalho intenso e sem descanso. Havia muitas casas, empresas, indústrias, árvores, tudo destruído. A passagem do Catarina alerta a população para que esteja preparada para fenômenos como esse, que podem voltar. Não podemos deixar de lembrar que o Catarina chegou no final de março, tradicionalmente, nossa temporada vai até o Carnaval. Poderíamos estar com muitos turistas em nossas praias durante aquela passagem. Isso mostra o quanto a população deve estar preparada para fenômenos climáticos e também para o auxílio ao turista em situações como essa”, diz Djalma Niles, que atuou como o primeiro chefe da Defesa Civil na região por um ano e meio, e que durante a passagem do Catarina, prestava serviços no Corpo de Bombeiros de Araranguá.

Lembranças – Oito anos depois da passagem do fenômeno, nenhum morador do Vale ousa dizer que esqueceu da visita do Catarina na região. Além dos prejuízos econômicos, a maioria da população mantem um certo “medo” das ventanias, típicas da região. “Eu morava no centro, estávamos todos em casa, somos em quatro pessoas e naquele dia meus tios também estavam lá. Ficamos sabendo do furacão naquela tarde, mas não imaginávamos que seria tão forte. Fomos todos dormir e quando acordamos no meio da noite era muita chuva e vento. Fomos todos para o quarto dos fundos, onde tinha laje, com medo que o telhado fosse arrancado, pois os quartos já estavam cheios de água da forte chuva. Ficamos durante todo o tempo, as seis pessoas, dentro do quarto, morrendo de medo e rezando para que acabasse logo”, recorda a jornalista Karoline Nazário.

Números - Conforme a Defesa Civil de SC, ao todo, 14 municípios catarinenses decretaram Estado de Calamidade Pública e sete Situação de Emergência na época. Os prejuízos econômicos foram superiores a R$ 850 milhões, sendo que mais de um milhão de catarinenses foram afetados. Contabilizaram-se vítimas fatais, sendo 10 pescadores e um motorista atingido pela queda de uma árvore. Deixou 33.165 desabrigados e desalojados, e 18 pessoas feridas. Foram danificadas 35.873 residências e 993 foram destruídas. As edificações comerciais danificadas foram 2.274 e destruídas 472. Três prédios públicos e 397 destruídos.

Como aconteceu – No dia 27 de março de 2004, às 17h45min foi a chegada do Furacão Catarina em Arroio do Silva; às 19h50min iniciou a chuva e o vento sul. A partir das 22h48min, a chuva muito forte e o vento intenso provocaram destelhamentos de algumas edificações. Às 22h30min, o mar atingiu casas e calçadas situadas na orla. À 1h15min, entrada do olho do Furacão, chuva e vento cessaram, sentiu-se muito calor, moleza no corpo e sensação de bem estar. Muitas pessoas saíram de suas casas. Às 2h48min, foi o início da parte crítica. Ventos de norte muito fortes, com rajadas de 180 a 200 km/h. A partir das 3h15min, os ventos diminuíram para 150 km/h; às 4h30min para 100 km/h e às 5h30min vento fraco a moderado.

Colaboração: Fernanda Guidi/Jornal Amorim, Defesa Civil Estadual

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