Governo Clésio
Governo Clésio choca e congela expectativas
Por Redação Engeplus
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A fase é de transição, mas não justifica a inexperiência. A menos que a informação seja bombástica, somente quem não tem o mínimo conhecimento do modus operandi da mídia convoca uma coletiva para as 5 da tarde. Talvez por isso a coletiva do prefeito eleito Clésio Salvaro nesta segunda tenha acumulado tanto estupor entre os jornalistas.
Num início de semana em que a mídia nacional destacou à mórbida cifra de mais de 60 mortos em SC por conta da chuva no Vale do Itajaí, Clésio convocou a imprensa para anunciar dois futuros assessores. Detalhe: a convocação coincidiu com a suspensão das aulas de mais de 220 mil alunos, cancelamento dos Jasc e caos no transporte rodoviário.
Só as interdições da BR-101, no sul e no norte, foram responsáveis pelo adiamento de dezenas de eventos bem mais relevantes. A perplexidade diante de tanta destruição e infortúnio coletivo só foi compensada pelo espírito de solidariedade. A começar pela Associação Catarinense de Supermercados, mobilizando filiados para arrecadar comida e roupas.
Nessa atmosfera, tirar jornalistas do seu batente para anunciar dois futuros assessores pisou fundo na insensibilidade. Pra piorar, mais dois assessores fisgados na iniciativa privada e de experiência discutível na seara pública. Ambos para auxiliar num choque de gestão aprovado por mais da metade dos eleitores no início de outubro passado.
No último dia 13, Clésio anunciou Paulo Conti, diretor do Hospital São João Batista, para gerenciar a saúde pública. Na coletiva, Conti anunciou o fechamento de 50% dos postos de saúde. Como não disse o quê a população irá ganhar com isso, dá para imaginar o desgaste do prefeito eleito desde então.
Se o gestor da saúde fosse do Hospital São José, as expectativas dariam eco às urnas. Afinal, o São José atende pelo SUS, algo que o São João Batista abomina há anos. Os dois assessores anunciados hoje tampouco militam no “andar de baixo”, como dizem os colunistas sociais. Tanto a assessora para a área social quanto o futuro presidente da FCC atuam na área privada.
Nem por isso, é lícito duvidar da competência dos dois novos gestores no Governo Clésio. O que não faz sentido são essas coletivas para anunciar o que um simples release da assessoria faria melhor. Geovânia, é bom lembrar, trabalha no Grupo Zanatta, Serginho decora casamentos de “bacanas” e Clésio foi eleito prefeito de Criciúma. Não sucessor de Lula.



