Série Engeplus
'Há recursos e é possível engravidar após quimioterapia', garante médica
Tratamento afeta fertilidade de pacientes jovens, mas possui solução
Por Redação Engeplus
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Além de lidar com o choque emocional do diagnóstico de câncer, pacientes jovens que pretendem engravidar possuem outro desafio pela frente, por conta da relação entre quimioterapia e infertilidade. Tudo isso porque o tratamento acaba eliminando as células que se multiplicam rapidamente no corpo, inclusive as do ovário, fundamentais para o processo de gestação. “De fato o tratamento afeta na fertilidade. Boa parte das pacientes tende a entrar em menopausa precoce. Depois, então, ela não consegue mais engravidar, porque o ovário não esta mais produzindo os folículos, ou seja, ele foi a falência”, arremata a mastologista Luiza Ramos.
Durante esta semana o Portal Engeplus trabalha em uma série de reportagens sobre a saúde da mulher durante e após o parto e as consequências disso em sua vida. Nessa quinta-feira, dia 26, falamos sobre o processo psiclógico na maternidade. Você acompanha a última reportagem da série amanhã, dia 28.
Mas o sonho é possível, segundo especialistas. Para realizá-lo, após a cura da doença, pacientes oncológicos já contam com algumas alternativas que preservam a fertilidade antes da quimioterapia e radioterapia. “A técnica mais comum e não menos eficaz de se preservar a fertilidade é o congelamento ou criopreservação de óvulos, espermatozoides e também de embriões”, arremata a mastologista da Clínica Mastô, Beatriz Althoff.
Para isso, um período de tempo deve ser respeitado após a cura da paciente. “Aguardamos pelo menos dois anos após a cura, porque esse período é o mais comum de recidiva. Esse espaço de tempo é importante”, complementa Beatriz.
Além do congelamento de óvulos, novos estudos apontam medicamentos que também podem contornar o impasse, segundo a também mastologista da Clínica Mastô, Luiza Ramos. “Há um novo estudo já publicado e apresentado pelo San Antonio Breast Cancer Symposium em 2017, por Lambertini M. e colaboradores, com 873 pacientes que comprova a eficácia de um hormônio análogo ao GNRH que reduz falência ovariana e melhora taxa de fertilidade pós-quimioterapia“, pontua ela.
Com ele os pesquisadores conseguiram bloquear o ciclo hormonal, o que acaba estabilizando, o ovário. “É como se o ovário estivesse em um período de descanso. Enquanto isso segue a quimioterapia. Como o ovário está `dormindo` as células não se dividem, o que salva essas células de serem destruídas pela quimioterapia”, detalha a médica.
O resultado positivo do estudo já pode ser aplicado na prática. “Isso dá pra aplicar muito bem na prática, basta conversar com o oncologista e discutir a possibilidade da realização deste protocolo em pacientes deste questão. É importante salientar que a paciente precisa avisar ao médico o desejo de ser mãe. Sabemos que o diagnóstico impacta essas mulheres e muitas vezes se acaba esquecendo de falar, mas o quanto antes isso for conversado melhor”, afirma Luiza



