Economia
'Haverá solução', diz Zancan após anúncio de ministro sobre Complexo Termoelétrico Jorge Lacerda
Bento Albuquerque criará grupo de trabalho para definir futuro da unidade em até 180 dias
3 min de leitura

A sexta-feira, dia 18, foi de boas notícias para a economia de Santa Catarina. Em visita ao Estado, o ministro de Minas e Energia do Brasil, Bento Albuquerque, anunciou novas ações para evitar o encerramento das atividades do Complexo Termoelétrico Jorge Lacerda, localizado em Capivari de Baixo. Uma portaria será publicada pelo Governo Federal criando um grupo de trabalho para, em até 180 dias, apresentar um diagnóstico sobre a situação da unidade e encontrar uma solução para manter o complexo em operação. O ministro também anunciou que será montado um programa de modernização de usinas termoelétricas no Sul do país.
A notícia foi comemorada pelo presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM), Fernando Luiz Zancan. “Ficamos extremamente satisfeitos com a notícia. Foi uma demonstração concreta de haverá solução para o futuro do Complexo Jorge Lacerda. Esperamos que seja encontrado um caminho que não dependa de lei, para que seja um encaminhamento rápido”, destacou.
Zancan enalteceu ainda a iniciativa de Albuquerque em dar continuidade ao programa de modernização de usinas de carvão no Sul do Brasil. O plano contempla unidades instaladas no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul que, somadas, geram aproximadamente 2 mil megawatts (MW).
“É importante destacar também o interesse do governador Carlos Moisés, do Legislativo federal e catarinense em buscar uma solução. Todos estão interessados em manter a cadeia produtiva do carvão crescendo. Estamos buscando um caminho para manter o que já existe hoje e também pensando em um futuro para o setor, envolvendo todas as partes interessadas desde as entidades ligadas à recuperação ambiental, Ministério Público, setor privado e outras atividades, pensando sempre no desenvolvimento socioeconômico”, comentou o presidente da ABCM.
Sobre o Complexo Termoelétrico Jorge Lacerda
Localizado no município de Capivari de Baixo (SC), o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda foi concebido pelo Governo Federal na década de 1960 para utilização do carvão mineral da região sul de Santa Catarina e proporcionar ao sistema elétrico uma reserva estratégica, principalmente em períodos de escassez de chuvas.
É constituído por sete grupos geradores, agrupados em três usinas: Jorge Lacerda A, com duas unidades geradoras de 50 MW e duas de 66 MW cada, Jorge Lacerda B, com duas unidades de 131 MW cada e, Jorge Lacerda C, com uma unidade geradora de 363 MW, totalizando 857 MW. A garantia física para comercialização da sua energia é de 649,9 MW médios e sua autorização para funcionamento tem vigência até 2028.
No dia 5 de dezembro, a empresa Engie, administradora da unidade, emitiu um comunicado onde anunciou o início do processo de desativação do Complexo Termoelétrico Jorge Lacerda, caso não consiga vender as usinas. A empresa apontou que não possui mais interesse em trabalhar com geração de energia com o uso de carvão, o que chamou de processo para “descarbonizar o portifólio”.
A Engie estabeleceu um cronograma para desativação do Complexo Termoelétrico Jorge Lacerda. Até dezembro de 2021 serão desligadas as unidades um e dois da UTLA. Em dezembro de 2023 serão finalizadas as atividades das unidades três e quatro da UTLA e em dezembro de 2025 param a UTLB e a UTLC. Ao mesmo tempo, a empresa afirmou ainda na nota que está “aberta a receber propostas para vender o CTE, desde que haja um equilíbrio entre o risco e as condições financeiras apresentadas”. A estimativa é de que o fechamento do complexo gere uma queda de redução de R$ 6 bilhões ao ano na economia da região, além de impactar mais de 20 mil vagas de emprego.



