Greve da saúde
Hospital São José trabalha apenas com urgências e emergências extremas
Diretoria pede que equipes de colaboradores voltem ao trabalho
Por Redação Engeplus
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O Hospital São José, de Criciúma, trabalha desde a madrugada passada apenas com urgências e emergências extremas, que são os casos de pessoas que chegam ao hospital em ambulâncias ou em casos de mal súbito, em que os pacientes chegam desacordados à instituição. Com as equipes de trabalho reduzidas, os colaboradores que não aderiram à greve da saúde trabalham em turnos dobrados para atender à demanda do hospital.
O diretor técnico do hospital, Agenor Silvestre, explica que o São José tem 1.040 funcionários, mas apenas 10% deles trabalham normalmente. O apoio nas enfermarias está sendo feito por pessoas de outras áreas, como a técnica. “Estamos tentando diminuir o número de pacientes internados. Precisamos dos trabalhadores, pois eles estão lidando com pessoas, e se não conseguem chegar ao hospital para trabalhar, não conseguem cumprir seu papel.”
O advogado do hospital, Tito Góes, afirma que a instituição não conseguirá atender a todas as reivindicações dos sindicalistas, uma vez que a gestão trabalha em 13 unidades com filantropia e que o maior serviço prestado atualmente está ligado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Se todas as exigências dos grevistas fossem atendidas, explica o advogado, o hospital teria que contratar outros 200 funcionários, o que é inviável no momento. “Não teríamos onde buscar esses recursos”, avalia.
Góes avisa que a diretoria pede a volta de funcionários ao trabalho, uma vez que a maior preocupação atual da instituição é que pacientes morram por falta de estrutura e atendimento. “Estamos tentando de tudo para manter a condição mínima de atendimento, mas temos limitações, e não podemos prometer aquilo que não podemos cumprir.”
Raphael Farias, plantonista e infectologista do hospital, explica que para atender aos 21 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, seriam necessárias seis equipes de trabalhadores – que envolvem enfermeiros, técnicos, nutricionistas, fisioterapeutas e outros serviços, como alimentação e esterilização. “Temos apenas uma equipe trabalhando no momento. Estamos estudando a possibilidade de bloquear leitos a partir do momento em que os pacientes tiverem alta”, salienta.
Atendimento interrompido – Na manhã desta sexta-feira, a filha de uma paciente (que preferiu não se identificar até que o caso fosse solucionado) foi até o hospital São José para agendar uma cirurgia emergencial para sua mãe. A mulher, que tem câncer, foi atendida por um médico particular, que diagnosticou uma obstrução intestinal que precisa ser urgentemente tratada. “O hospital informou que não tem equipes para atender, e por isso não agendaria a cirurgia para hoje. Acontece que, se minha mãe não for operada nesta sexta-feira, ela pode morrer”, protesta.
O presidente do Sindisaúde, Cléber Ricardo Cândido, diz que os grevistas não estão impedindo os funcionários de entrarem na instituição para trabalhar, e que 30% dos trabalhadores estão na função para atender urgências e emergências. “Portanto, a cirurgia deveria ser feita ainda hoje. Não é o sindicato que está proibindo que emergências sejam atendidas”, contesta.
Plantonista do hospital, Farias, explica que não existem equipes completas disponíveis para atender a algumas cirurgias, e por isso pacientes em estado grave devem procurar outros hospitais da região para serem atendidos. “É claro que urgências que chegarem ao hospital e precisarem de cirurgia imediata, nós atenderemos. No entanto, não existe estrutura física suficiente para atender a todos os casos, e pode ser que o paciente corra um risco muito maior caso seja recebido aqui”, reafirma.
Maternidade - O setor de obstetrícia também foi fechado nesta sexta-feira, e grávidas que estejam para ganhar o bebê devem procurar outros hospitais da região. Segundo os médicos do São José, o hospital São Donato, em Içara, e o hospital Nossa Senhora da Conceição, de Urussanga, estão recebendo mulheres para o parto.
Os pedidos dos grevistas - Os profissionais pleiteiam 12% de aumento salarial, sendo que a categoria patronal ofereceu 2,42% de reajuste, que foi recusado pelos trabalhadores. Nesta manhã, cinco viaturas da Polícia Militar de Criciúma estiveram presentes nas imediações do Hospital São José, onde o sindicato e os trabalhadores estão reunidos com faixas e uma tenda. Conforme Cândido, o hospital acionou a PM para pedir aos trabalhadores que se afastassem de uma das entradas do centro hospitalar. A situação foi controlada.
Atualmente, o piso salarial é estabelecido em R$ 730. A estimativa é que o piso seja reajustado em R$ 1 mil. A categoria também reivindica a redução de jornada de trabalho, folga, vale-alimentação e o fim de banco de horas. A última greve no setor na região foi há 22 anos, em 1991. A paralisação aconteceu no São José e se estendeu por 15 dias.
Colaboração: Douglas Saviato



