Por Denis Luciano - denis.luciano@engeplus.com.br
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Falecida neste sábado aos 71 anos, em São Paulo, vítima de um câncer no pulmão, a professora Derlei Catarina de Luca receberá as últimas homenagens em Içara a partir das 15h deste domingo, quando começará o velório no Cemitério Municipal. O sepultamento ocorrerá às 9h desta segunda-feira.
Içara está em luto oficial, conforme decreto assinado ontem à noite pelo prefeito Murialdo Gastaldon. A Academia Criciumense de Letras, da qual Derlei era a titular da cadeira número 1, prestará homenagens.
Nascida em Içara em 17 de setembro de 1946, Derlei de Luca ingressou na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 1966. Na época, começou a militar na Ação Popular (AP), grupo que atuava na clandestinidade em contraponto à ditadura militar. Detida durante Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1968 e, dois meses depois, em dezembro, novamente apanhada durante a visita do presidente Costa e Silva a Florianópolis, foi presa e torturada pela Operação Bandeirante em 1969. No cárcere, acabou vítima das mais diversas e pesadas formas de tortura.
Exilada em Cuba, estudou História na Universidade do Oriente e de lá retornou em 1979 quando foi sancionada a Lei da Anistia no Brasil. De volta, fundou o Comitê Catarinense Pró-Memória dos Mortos e Desaparecidos e o Coletivo Catarinense Memória, Verdade e Justiça. Escreveu e publicou quatro livros. Em uma de suas últimas entrevistas, ao jornal Notícias do Dia em julho, trouxe à tona mais detalhes da época das torturas e da repressão e confessou: “faria tudo de novo”.
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