Engeplus
Geral

Idosa enfrenta

Idosa enfrenta maratona ao circular pelo Centro

Por Redação Engeplus

3 min de leitura

Compartilhar:

Uma campanha de combate a violência contra pessoas acima de 60 anos marcou o Dia do Idoso na última quinta-feira, no Centro de Criciúma. Para a aposentada Antonina Calegari Cardoso, 72 anos, a campanha é bastante válida, mas a data deveria estar voltada aos problemas enfrentados diariamente pela maioria das pessoas de que alcançam a melhor idade e ainda ousam sair pelas ruas da cidade. Ela considera vencer uma maratona conseguir chegar até o Centro sem ter que pedir ajuda.

Para a moradora do Rio Maina, a dor de cabeça começa ao depender do transporte coletivo. “Tem motorista que não espera o idoso sentar para dar partida. Fico tensa até a descida. A maratona de um idoso sozinho por Criciúma começa dentro do ônibus”, comentou.

Delegada Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Nádia Koche destaca que há poucos meses um fato chamou a atenção de um grupo de apoio aos portadores de Alzheimer. Uma idosa chegou a quebrar o dedo no ônibus, por não ter assento cedido por uma pessoa mais jovem. Teve que ficar de pé e não resistiu às constantes paradas do coletivo na Operária Nova.

Para mostrar as dificuldades encontradas nas ruas, o Portal Engeplus acompanhou dona Antonina numa tarde pelo Centro. As constantes obras no entorno da Nereu Ramos se transformaram em armadilhas. “Se calçada irregular é um problema, imagina os buracos onde nem temos apoio para segurar? Chego a mudar o percurso para não passar nesses locais”, lamentou.

Do terminal ao calçadão da Nereu, ela mostrou disposição, mas somente até ter que encarar as escadarias do INSS. Sem elevador, não tem outra saída a não ser enfrentar os temidos 34 degraus. É no terceiro andar onde são realizados todos os exames. Segundo funcionários do local, muitos idosos precisam ser colocados em cadeiras de rodas. Nessas horas até o vigia muda de posto e ajuda na locomoção.

Até o Grupo de Idosos da Afasc funciona em andares superiores. Na antiga prefeitura, eles se reúnem no segundo andar no prédio. Nádia conta que muitos têm medo do elevador e preferem se arriscar pela escadaria em formato de caracol. Lá se vão outros intermináveis 34 degraus. “Já pegamos senhoras caídas aqui”, disse Nádia.

Dona Antonina até tentou, mas teve que segurar firme no corrimão para não cair escada abaixo. Quando pensou que já tinha enfrentado todos os obstáculos da tarde, a aposentada resolveu parar diante da farmácia popular. Não ousou entrar depois de ver meia dúzia de idosos sentados, à espera de atendimento. “Vou para casa descansar”, resignou-se a aposentada que há pouco tempo formou-se no magistério.

Para Nádia, que já fez parte do Conselho Municipal do Idoso, embora não tenha dados exatos, cerca de 50% dos idosos de Criciúma vivem bem, mas ainda falta muita assistência. A começar pelo respeito dentro de ônibus.

Compartilhar:
Leia a seguirDespacho, crueldade e depredação no cemitério da Pedreira
Publicidade