Império de
Império de Delfim tenta justificar a barbárie
Por Redação Engeplus
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Denis Luciano *
Este sujeito ensanguentado é um cidadão de bem, cumpridor dos seus deveres, pagador de impostos. Eis que na noite do último sábado, no exercício da sua profissão, o radialista Rodrigo Santos transmitia pela rádio Cidade a conquista do Brusque, campeão da Copa Santa Catarina em plena Joinville.
A certa altura, seu local de trabalho foi invadido e, de pronto, lhe desferido um soco e alguns pontapés. O autor, já conhecido das lides policiais, Delfim Pádua Peixoto Neto.
Foi mais uma travessura do filho ilustre do não menos digno presidente-imperador da Federação Catarinense de Futebol.
Delfim Pádua Peixoto Filho, o pai-rei, discursou nesta sexta-feira tentando justificar o injustificável. Ao melhor estilo que consagra a demagogia e ignora a verdade, desfiou a retórica de político das antigas para sugerir, sem qualquer timidez, que tratava-se de uma "legítima defesa" do filho Delfinzinho.
Certamente, o herdeiro-príncipe da FCF, assessor especial do próprio pai e remunerado para isso, invadiu a cabine pois sabia que seria agredido pelo radialista, que estava narrando um jogo de futebol. Foi o que tentou sugerir o senhor Delfim. O pueril argumento, ridículo até, desafia a inteligência de nós todos, os mesmos que há tanto tempo somos massacrados pela desastrosa gestão do futebol barriga-verde.
Deveria o senhor Delfim, em nome da moral há tanto atirada no lixo, exonerar de imediato seu truculento assessor e entregar seu filho à polícia, que é quem deve tratar de tais casos. Colocando assuntos da sua família na ordem do dia da Federação, o imperador do pobre futebol catarinense nos coloca, daqui a pouco, diante da temida possibilidade de que outros profissionais de imprensa fiquem na alça de mira dos potentes cruzados do seu irritado filho.
Onde estão os clubes, logrados filiados que ficam a bancar o reinado incontestável de uma família neste negócio chamado futebol? O escândalo da arbitragem que não é sorteada mas sim escamoteada, denúncia do próprio vice da Federação, Waldir Lodetti, já não seria suficiente para um impeachment de Delfim? É, pelo visto falta aos clubes, também, alguns pré-requisitos para exigir moral e ética, varrendo o descalabro.
O Rodrigo e todos nós, trabalhadores da mídia esportiva catarinense, não queremos flashes nem notoriedade. Queremos moral, limpeza no esporte, queremos saber que os árbitros foram de fato sorteados, que não existam assessores fantasmas ou impostos por herança genética pagos com dinheiro dos combalidos clubes, ou fiscais de coisa alguma a nos importunar. Queremos gestão profissional e dignidade para trabalhar.
Queremos uma Associação de Emissoras que de fato defenda o operário da comunicação, e não apenas suba no muro cômodo das notas oficiais de gabinete. Queremos que sindicatos de radialistas e jornalistas não sirvam apenas para cobrar mensalidades, mas também e principalmente para defender os seus, e que os seus sejam os que fazem a mídia, não os que vivem de suga-la
Aquele soco do tal Delfinzinho, em uma terra onde o futebol fosse levado a sério, acabaria com um ciclo de selvageria, trevas e retrocesso. Mas, infelizmente, não vivemos sob tal virtude. Ah, tudo o que aqui foi dito parte de um princípio que norteia a vida de sua majestade Delfim: a liberdade de imprensa. Em nome dela, sugiro: fora Delfim! Dê a vez a outro. É melhor evoluir na democracia sem cabresto, do que na ditadura dos socos.
Radialista, diretor de esportes da Rádio Eldorado, editor de esportes do Portal Engeplus.
