Impressão salva
Impressão salva laboratórios fotográficos
Por Redação Engeplus
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Na disputa ferrenha entre o velho filme fotográfico e a câmeras digitais, a vitória tem sido do papel. O prazer de manusear fotos já repõe a receita dos laboratórios fotográficos em Criciúma, após o impacto das maquininhas que aposentaram a película.
"No começo, achamos que iríamos quebrar", conta o veterano fotógrafo Osmar Zappelini, há mais de 50 anos na raia, lembrando o início da transição. "As máquinas digitais chegaram com tudo e o nosso faturamento desabou."
Parece que faz tempo, mas foi quase ontem. A estratégia dos laboratórios de brindar os clientes com filmes a cada revelação, adotada nos anos 90, funcionou enquanto o suporte material se manteve em alta.
A migração para a tecnologia digital foi lenta porque os equipamentos eram caros. Na década atual, os preços baixos e o custo-benefício tornaram irreversível a substituição.
Do papel fotográfico embutido em envelopes selados, as fotos passaram a ser vistas nas telas dos computadores e das TV e a dar a volta no planeta em segundos, via email.
"O que nos salvou foi o fato de que, embora o filme venha caindo em desuso, muita gente ainda gosta de ver as fotos impressas", relata Zappelini. Ou simplesmente enviá-las a quem não tem computador, ele poderia acrescentar.
A permanência no mercado exigiu investimentos pesados de Zappelini. Ele se desfez de imóveis para importar do Japão uma impressora de última geração. O retorno? "Quem imprime fotos não imprime pouca coisa", revela.
Como prova, ele cita uma prática cada vez mais comum. "Antes, traziam as fotos em CDs. Agora, a maioria traz a máquina pra descarregar. Na semana passada, descarregamos 400 fotos da máquina de um casal que voltou da Europa."
O empresário e também fotógrafo Marcos Mendonça concorda e cita parâmetros de sua loja. "Nosso movimento entre revelação de filmes e cópias de digitais já se equipara", conta. "Está na base do meio a meio."
VELHOS HÁBITOS, NOVOS HÁBITOS
Não deixa de ser irônico que hábitos do passado distante - ou nem tanto - ressuscitem à sombra de modernos aparatos tecnológicos.
Quem já não tirou do bolso da calça o celular para ver as horas? Típico gesto de quem circulava com um daqueles relojões de bolso, acorrentados à presilha, na primeira metade do século 20.
Nas décadas que antecederam a fotografia digital, muita gente levava a máquina até a loja para que o filme fosse retirado e substituído. A dificuldade no manuseio era a causa.
Em plena Era Digital, mantém-se o vai-e-vem. Coisa de quem não sabe gravar ou não possui um gravador de CD.
Até a terminologia se rende a essa onda nostálgica. No passado, os laboratórios exibiam placas, cartazes e vitrines onde se lia Revele aqui as suas fotos. Na verdade, eles revelavam o filme. As fotos eram copiadas.
O convite se sustenta com um adendo (fotos digitais), mas ninguém revela mais nada. Apenas copia. O que pouco importa quando não se abre mão do prazer de ver no papel o que um clic ágil e um olhar antenado podem capturar.



