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Já está no Brasil a criciumense que foi presa em Londres acusada de sequestrar a filha
"Tenho vontade de fazer tudo de novo por ela, mas vou esperar por justiça", afirma Fernanda Souza Guiguer, inocentada após quase quatro meses de prisão
Por Redação Engeplus
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Já está de volta à região Sul catarinense a brasileira que foi presa em Londres, na Inglaterra, durante mais de três meses, sob acusação de sequestro. Natural de Criciúma, Fernanda Souza Guiguer, de 30 anos, foi acusada pelo ex-marido, Rafael Isidro Vieira, também de Criciúma, de ter sequestrado a filha do casal, Rafaely Guiguer Vieira, com quase nove anos. Nesta quinta-feira, Fernanda chegou ao aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, com o atual noivo, Wagner de Jesus Silva, natural de Salvador (BA), e foi recebida por alguns familiares. A filha, no entanto, continua em Londres.
Morando temporariamente no Balneário Rincão com a mãe, Magda Stela Souza, a criciumense afirma que voltou ao Brasil para fazer o que for possível para ter a filha de volta. Agora, a menina mora com o pai e o avô paterno em Londres, mas, segundo Fernanda, eles não têm a guarda judicial da garota. "Fomos casados por sete anos, mas nos divorciamos em 2008, quando a Rafaely tinha quatro anos, ainda no Brasil. Quem tem a guarda total dela sou eu. Ele tinha direito a visitas e nunca tentou ficar com a guarda da nossa filha", enfatiza Fernanda.
Desde novembro do ano passado, quando foi presa pela Polícia Metropolitana de Londres, Fernanda não vê e não tem notícias de Rafaely. As duas, junto de Wagner, tentavam voltar para o Brasil quando foram detidos. "Tudo começou porque o Rafael não quis mais devolver a menina para mim. Eu, ela e meu noivo morávamos na Itália, onde ela também estudava. Nas férias de junho passado a Rafaely foi para a casa de uma irmã do pai dela, em Londres, mas ele havia voltado para o Brasil. Quando ele soube que a filha estava lá, ele voltou para Londres e queria que a Rafaely ficasse direto com ele, mas quem possui a guarda dela sou eu", explica a mãe.
"Procurei o Consulado Brasileiro na Itália e a polícia inglesa, já que ele não deixava eu falar com minha filha, nem ir buscá-la. Porém, nada foi feito pelas autoridades. Foram quase quatro meses sem contato com ela. Por isso, eu e meu noivo fomos pegar a Rafaely. Aproveitamos um momento em que ela estava na rua com o enteado do avô paterno e a pegamos. Em seguida, o Rafael procurou a polícia e me acusou de sequestro", lembra Fernanda.
Ela conta que pretendia voltar para o Brasil com a filha e o noivo, mas não conseguiu, pois foi presa quando o avião fez uma escala de Milão, na Itália, para Londres. Do aeroporto, os três foram direto prestar depoimento e Fernanda explicou que tinha a guarda da filha, mas a polícia inglesa não aceitou as alegações e o casal foi preso.
A mãe de Rafaely explica que foi necessário validar o documento da guarda judicial no território europeu. Isso foi feito com a ajuda de uma advogada brasileira que atua em Londres, mas ainda não foi suficiente. "Na Inglaterra existe a chamada Parental Responsability, ou seja, o responsável por uma criança é quem zela por ela e a sustenta, mesmo que não tenha a guarda judicial. A promotoria inglesa alegava que o Rafael tinha esse direito, mas era o contrário, pois eu é que criava a Rafaely na Itália. A justiça inglesa levou quatro meses para entender isso e foi preciso contratar um especialista em Direito Internacional. Não se tratava de um caso da Inglaterra, mas de nível internacional, pois até Brasil e Itália também estavam envolvidos", ressalta Fernanda.
A intervenção do especialista serviu para que o casal fosse solto e a promotoria abandonasse o caso. "Esse especialista concluiu que eu estava fazendo algo que era meu por direito, buscar a minha filha na casa do pai, que não tinha a guarda dela. O profissional deu o parecer às 10 horas do dia 15 de fevereiro e uma hora depois já estávamos soltos, pois a justiça inglesa reconheceu que houve um grande erro. Caso isso não acontecesse, o julgamento já tinha até data marcada, 18 de março, e seria por júri popular. A condenação por sequestro, na Inglaterra, é de um a sete anos, mas acredito que seríamos inocentados de qualquer modo, não existe fundamento para o que a promotoria e o Rafael nos acusavam", garante.
Para Fernanda, a maior vontade é ver a filha de novo e poder ficar com ela. No entanto, a jovem mãe também espera por Justiça. "O Rafael fez acusações graves sobre mim e deve responder por isso. Ele também terá que pagar as pensões alimentícias que estão atrasadas. Tenho voltade de voltar para a Europa e pegar minha filha, fazer tudo de novo, mas só quem passou pelo que eu passei sabe o quanto é difícil. Meu pai já é falecido, mas minha mãe, familiares e amigos sofreram junto comigo. Fui acusada por um crime que não cometi, acredito que a intenção do Rafael era me atingir, mas penso que a pessoa mais prejudicada nessa história é a nossa filha", conclui Fernanda.



