Carvão limpo
Laboratório pioneiro na América Latina é inaugurado em Criciúma
Por Redação Engeplus
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O Centro Tecnológico de Carvão Limpo (CTCL) da Satc é sede do primeiro laboratório de captura de CO² da América Latina. A estrutura, alvo de um aporte de R$ 4,4 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Governo do Estado (Fapesc) mais parcerias privadas e nacionais, foi inaugurada na manhã desta segunda-feira pelo ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho. O investimento global chegou a quase R$ 10 milhões entre estrutura e equipamentos.
“Reafirmamos nosso compromisso com os organismos internacionais para redução da emissão de carbono mas como ministro trago o compromisso de explorar todo o nosso potencial energético, seja qual for”, manifestou Coelho, enfatizando apoio ao setor carbonífero.
O ministro anunciou, ainda, a criação de um grupo de trabalho interministerial para discutir a implantação de uma política industrial para o carvão mineral brasileiro. “Provavelmente a partir de agosto. Queremos defender todo o valor agregado que essa cadeia tem. Existem outras possibilidades mais limpas de geração de energia, mas uma não substitui a outra”, manifestou.

Os ministérios da Casa Civil, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia deverão integrar o colegiado, além de Minas e Energia. “Não queremos trocar fonte limpa por carvão, queremos dar atenção às usinas cuja vida útil está no final para manter esses empregos e essa movimentação econômica importante para esta região”, frisou Coelho. Ele lembrou que há até sete anos no máximo de vida útil para a maioria das usinas, e será importante estabelecer novas estratégias e contratos para o futuro. “Queremos manter de 1,8% a 2,2% a participação do carvão na matriz energética do Brasil. Se nada for feito, esse número pode reduzir e até zerar, o que traria graves conseqüências para o sul do Brasil”, concluiu.
Com o ministro, boas notícias
Um ministro de Minas e Energia não visitava Criciúma desde o começo dos anos 2000, quando o então titular Rodolfo Tourinho esteve na cidade. E a presença foi comemorada pelas autoridades do setor do carvão.
“Será lançado amanhã o novo Código da Mineração. O atual é dos anos 30. Precisamos que o DNPM vire uma agência reguladora. E estão debatendo o aumento de impostos para a indústria do carvão, estamos questionando isso. Mas a criação do grupo interministerial que o ministro anunciou é realmente uma ótima notícia”, frisou o presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM), Fernando Zancan.
“Havia um programa para substituir máquinas térmicas por equipamentos mais modernos nas usinas, com menor impacto ambiental, e que garantiriam a modernização da indústria do carvão até 2027, mas isso foi vetado pelo presidente Temer por pressão dos ambientalistas”, completou.

O vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB) lembrou que “o carvão sempre foi um patinho feio no setor energético”, e que a luta por uma política unificada para o setor vem desde a sua época de deputado federal. “Fui presidente da Comissão de Minas e Energia na Câmara e já lutávamos por isso em 1992”, recordou. “E a inauguração do laboratório de captura de CO² acena para a importância do investimento em pesquisa para o carvão continuar gerando desenvolvimento para o sul”, apontou o deputado estadual Cleiton Salvaro (PSB), presidente da Comissão de Minas, Energia, Economia, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa (Alesc).
O senador Paulo Bauer (PSDB), presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Carvão Mineral, acompanhou o ministro Fernando Coelho no roteiro pelo sul. Além da Satc, ele esteve também na Usina Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo. “Esse trabalho de pesquisa que o laboratório fará é muito importante. Nos últimos anos a Frente conseguiu ajudar a garantir o carvão como insumo da geração de energia no Brasil, o que assegura desenvolvimento para a região de Criciúma”, arrematou.



