Lembranças e
Lembranças e gratidão: sentimentos do 11º encontro dos “Meninos da Irmã Cláudia”
Por Redação Engeplus
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Histórias, lembranças e gratidão. Foram estes os sentimentos do 11º encontro anual dos “Meninos da Irmã Cláudia”. O encontro aconteceu no salão paroquial da igreja matriz Nossa Senhora da Salete, no bairro Próspera. Bairro que a irmã esteve cerca de dez anos entre as décadas de 1950 e 1960. Conforme a Irmã Cláudia Freitas, rever os meninos que ela criou é uma alegria sem explicação.
"Todos os encontros são preparados com muito amor e com muito carinho. Que Deus me dê forças para continuar vindo aqui. Neste encontro, temos vários meninos que hoje seguem carreiras e muitos não moram mais na comunidade, mas aqui são todos iguais. São médicos, engenheiros, operários, mineiros, ou seja, não tem classe social, pois todos foram criados juntos e da mesma maneira", destaca.
A Irmã, que é natural de Minas Gerias, chegou ao bairro Próspera, quando tudo seguia de forma rudimentar. Através de um convênio entre as indústrias mineradoras e o Sesi com a ordem religiosa das Pequenas irmãs da Divina Providência, a Irmã Claudia veio para a localidade auxiliar nas questões de educação e saúde, pois Criciúma era desenvolvida através da exploração do carvão. As doenças advindas da poluição provocada pelo minério deixaram muitas pessoas doentes, principalmente as crianças. “Muitas vezes saia correndo de Jeep, o veículo que nós tínhamos para socorrer alguém. Saia sem o véu mesmo, e naquela época uma freira sair sem o véu era um escandâlo. Também visitava muitas famílias, fazíamos um trabalho grande na comunidade” , recorda.
De acordo com a irmã, depois de tantos anos é muito gratificante olhar para trás e ver tudo o que foi feito para os meninos da Próspera. "Um deles me disse: 'vocês deram para nós uma infância feliz'. Fiquei muito alegre de ouvir isto, e foi o que nós fizemos, eles não tinham nada então a nossa assistência era de enorme valia", afirma. A Irmã relembra que até hoje não sabe como tantas pessoas cabiam no famoso Jeepe. "Colocávamos tanta gente naquele carro que até hoje não sei explicar. Nós andávamos para cima e para baixo. Os meninos limpavam para mim, era uma coisa espetacular", recorda a Irmã Claudia.
Os meninos - Um dos meninos da Irmã, foi seu Valter Pecheco, o Torinho, hoje com 72 anos de idade. Segundo, Torinho, a Irmã Claudia foi sua segunda mãe. "Ela foi minha mãezinha. Agradeço tudo a ela, tudo que eu sei ela me ensinou. Eu era um malandrão, mas ela me ensinou a ser gente. Quando fazia algo de errado ela me orientava, me castigava, mas assim aprendi a ter moral e educação", destaca. "Me criei aqui, mas agora moro em Laguna e não pensei dias vezes em sair de lá para vir ao encontro", comenta Torinho.
Segundo um dos meninos, Valter Norberto Bongiollo, de 62 anos, e um dos organizadores dos encontros anuais dos “Meninos da Irmã Cláudia", o encontro foi ótimo. Compareceu cerca de 70 meninos. Alguns que não tinham vindo nas outras edições compareceram. Mais uma vez foi um sucesso", avalia Bongiollo.
A Irmã ficou inserida na vida destes garotos até meados da década de 60, época em que o convênio deixou de existir e a religiosa foi transferida para missões semelhantes em outras cidades, estados e até na África. "Não me recordo muito bem, sei que na revolução de 1964 eu estava no Rio de Janeiro, então creio que tenha partido da cidade em 1962 ou 1963", comenta Claudia.
Como começou os encontros - Ao completar 50 anos de vida religiosa, Irmã Cláudia, em 2000, manifestou o desejo de marcar a data com uma missa em Criciúma, quando reviu alguns de seus “meninos”. A partir do ano seguinte, sempre em outubro, ela retorna para novos encontros.
Hoje, a Irmã está com 87 anos, e adianta. “Se Deus quiser e me der força, pretendo fazer minha festa de 90 anos aqui em Criciúma, do lado dos meus meninos”.



