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Lipedema: quando não é “apenas gordura localizada”

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Como a alimentação pode ajudar no controle da inflamação e da dor do Lipedema

Por Karolaine Duminelli14 de maio de 2026 3 min de leitura
Foto: Divulgação Instituto Lipedema Brasil / ONG Movimento Lipedema

O lipedema é uma doença crônica e progressiva caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente em regiões como quadris, coxas, joelhos e pernas. Em alguns casos, também pode atingir braços e tronco. Entre os sintomas mais comuns estão: dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso nas pernas, inchaço, hematomas frequentes e fadiga.

Apesar de afetar milhões de mulheres, o lipedema ainda é pouco conhecido. A doença foi oficialmente incluída na Classificação Internacional de Doenças apenas em 2022, o que explica por que muitas pacientes passam anos sem diagnóstico correto.

As causas exatas ainda não são totalmente compreendidas, mas os estudos mostram forte relação com fatores hormonais, genéticos, inflamatórios e alterações vasculares. É comum que os sintomas apareçam ou se intensifiquem em períodos de grandes mudanças hormonais: puberdade, gravidez, menopausa e uso de anticoncepcionais.

Por ser frequentemente confundido com obesidade ou linfedema (acúmulo de líquido nos tecidos), muitas mulheres se frustram durante o processo de emagrecimento. Isso porque o lipedema não responde da mesma forma às dietas e aos exercícios convencionais. Por isso, o diagnóstico correto, feito por um profissional capacitado, é fundamental.

O tratamento deve ser individualizado e normalmente envolve uma combinação de estratégias, como:

alimentação anti-inflamatória

prática regular de exercícios físicos

melhora dos hábitos de vida

drenagem linfática

uso de meias compressivas

procedimentos estéticos

medicamentos

Tudo é avaliado de forma individualizada diante de cada caso!

A alimentação possui papel extremamente importante no controle da doença. Embora a dieta não “cure” o lipedema, ela pode ajudar significativamente na redução da inflamação, da retenção de líquidos e dos sintomas dolorosos. Os principais objetivos da intervenção nutricional são reduzir processos inflamatórios, melhorar a circulação, controlar a retenção de líquidos, equilibrar hormônios e auxiliar no controle do peso.

Uma alimentação equilibrada, rica em alimentos anti-inflamatórios e antioxidantes, pode trazer benefícios importantes:

Peixes ricos em ômega-3

Frutas vermelhas, fontes de antioxidantes

Vegetais crucíferos, como brócolis e couve-flor

Azeite de oliva extra virgem

Verduras verde-escuras, ricas em fibras

Leguminosas, como feijão e lentilha

Abacate, fonte de gorduras boas

Melancia e pepino, que auxiliam na hidratação e na retenção de líquidos

Por outro lado, alguns alimentos podem piorar os sintomas, aumentando a inflamação e o inchaço:

Produtos ultraprocessados e ricos em sódio, como embutidos, congelados e enlatados

Açúcar e carboidratos refinados, presentes em doces, refrigerantes e produtos industrializados

Gorduras trans e excesso de frituras, comuns em fast foods e alimentos ultraprocessados

Diante disso, é importante destacar que o tratamento do lipedema deve envolver acompanhamento multidisciplinar, especialmente entre médico e nutricionista. Dietas restritivas feitas sem orientação podem piorar os sintomas, favorecer deficiências nutricionais e aumentar ainda mais o desconforto da paciente.

O lipedema é uma condição crônica, mas, quando tratado corretamente, é possível controlar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e devolver funcionalidade e bem-estar para essas mulheres.

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