Foto: Divulgação Instituto Lipedema Brasil / ONG Movimento Lipedema
O lipedema é uma doença crônica e progressiva caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente em regiões como quadris, coxas, joelhos e pernas. Em alguns casos, também pode atingir braços e tronco. Entre os sintomas mais comuns estão: dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso nas pernas, inchaço, hematomas frequentes e fadiga.
Apesar de afetar milhões de mulheres, o lipedema ainda é pouco conhecido. A doença foi oficialmente incluída na Classificação Internacional de Doenças apenas em 2022, o que explica por que muitas pacientes passam anos sem diagnóstico correto.
As causas exatas ainda não são totalmente compreendidas, mas os estudos mostram forte relação com fatores hormonais, genéticos, inflamatórios e alterações vasculares. É comum que os sintomas apareçam ou se intensifiquem em períodos de grandes mudanças hormonais: puberdade, gravidez, menopausa e uso de anticoncepcionais.
Por ser frequentemente confundido com obesidade ou linfedema (acúmulo de líquido nos tecidos), muitas mulheres se frustram durante o processo de emagrecimento. Isso porque o lipedema não responde da mesma forma às dietas e aos exercícios convencionais. Por isso, o diagnóstico correto, feito por um profissional capacitado, é fundamental.
O tratamento deve ser individualizado e normalmente envolve uma combinação de estratégias, como:
alimentação anti-inflamatória
prática regular de exercícios físicos
melhora dos hábitos de vida
drenagem linfática
uso de meias compressivas
procedimentos estéticos
medicamentos
Tudo é avaliado de forma individualizada diante de cada caso!
A alimentação possui papel extremamente importante no controle da doença. Embora a dieta não “cure” o lipedema, ela pode ajudar significativamente na redução da inflamação, da retenção de líquidos e dos sintomas dolorosos. Os principais objetivos da intervenção nutricional são reduzir processos inflamatórios, melhorar a circulação, controlar a retenção de líquidos, equilibrar hormônios e auxiliar no controle do peso.
Uma alimentação equilibrada, rica em alimentos anti-inflamatórios e antioxidantes, pode trazer benefícios importantes:
Peixes ricos em ômega-3
Frutas vermelhas, fontes de antioxidantes
Vegetais crucíferos, como brócolis e couve-flor
Azeite de oliva extra virgem
Verduras verde-escuras, ricas em fibras
Leguminosas, como feijão e lentilha
Abacate, fonte de gorduras boas
Melancia e pepino, que auxiliam na hidratação e na retenção de líquidos
Por outro lado, alguns alimentos podem piorar os sintomas, aumentando a inflamação e o inchaço:
Produtos ultraprocessados e ricos em sódio, como embutidos, congelados e enlatados
Açúcar e carboidratos refinados, presentes em doces, refrigerantes e produtos industrializados
Gorduras trans e excesso de frituras, comuns em fast foods e alimentos ultraprocessados
Diante disso, é importante destacar que o tratamento do lipedema deve envolver acompanhamento multidisciplinar, especialmente entre médico e nutricionista. Dietas restritivas feitas sem orientação podem piorar os sintomas, favorecer deficiências nutricionais e aumentar ainda mais o desconforto da paciente.
O lipedema é uma condição crônica, mas, quando tratado corretamente, é possível controlar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e devolver funcionalidade e bem-estar para essas mulheres.