Alerta
Maconha, a porta de entrada para as drogas
Por Redação Engeplus
2 min de leitura

Maria tinha três filhos. Não agüentava mais sofrer pelo vício do primeiro. O segundo, seguiu o mesmo rumo. O terceiro, idem. Envolvidos com vício, cada qual, ao seu tempo, partiu cedo. E com a morte de cada um deles, apagava-se um pouco daquela pobre mãe. Quando o terceiro – após os outros dois já terem sido dizimados pela drogadição – desfaleceu nos braços dela, baleado por conflito de narcótico, o coração materno sucumbiu. Poucos dias e era a vida dela que acabava. Logo ela, que nunca cheirou, que nunca fumou, que nunca traficou, mas que viu o destino sombrio das drogas levar seus amores, e sua alegria de viver.
A história acima é real, aconteceu em Criciúma e ilustra o triste cenário da devastação familiar promovida pelas drogas. “É preciso desmistificar o uso da maconha”, assinala o psicólogo Manoel Rozeng, que por muito tempo presidiu o Conselho Municipal Antidrogas (Comad). “A maconha aumenta em 310% a chance de adolescentes desenvolverem um quadro de esquizofrenia além de ser, reconhecidamente, a porta de entrada para o consumo de outras drogas mais pesadas”, detalha Rozeng, um estudioso do tema faz décadas. “Com 16 anos, consumi maconha duas vezes. Passei mal, e tomei uma lição tão severa da minha mãe que nunca mais experimentei de novo. Tive a sorte que vários amigos meus não tiveram”, lamenta.
Pesquisa realizada em 2010, em Criciúma, ouviu 4.735 pessoas, questionadas se consumiram drogas nos trinta dias anteriores. Destes, 4% reconheceram que usaram maconha, e 1,5% citaram cocaína, enquanto 80% mencionaram medicamentos, e 33% cigarro. “Faltam políticas públicas contra essa triste realidade. Medicamentos, cigarro e álcool são mais reconhecidos, por questões sociais. Mas abrem caminho para o resto”, comenta Rozeng.
Um custo para todos
O custo social do vício é elevadíssimo. “E os empresários não se alertaram para isso. O indivíduo viciado vai para o crime”, assinala o pastor Vânio de Oliveira, idealizador do Desafio Jovem, que há mais de 3 anos trabalha para afastar homens das drogas em Criciúma. Ele lembra que, atualmente, o Sul do Estado conta com 30 comunidades terapêuticas, cada uma com média de 20 atendidos. “São 600 pessoas que, se estivessem nas ruas, estariam roubando, ameaçando, traficando”, contabiliza. Em toda Santa Catarina, são mais de 3 mil atendidos em cerca de 250 comunidades.



