Protesto
Mais uma vez reunidos, mineiros de Criciúma protestam morte de vice-presidente da Cooperminas
Desta vez, o movimento foi em frente à Delegacia Regional
Por Redação Engeplus
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A chuva atrasou, mas não impediu a manifestação dos mineiros de Criciúma de protestarem. Depois do movimento contra a fraude que impediu que R$ 20 milhões chegassem ao Sindicato dos Mineiros, foi a vez de pedir justiça pela morte do ex vice-presidente da Cooperminas. Os trabalhadores seguiram até a Delegacia Regional onde representantes do sindicato e da Cooperminas, junto com familiares do antigo vice-presidente da Cooperminas que foi assassinado no dia 28 de dezembro de 2014, conversaram com o delegado regional Jorge Koch.
“A intenção desses nossos protestos, que tendem a continuar, é ter uma resposta ao assassinato do Fernando e a fraude. Ninguém deu nenhum parecer para nós ainda. Já sofri uma tentativa de homicídio e até hoje não tive resposta. Estamos com medo dessa situação”, disse o atual presidente da Cooperminas, Juliano Militão Medeiros, que sofreu uma tentativa de homicídio em abril de 2014.
Depois de, aproximadamente, 30 minutos em uma reunião com o delegado, familiares e representantes que participaram da conversa saíram da sala mais satisfeitos. O presidente da Cooperminas acredita que depois deste movimento as investigações podem ser intensificadas.
“Estamos felizes por ser ouvidos. Isso demonstra que a classe unida é mais forte. O delegado nos pediu tempo pois as investigações estão sendo concluídas”, contou. De acordo com o delegado regional, esta é uma situação complexa e por isso demanda tempo.
“Temos 30 dias para concluir o inquérito, sendo que podemos prorrogar por mais 30 dias. Ainda assim, se em 60 dias não tivermos as provas, vamos pedir mais um prazo à justiça. Não tenho dúvidas de que chegaremos ao autor do crime”, frisou Koch.
Emocionada, a mãe do vice-presidente que foi assassinado, Maria Gomes Marques, demostrou indignação e tristeza. “Quero que essa pessoa assuma o que fez. Quero justiça. Tiraram um pedaço de mim. Meu filho era um homem bom e honesto”
Entenda o caso – Um documento com data de 1998 foi encontrado em uma gaveta do Sindicato dos Mineiros na última semana. Este, trata-se de um contrato onde a Cooperativa de Extração de Carvão Mineral dos Trabalhadores de Criciúma (Cooperminas) assumiu um compromisso de repassar cerca de R$100 mil ao sindicato, todo mês.
Porém, conforme o atual presidente da Cooperminas este dinheiro nunca chegou. O que soma uma dívida de, aproximadamente, R$ 20 milhões. A diretoria do sindicato e da Cooperminas acredita que o desvio deste dinheiro, a tentativa de assassinato do atual presidente da Cooperminas e a morte do vice-presidente, tenham relação direta com o desvio deste dinheiro e que o responsável pelo crime teria feito isso por queima de arquivo.
Relembre a troca de diretoria - O Sindicato dos Mineiros é alvo de uma Ação Civil Pública instaurada pelo Ministério Público do Trabalho que foi desencadeada após a reivindicação de um grupo de trabalhadores da empresa Cooperminas, que não estava contente com a gestão da época e com a falta de prestação de contas das movimentações feitas pela direção do Sindicato. Um dos principais itens relatados ao MPT foi a não divulgação da realização do processo eleitoral, que estava em andamento, para que chapas oponentes a que estava no comando pudessem ser inscritas.
Em assembleia a antiga diretoria foi destituída e uma diretoria provisória foi eleita para comandar o Sindicato. No dia da posse os integrantes da antiga diretoria permaneceram dentro da sede do Sindicato e tentaram contabilizar os votos do processo eleitoral que estava em andamento. Depois de intervenção da Polícia Militar (PM) a diretoria provisória assumiu o comando do Sindicato e deu início a um novo processo eleitoral, de acordo com o que foi deliberado em assembleia.



