Medicamento contra Alzheimer aprovado nos EUA traz esperança, mas comunidade médica pede cautela
Órgão regulador anunciou a autorização para o Aducanumab no início da semana
Por Redação Engeplus
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Talvez você nunca tenha ouvido falar do Aducanumab. Porém, em breve, o nome desse medicamento tende a se tornar familiar - e suscitar uma série de debates. O remédio recebeu na segunda-feira semana a aprovação do FDA - equivalente à Anvisa nos Estados Unidos - para ser utilizado por pacientes com Alzheimer, doença que, segundo estimativa do Ministério da Saúde, acomete 1,2 milhão de brasileiros.
É a primeira vez em 20 anos que a agência reguladora de saúde dos EUA aprova um fármaco contra esse transtorno neurodegenerativo, que afeta diversas áreas da cognição e progressivamente compromete a funcionalidade do paciente. A notícia gera esperança em quem convive com a doença, porém, dentro da comunidade científica, existe muita cautela com o furor causado pela permissão do uso da medicação. Inclusive, no último ano, um comitê consultivo concluiu não haver evidências contundentes de eficácia do tratamento com Aducanumab.
Porém, em, seu site oficial, o FDA afirmou haver "provas substanciais suficientes de que o Aduhelm (nome comercial do medicamento) reduz as placas beta-amiloides no cérebro, e que essa redução faz com que seja razoavelmente provável antecipar benefícios para os pacientes".
"Essa autorização contempla as pessoas que estão nas fases prodrômicas e iniciais do Alzheimer, e os dois ensaios clínicos conduzidos com o Aducanumab foram interrompidos por não demonstrarem benefício clínico. Quando comparados com placebo, os pacientes tratados com medicamento tiveram redução das placas beta-amiloides nos exames de imagem, mas não houve nenhuma melhora clínica relevante. Será necessário ampliar as pesquisas para, com o levantamento de dados mais robustos, termos segurança na eficácia e utilização desta medicação", explica a médica geriatra Sandra Grijó Búrigo.
Quando o paciente começa a desenvolver os sintomas cognitivos da doença, estima-se que a cascata de alterações bioquímicas relacionadas ao desenvolvimento do Alzheimer já havia iniciado no cérebro pelo menos cinco anos antes. Além disso, sabe-se que doenças neurodegenerativas não têm uma causa única. “De maneira alguma pode-se afirmar que o Aducanumab é uma cura para o Alzheimer. Essa medicação provoca a diminuição da deposição de placas beta-amiloide no cérebro, o que é apenas um dos mecanismos fisiopatológicos da doença. Mas sabemos que as causas do Alzheimer são multifatoriais, ou seja, vários mecanismos atuando em conjunto, incluindo genética, doenças vasculares, estilo de vida, nível de escolaridade, dentre outros”, detalha a geriatra.
O uso do aducanumab no Brasil vai depender do aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Até o momento a fabricante, Biogen, entrou com pedido de aprovação somente nos Estados Unidos e na Agência Europeia de Medicamentos (EMA).
Colaboração: João Pedro Alves



































