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Modalidades digitais redefinem conceito de esporte; saiba como o Brasil se posiciona neste contexto

Esportes digitais crescem cada vez mais no mundo todo

Por Redação Engeplus

6 min de leitura

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Foto: Divulgação/Wikimedia

Não é novidade que a revolução tecnológica das últimas décadas mudou a sociedade em diversos âmbitos da relação humana – trabalho, comércio, comunicação, relações internacionais, entre outras áreas. Isso ficou ainda mais evidente depois do surgimento do “novo normal” desencadeado pela crise global de Coronavírus O conceito de esporte também passou por uma redefinição, sobretudo desde o início da década passada.

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Por anos e anos, a prática de esportes esteve relacionada a alguma atividade física – seja no âmbito coletivo, como futebol, basquete e outras modalidades, ou no âmbito individual, como corrida de rua, tênis, boxe, etc. Porém, limitar a prática esportiva à atividade física já não cabe mais nos dias atuais. A revolução digital trouxe novas modalidades – e aprimorou outras.

Esports: uma febre mundial

Arenas lotadas para competições de jogos passaram a ser algo comum nos últimos anos. Foto: Divulgação/Flickr

Essa transformação passa pela popularização dos jogos eletrônicos competitivos, os esports. Nada mais são que jogos de vídeo game disputados online entre jogadores ou equipes, com a diferença de que não é preciso estar frente a frente com seu oponente, como acontece nos esportes mais tradicionais.

O que era antes uma brincadeira de criança ganhou contornos nunca imaginados. São vários os fatores que aproximam um jogador de tênis profissional de um competidor de Counter-Strike – apenas para citar um exemplo.

A começar pelo fato de que o jogo de vídeo game se profissionalizou: os competidores fazem parte de equipes, recebem salários e patrocínios e precisam dedicar horas a treinamentos para chegarem afiados aos torneios. Não basta simplesmente ligar o computador ou console e jogar – há todo um processo antes de entrar em um campeonato.

Para se ter uma ideia, assim como em outros esportes, muitos jogadores deixam suas cidades natal para se concentrarem nas chamadas “Gaming Houses”, que são uma espécie de centro de treinamentos das equipes profissionais.

Outro fator que aproxima as novas modalidades dos esportes digitais é o público, que é cada vez maior. Antes da pandemia, era comum ver arenas lotadas para a disputa de torneios de League of Legends, Call of Duty ou Fortnite, por exemplo. Esse público também trouxe demanda para a transmissão dessas competições na TV (inclusive em canais abertos, como a Globo, que chegou a transmitir jogos de futebol eletrônico em 2020) – além dos meios digitais como YouTube e Twitch.

Poker também ganha destaque nas redes

Playing poker online: cards and chips on a laptop | 🚨 Marco… | Flickr

Esporte da mente mobiliza milhares de usuários na internet. Foto: Divulgação/Flickr

Um bom exemplo de modalidade que fez uma transição do “analógico” para o digital foi o poker – que embora tenha contornos de jogos de azar, é reconhecido atualmente como um esporte da mente.

É verdade que o cenário online do jogo de cartas já é bastante ativo desde meados da década de 90, mas o atual contexto mundial de pandemia atraiu ainda mais holofotes para o poker online. Hoje, a modalidade é mais praticada do que o poker tradicional em cassinos e clubes – e também movimenta bilhões de dólares anualmente.

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Grandes marcas como World Series of Poker e World Poker Tour se renderam de vez ao digital, e muitos jogadores famosos por se destacarem nas mesas pelo mundo estão focados agora no online. As vantagens são enormes, já que não há a necessidade de se locomover a um cassino de Las Vegas para ganhar milhares ou milhões de dólares em torneios – é possível fazer isso sem sequer sair de casa.

Como o Brasil se posiciona nos esportes digitais?

É verdade que ainda estamos atrás de países como China e Estados Unidos, por exemplo, mas o Brasil ocupa um lugar de importância no cenário dos esports – não apenas pelo tamanho de mercado que representa (considerado o maior da América Latina), mas também pelo bom desempenho de competidores brasileiros no mundo digital.

No poker online, por exemplo, o Brasil ocupa um lugar de enorme destaque: são mais de 20 no top 100 do ranking mundial, incluindo os dois primeiros do planeta: Brunno Botteon e Yuri Martins. O país ainda conta com grandes nomes do online como Pablo Brito, João Simão, Dayane Kotoviezy, Bruno Volkmann, entre outros.

Só na última edição do World Series of Poker, que foi disputada 100% online por conta da pandemia, o Brasil faturou quatro braceletes, sendo um dos países que mais de destacaram na competição. Hoje, não é exagero falar que a nação faz parte da elite do poker online mundial.

Nos esports, não é diferente. O Brasil já fez campeões mundiais em jogos como Counter-Strike, Rainbow Six, Magic, Clash Royale, Free Fire, Pro Evolution Soccer e FIFA – além de ter um cenário nacional bastante desenvolvido em outros jogos como League of Legends e Overwatch.

O Counter-Strike talvez seja o melhor exemplo do protagonismo brasileiro. Jogadores como Marcelo David (coldzera), Epitácio de Melo (TACO), Gabriel Toledo (FalleN) e Fernando Alvarenga (fer) são considerados entre os melhores do mundo na modalidade – e não à toa já superaram a barreira do sete dígitos em premiações, de acordo como o site Esports Earnings.

O que esperar do esportes digitais no futuro?

A resposta pra essa pergunta passa pelo crescimento do setor enquanto negócio. De acordo com um estudo da Report Linker, o mercado de Esports deve registrar uma Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR) de 20% no período entre 2021 e 2026 Há uma expectativa de ele supere a marca de US$ 1 bilhão em faturamento em 2021. Segundo a consultoria Newzoo, a projeção é de US$ 1,8 bilhão para 2022.

Com tanto dinheiro em jogo, não é de espantar que as grandes competições paguem fortunas aos vencedores. Só o The International, maior torneio de Dota 2 (jogo popular de estratégia em tempo real) distribuiu mais de US$ 30 milhões em prêmios em sua última edição ao vivo, disputada em 2019. A tendência é que essas cifras só aumentem.

Esse crescimento deve ser acompanhado pelo aumento do público espectador, que é cada vez maior. Isso deve criar mais espaço para as transmissões de esports na televisão e impactar também o mercado publicitário – que hoje já é responsável por gerar cerca de 70% da receita do setor.

Com isso, a tendência é que os jogos se profissionalizem cada vez mais e que novos jogadores apareçam aos montes. Podemos observar, inclusive, uma mudança de comportamentos dos pais e educadores, uma vez que os vídeo games deixaram de ser mera brincadeira de criança e passaram a ser uma oportunidade de carreira para os filhos.

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