Rodovia dos trilhos
Moradores protestam contra alteração no projeto de pavimentação da avenida Manoel Gregório
Comunidade alega que mudança no traçado causa prejuízo para cidadãos e motoristas
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A pavimentação da avenida Manoel Gregório, em Içara, conhecida como a Rodovia dos Trilhos, que ligará o centro da cidade com a BR-101, gerou manifestação dos moradores da comunidade de Esperança na manhã desta quarta-feira, dia 21. O projeto prevê a alteração do traçado original da estrada, deixando os cidadãos descontentes.
Sirlei Machado Baldissera é moradora do bairro e alega que a mudança do caminho vai trazer prejuízos para quem precisará utilizar a rodovia e também para a comunidade. Segundo ela, o projeto inicial era de que a pavimentação aconteceria em linha reta, seguindo paralela ao trilho, até chegar a BR-101. Com a proposta que está em andamento, os usuários da estrada precisarão atravessar três vezes a ferrovia.
“Com a nova rota, a rodovia também vai passar em frente ao cemitério. Ali, quando tem velório, chega a ter mais de 100 carros. Vamos perder estacionamento e a estrada vai passar bem na entrada da capela mortuária, fica perigoso. A estrada em linha reta é ainda uma questão cultural da comunidade. A gente sempre utilizou o traçado desta forma. Inclusive, anos atrás, a Ferrovia Tereza Cristina impediu a passagem dos moradores sobre o trilho, por questão de segurança. Agora eles estão defendendo as travessias”, contou.

O traçado que está sendo construído tem também foco no futuro. É que a nova pavimentação passará pelo local onde será instalado o Terminal Intermodal Sul (TIS). Em entrevista ao jornalista João Paulo Messar, da Rádio Eldorado, a prefeita de Içara, Dalvania Cardoso, afirmou que o trecho onde ocorrerá o desvio passa pela área de domínio da Ferrovia Tereza Cristina (FTC) e que a empresa aprovou o projeto como está sendo implementado.
“Como foi feito às pressas, o projeto acabou não sendo apresentado para a comunidade que achava que seguiria o trajeto antigo. Nós não alteramos o traçado. A única mudança que pedimos, enquanto Governo Municipal foi a construção de uma ciclofaixa, o que foi atendido pelo Governo de Santa Catarina. Com esta manifestação, agora precisamos encontrar uma solução. A nossa equipe técnica e os profissionais da ferrovia estão discutindo o assunto”, garantiu.
Conforme Dalvania, uma primeira reunião foi realizada com a comunidade. “Eles não são contrários à ferrovia, às novas empresas que se instalação no TIS”, salientou. Sirlei confirma a versão da prefeita. “Nós entendemos a importância da vinda das empresas, do trem, mas a nossa comunidade vai completar 100 anos. Quem está vindo pra cá que precisa se adaptar com a comunidade e não o contrário”, finalizou. A pavimentação será de 6,2 quilômetros e o investimento é de R$ 10 milhões, com a maior parte dos recursos do Governo do Estado e uma parcela de contrapartida do município.
A reportagem do Portal Engeplus entrou em contato com a Ferrovia Tereza Cristina. A empresa se manifestou sobre o caso por meio de uma nota:
No ano passado, a Prefeitura Municipal de Içara encaminhou um projeto de pavimentação para análise e aprovação da Ferrovia, por envolver uma obra assentada dentro de um dos lados da faixa de domínio que pertence à União Federal e está sob a guarda da Ferrovia. Na época, foram solicitadas alterações que priorizam a segurança da comunidade, dos usuários da rodovia e da operação ferroviária, considerando que no local haverá a instalação de desvios ferroviários para atender a operação de um Terminal de Cargas, cujo projeto comercial e de instalação vem sendo desenvolvido desde 2015. Não existem justificativas técnicas para a não realização das alterações sugeridas pela Ferrovia, pois além de melhorar a segurança durante a entrada/saída e movimentação de cargas no terminal, irá beneficiar os moradores da Vila Esperança e todos motoristas que irão se utilizar da rodovia.



