Museu ganha livro
Museu de novidades
Nesta quarta-feira será lançado o livro comemorativo aos dez anos do Museu de Zoologia Professora Morgana Cirimbelli Gaidzinski
Por Redação Engeplus
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Talvez muitos não saibam, mas a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), “guarda” em seu principal acesso, um museu de novidades que está à disposição de quem quiser observar. Trata-se do Museu de Zoologia Professora Morgana Cirimbelli Gaidzinski, que se renova com frequência, principalmente, pela necessidade e sede de conhecimento de seus visitantes.
Completados dez anos de atividade, a estrutura e sua história ganham um livro comemorativo que será lançado nesta quarta-feira, às 20 horas, no hall da instituição. O livro foi organizado pela professora Morgana Cirimbelli Gaidzinski e os biólogos - seus ex-alunos - Silvia Damiani Simões e Rodrigo Ribeiro de Freitas. A publicação será distribuída de graça às instituições museológicas, bibliotecas, instituições de ensino e à comunidade.
O museu nasceu a partir da disciplina que a professora Morgana lecionava na Unesc. O primeiro animal do laboratório de sua responsabilidade foi uma arara, entre outros invertebrados que estavam restritos àquela sala. Quando a porta permanecia aberta os animais faziam sucesso, eram a atração do setor. Em pouco tempo, de coadjuvantes eles se tornaram protagonistas de um projeto que hoje ganha as dependências da universidade. “Assim vimos a necessidade de mais espaço para eles não restringir sua visibilidade e a ideia passou a crescer”, explica Morgana.
Atualmente o museu de zoologia reúne 250 espécimes (contagem por indivíduos) e há outras 500 no freezes da universidade para taxidermizar (empalhar) e colocar em exposição.
O Portal Engeplus conversou com a professora Morgana Cirimbelli Gaidzinski sobre o livro, seua relação com os animais e o museu, confira:
Portal Engeplus – O que desses dez anos ganha mais destaque no livro?
Professora Morgana - O livro reúne as principais atividades realizadas pelo museu em dez anos, sua história, o desenvolvimento da estrutura e as fases do crescimento, aborda a relação construída com a comunidade escolar e os nossos programas educativos.
Engeplus - O projeto do museu é uma realização pessoal?
Morgana – Sim, é uma realização pessoal ideal de se construir um espaço onde o aprendizado pudesse ser difundido de forma prazerosa, divertida e espontânea. Vejo esse museu como um instrumento de respeito à vida.
Engeplus – O balanço desses dez anos de atividade o museu é positivo?
Morgana – A resposta é sim, e quem nos dá essa resposta é a comunidade, que aceita o projeto. Em média, por mês, temos 1 mil visitas, em dez anos de museu já são 80 mil visitas de moradores de 42 municípios entre Passo de Torres e Laguna. Por causa deles somo uma referência no Sul do Estado. Recebemos estudante e a comunidade no geral. Me emociona quando voltam e se apropriam do conhecimento, como por exemplo, os alunos que após visitarem com a escola, voltam e trazem os pais e explicam a eles o que ouviram nas visitas monitoradas.
Engeplus – O que mais chama a atenção da senhora durante as visitas?
Morgana - O encantamento gerado nas crianças. Se percebe sentimento, emoção diante dos animais, esse é o maior reconhecimento.
Engeplus - Como se dá a manutenção do museu de zoologia?
Morgana – A Unesc é sensível ao projeto e nos dá todo o suporte físico necessário, afinal, somos a porta de entrada da universidade. Também mantemos com a captação de recursos na iniciativa privada e temos outros parceiros financeiros.
Engeplus – E o acervo de animais, como se forma?
Morgana - A equipe do museu faz monitoramentos na Costa da região duas vezes ao mês para resgate de carcaças e levantamento de tipos/espécies encontradas. A comunidade também nos abastece. Recentemente um morador de Laguna nos telefonou e fomos buscar uma irara, animal que não é comum ver na região.
Engeplus – Como é a relação da senhora com os animais?
Morgana – Sempre gostei muito de animais desde criança e já os guardava em vidrinhos, alguns insetos, principalmente. Com isso, veio o fascínio pela Biologia e o comportamento dos animais. Pude me formar na Unesc para me aperfeiçoar naquilo que amo e ainda trabalhar como professora de Zoologia. Sou grata à Unesc, que aposta no meu trabalho.
Engeplus – Qual a sensação da senhora quando chega um novo animal?
Morgana – Ah...é sempre uma emoção porque ele vai aumentar o acervo e encantar quem visita. Mas penso o seguinte: vivo, ele estaria melhor, se não está, não resistiu, que venha para as nossas mãos e que sirva como instrumento de ensino. O museu recebe continuamente animais, a grande maioria doada pela Polícia Ambiental, resultado de caça ilegal, atropelamentos, encalhes ou envenenamentos.
Engeplus – O museu de zoologia parece fazer o caminho contrário quando o assunto é acervo. É um museu que sempre tem novidades. Como avalia a função atual dos museus?
Morgana – O museu não é uma vitrine de animais, ele precisa se comunicar, não pode ser morto, tem que ser de vanguarda, em comunicação com seu público e bem ambientado e ser um espaço de lazer, é o que buscamos aqui. Temos um museu sem parede, claro, que não se pode tocar nas peças, existe uma orientação. Mas ele tem cenário e não são apenas animais expostos, ele estão em seu habitat, é o que reproduzimos, e aí é que tem que ir a mensagem do museu. Ele cumpre seu papel social ao repassar valores morais, sociais, de cidadania e afetivo.
Engeplus – Qual o futuro dos museus?
Morgana - Independente de sua tipologia, os museus guardam grandes tesouros. O museude zoologia é um acervo onde se tem aceso a espécies apresentadas em espaço e tempo, por exemplo. Ainda hoje abrem-se museus que passam novas linguagens, vanguarda. O museu de zoologia tem um futuro desafiador pela frente. Recebemos um terreno no Parque das Nações Cincinato Naspolini, em Criciúma e estamos em processo de captação de recursos. A ideia é manter algumas peças aqui no museu na Unesc, que é mãe de tudo isso, e transferir um volume grande de animais para a nova estrutura e reproduzir novos cenários para os animais. O novo ainda vai abrigar um grande aquário.
Prêmios recebidos pelo museu:
Prêmio Darcy Ribeiro de Educação 2008
Departamento de Museus e Centros Culturais do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
Prêmio Darcy Ribeiro de Educação 2011
Instituto Brasileiro de Museus
Prêmio Darcy Ribeiro de Educação 2012
Instituto Brasileiro de Museus
Prêmio Elisabete Anderle de Estimulo a Cultura 2013
Fundação Catarinense de Cultura
Saiba mais - O projeto do livro foi submetido a Lei de Incentivo a cultura- Lei Rouanet, (Lei nº 8.313 de 1991) e aprovado pela Comissão Nacional de incentivo a Cultura –CNIC.



